Duas escolhas que chamaram atenção antes mesmo de Inter 2×3 Santos ganharam explicações depois da partida deste domingo (6), no Beira-Rio. Esteban Conde revelou por que Guillermo Maripán e Rodrigo Villagra começaram no banco e detalhou os motivos que levaram a comissão técnica a utilizar Félix Torres, Ronaldo e Thiago Maia desde o início. Segundo o auxiliar, as situações de Maripán e Villagra tiveram relação principalmente com a condição física apresentada pelos jogadores.
Ao ser questionado sobre a ausência de dois nomes importantes da formação inicial, Conde começou pelo zagueiro chileno. Maripán vinha acumulando uma sequência considerada desgastante pela comissão técnica e, por isso, a decisão foi iniciar a partida com Félix Torres ao lado de Gabriel Mercado.
“Eu não gosto muito de falar de jogadores individualmente, mas, nesse caso, para explicar a você que vai direto a esse ponto: Maripán veio de uma sequência muito longa de jogos. Ele estava cansado e nós temos que procurar o melhor time”, explicou Conde.
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A situação de Villagra era diferente. O argentino apresentou um incômodo na região posterior e, mesmo relacionado para o confronto, tinha uma limitação de minutos estabelecida pela comissão técnica.
“Villagra também estava com um incômodo no posterior, também de uma sequência importante de jogos. Nossa comissão sempre está procurando ter disponíveis todos os jogadores e, para isso, temos que ter essa questão de cuidado com eles. Essa é a realidade”, acrescentou.
A intenção inicial, conforme explicou o auxiliar, era sequer precisar utilizar o volante. A entrada aconteceu porque Ronaldo já tinha cartão amarelo e apresentava desgaste durante o segundo tempo.
“Não adianta ter um jogador com muito risco de lesão. Villagra estava para não mais de 15 minutos. Tínhamos a ideia de não utilizá-lo, mas Ronaldo estava com risco de expulsão, cansado, com amarelo. Por isso é que ele não jogou mais”, completou.
Conde sai em defesa de Félix Torres após erro
A manifestação sobre Félix Torres ganhou peso pelo que havia acontecido poucos minutos depois do começo do jogo. O equatoriano se atrapalhou com a bola no sistema defensivo, Gabigol recuperou a posse e marcou o primeiro gol do Santos. O erro voltou a colocar o zagueiro no centro das críticas, especialmente porque Maripán estava entre os reservas.
Conde, porém, rejeitou a ideia de individualizar a responsabilidade pelo momento do Inter. O auxiliar lembrou que outros jogadores também cometeram erros durante a sequência negativa e incluiu a própria comissão técnica entre os responsáveis pelas escolhas que não produziram o resultado esperado.
“Félix é um jogador que está na nossa equipe e é um dos nossos zagueiros para utilizar. Ele teve um detalhe hoje, como aconteceu com outros companheiros. A verdade é que os erros nos custaram muitos pontos, mas não é o Félix”, afirmou.
O auxiliar prosseguiu defendendo uma reação coletiva em vez da procura por um único culpado pelos resultados recentes.
“Passou com vários jogadores, passa a nós nas escolhas. Quando o momento é ruim, quando não se dão os resultados, é muito difícil. Mas apontar para um só… eu acho que disso saímos todos juntos, não apontando com o dedo para quem se equivoca”, declarou.
Conde também apontou a necessidade de proteger emocionalmente o grupo durante o período de pressão vivido pelo clube.
“Ninguém se equivoca porque quer, essa é a realidade. E o mais importante é, da nossa parte, tentar estabilizar emocionalmente os jogadores, além da situação que estamos vivendo”, completou.
A utilização de Félix já havia provocado discussão anteriormente. Em julho, o defensor cometeu um erro na derrota para o Athletico-PR e deixou o campo irritado depois de ser substituído. Na ocasião, Conde posteriormente afirmou que a substituição ocorreu porque a comissão acreditou que o jogador estivesse sentindo um problema físico.
