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Grêmio enfrenta rival que cobra R$ 8 milhões e fala em transfer ban

Amistoso contra o Cascavel terá bastidor financeiro envolvendo a venda de Bitello

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O Grêmio entra em campo neste sábado, às 16h, para enfrentar o Cascavel, no Estádio Olímpico Regional, em amistoso de intertemporada. A partida servirá como teste para Luís Castro durante a pausa do calendário, mas ganhou um peso maior fora das quatro linhas. O clube paranaense mantém uma cobrança milionária contra o Tricolor por causa da venda de Bitello ao Dínamo Moscou, da Rússia, e fala em cerca de R$ 8 milhões pendentes.

A disputa chama atenção pelo momento vivido pelo Grêmio. O clube anunciou recentemente o zagueiro Wallace, segue atento ao mercado e tenta ajustar o elenco para a retomada da temporada. Por isso, qualquer processo que envolva risco de restrição para registrar atletas ganha impacto esportivo imediato. Um transfer ban, quando aplicado pela FIFA, impede o clube punido de inscrever novos jogadores até a regularização da pendência.

A origem do caso está na venda de Bitello ao Dínamo Moscou, em setembro de 2023. O meia foi negociado por cerca de 10 milhões de euros, valor próximo de R$ 52 milhões na cotação da época. O Cascavel tinha direito a 30% da operação, o que colocava sua fatia perto de R$ 15 milhões. O Grêmio, dono da maior parte dos direitos, ainda manteve 20% da chamada mais-valia em uma venda futura acima do valor pago pelos russos.

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O primeiro grande impasse ocorreu ainda em 2023. Na época, o Cascavel acionou a Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, da CBF, e chegou a pedir bloqueio de valores de premiação do Grêmio no Brasileirão. Depois disso, o Tricolor repassou cerca de R$ 10,6 milhões ao clube paranaense. Mesmo assim, o Cascavel afirmou que o pagamento era apenas parte do valor devido.

Linha do tempo ajuda a entender cobrança contra o Grêmio

Em dezembro de 2023, o Cascavel publicou nota dizendo que a luta judicial continuaria por juros, multa, diferença cambial e discussão sobre mais-valia. Naquele momento, o clube paranaense projetava receber aproximadamente R$ 6 milhões adicionais. A direção também afirmou que usaria os valores recebidos para investir em infraestrutura da base, incluindo alojamento e campos de treinamento.

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O assunto voltou com força em 2024, quando o Cascavel cobrou mais de R$ 4 milhões, valor que poderia chegar perto de R$ 6 milhões com juros e multa. Na época, o Grêmio informou ao ge que tentou negociar condições de pagamento mais favoráveis, mas que o clube paranaense recusou e levou o caso à CNRD. O Tricolor disse, então, que aguardaria a decisão para tratar do pagamento.

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Agora, a cobrança subiu para cerca de R$ 8 milhões, segundo o presidente do Cascavel, Valdinei Silva. O dirigente afirma que existem três frentes diferentes envolvendo o caso. Ele cita multa por atraso, segunda parcela supostamente não paga e valores ligados à formação de Bitello. O Grêmio, por sua vez, informou ao ge que aguarda o desfecho do processo na CNRD.

“São três processos na FIFA. Um sobre pagamento com atraso e multa de 10%, outro sobre a segunda parcela que não foi paga e um terceiro sobre direito de formação. No total, algo em torno de R$ 8 milhões”, afirmou Valdinei Silva ao ge.

A fala do dirigente elevou o tom da disputa justamente na semana do amistoso. O encontro entre Cascavel e Grêmio foi organizado como evento comercial, com cachê para os dois clubes. Ao mesmo tempo, as duas instituições seguem em lados opostos de uma discussão jurídica antiga. Isso torna o jogo incomum, pois coloca em campo adversários que também discutem uma dívida milionária nos bastidores.

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O presidente do Cascavel também projetou uma definição do caso até o fim do ano. Ele demonstrou confiança em uma vitória definitiva e citou a possibilidade de punição caso o Grêmio não pague os valores cobrados. Apesar da declaração, ainda não há decisão final pública que confirme aplicação de transfer ban ao clube gaúcho.

“A questão do impasse do Bitello, eles já perderam em várias instâncias, está na última instância. É questão de tempo. Acho que até o final do ano eles vão ser obrigados a pagar ou vão tomar transfer ban”, disse Valdinei Silva.

O caso também envolve a valorização atual de Bitello no futebol russo. O meia renovou contrato com o Dínamo Moscou até 2031 e segue como peça importante da equipe. Segundo dados do FotMob, ele somou 7 gols e 8 assistências na temporada 2025/2026 da liga russa. Já o Transfermarkt avalia o jogador em 15 milhões de euros, valor superior ao pago pelo Dínamo ao Grêmio em 2023.

Essa valorização interessa ao Grêmio por causa da mais-valia mantida na negociação. Na prática, caso Bitello seja vendido por valor acima dos 10 milhões de euros pagos inicialmente, o Tricolor teria direito a 20% da diferença. Isso significa que o jogador ainda pode gerar nova receita ao clube gaúcho no futuro, mesmo longe da Arena.

Dentro de campo, o amistoso servirá para Luís Castro observar alternativas durante a pausa do Campeonato Brasileiro. O treinador pode usar a partida para dar ritmo ao grupo, avaliar peças recentes e testar soluções antes da retomada oficial. O Grêmio vem de semanas movimentadas no mercado, com saída de jogadores, chegada de Wallace e novas tentativas por reforços.

Fora de campo, porém, o duelo ganhou uma camada extra. O Grêmio enfrentará um adversário que cobra valores relevantes por uma das maiores vendas recentes do clube. O amistoso, que deveria ser apenas um teste de intertemporada, virou também um lembrete de como negócios antigos ainda podem interferir no presente do futebol gremista.

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