Villagra estava disponível apenas para poucos minutos
Conde voltou ao assunto de Villagra quando foi confrontado sobre uma possível contradição: se havia preocupação física, por que utilizar o argentino justamente no segundo tempo, quando o Inter perdia e precisava aumentar a intensidade para tentar uma reação? O auxiliar explicou que a diferença estava no tempo de exposição do jogador.
“Sobre o Villagra, se ele jogasse muito tempo, correria muito risco de se machucar mais. A ideia era não colocá-lo. A situação se deu para colocá-lo em poucos minutos, porque corre menos risco de lesão”, explicou.
O auxiliar reforçou que Villagra não estava totalmente indisponível. A condição permitia sua utilização, mas dentro de uma minutagem bastante reduzida caso a situação da partida exigisse.
“Se ele jogasse hoje 90 minutos, correria mais risco de lesão. Não é que não estava disponível, ele estava no banco hoje. Então estava para jogar, mas poucos minutos, muito poucos minutos e, se fosse necessário, só como foi”, acrescentou.
A explicação esclarece uma das mudanças em relação à provável escalação trabalhada antes de Inter x Santos. Villagra e Maripán apareciam inicialmente entre os nomes projetados para começar, mas Ronaldo e Félix Torres foram confirmados na formação oficial.
Thiago Maia tinha função ligada a Carbonero
A escolha de Thiago Maia também foi colocada em discussão durante a coletiva. Conde explicou que a comissão identificou nos jogos anteriores características que poderiam ser utilizadas para proteger o setor esquerdo, principalmente pela intenção de oferecer maior liberdade ofensiva para Carbonero.
“Na nossa análise dos jogos anteriores, Thiago Maia aportou coisas que nós procuramos dele. Depois, cada um, o torcedor, faz sua análise, você faz sua análise. E se não gostou do jogador, eu não posso fazer muito ali”, afirmou Conde.
Segundo o auxiliar, a comissão queria utilizar Thiago Maia também como apoio a Matheus Bahia sempre que o lateral precisasse de proteção pelo setor.
“Nós estamos fazendo nossa análise interna e achamos que ele podia nos dar coisas que para este jogo precisávamos. Como, por exemplo, dar uma ajuda a Matheus Bahia pela esquerda, quando queríamos que Carbonero estivesse um pouco mais liberado para ter alguma transição”, explicou.
Essa função permitiria que Carbonero ficasse menos preso às obrigações de cobertura e tivesse maior liberdade para aproveitar os espaços deixados pelo lado direito da defesa santista.
“Para liberar Carbonero, precisávamos um pouco mais da ajuda do volante e Thiago podia nos dar, até por uma questão de perfil. Por isso a inclusão hoje. São jogadores que estão disponíveis para nós e os utilizamos, essa é a realidade”, completou.
Ronaldo, por sua vez, entrou na escalação justamente porque Villagra não tinha condições de suportar uma minutagem elevada. Conde apontou intensidade, cobertura e capacidade de recuperação como características consideradas na decisão.
“Ronaldo é um jogador de muita perna, de muito recorrido, de muita cobertura. Justamente para ajudar com dois volantes, um que ia fazer cobertura pela esquerda, precisávamos de um mais posicionado também e agressivo na marcação”, disse.
O auxiliar encerrou a explicação relacionando diretamente o perfil de Ronaldo à ausência de Villagra entre os titulares.
“E, ao não ter Villagra para mais minutos, ele é um jogador de características similares em relação a roubar a bola e entregar ao companheiro. Por isso a ideia”, finalizou.
O Inter terá uma semana de preparação antes de voltar a campo contra a Chapecoense, no sábado (12), às 17h, na Arena Condá. A evolução física de Maripán e, principalmente, a condição apresentada por Villagra estarão entre os pontos a serem acompanhados antes da definição do time para a próxima rodada do Brasileirão.









