O diretor executivo Fabinho Soldado revelou como o Inter pretende conduzir a utilização dos jovens das categorias de base na reta final da temporada. Questionado depois da derrota por 3×2 para o Santos sobre uma possível participação maior do Celeiro de Ases, o dirigente citou João Bezerra, João Kempes e João Victor entre os jogadores acompanhados pelo departamento de futebol, mas descartou colocar os garotos simplesmente pela necessidade do momento.
A pergunta relacionava dois problemas enfrentados simultaneamente pelo clube. De um lado, o Inter vive dificuldades financeiras e precisa gerar receitas. Do outro, a equipe profissional atravessa uma sequência negativa no Brasileirão, situação que naturalmente aumenta a discussão sobre alternativas dentro do próprio elenco. Fabinho respondeu que a direção considera importante respeitar o estágio de desenvolvimento de cada atleta.
“A gente tem que ter o tempo certo de saber colocar esses meninos. A gente não tem meninos que estão com uma sequência de campeonatos, meninos que estão pedindo passagem. Essa é a verdade”, afirmou Fabinho Soldado.
O executivo reconheceu, entretanto, que existe um grupo de talentos sendo observado de perto e nominalmente citou três jogadores que já tiveram algum nível de aproximação com o profissional durante a temporada.
“Nós temos bons talentos e nós estamos cuidando desses talentos. Nós temos o Bezerra, o Kempes já com a gente, o João Victor. O Inter sempre teve esse espaço para que esses atletas possam ter o seu momento”, acrescentou.
Fabinho deixa decisão final com Pezzolano
Embora a direção acompanhe a evolução dos jovens, Fabinho reforçou que a utilização em partidas cabe ao treinador. Segundo o executivo, Paulo Pezzolano terá autonomia para definir quando cada atleta reúne condições de receber uma oportunidade no time principal.
“O Paulo (Pezzolano) é o treinador, ele vai tomar as decisões. Mas a gente entende que, no momento certo, na medida certa, na hora certa, esses jovens vão ter, sim, a sua oportunidade”, explicou o dirigente.
Os três nomes citados possuem trajetórias diferentes no processo de transição. João Bezerra já recebeu oportunidades no profissional e também integra o ciclo da Seleção Brasileira Sub-17. O centroavante passou a frequentar com maior regularidade o elenco principal durante a temporada e voltou a ser convocado pela Seleção depois de ganhar espaço com Pezzolano.
João Kempes, por sua vez, é um dos jogadores mais jovens inseridos nessa aproximação. O meia teve seu vínculo ampliado pelo clube até dezembro de 2029 e segue dividindo atividades entre a base e o processo de transição. O Inter renovou o contrato de Kempes depois de sua estreia pelo time principal, justamente para proteger esportivamente e patrimonialmente o jogador.
Já João Victor também teve participação no profissional em 2026 e marcou gol durante o Campeonato Gaúcho. O meia-atacante teve o contrato renovado junto com o irmão Luiz Felipe durante a parada do calendário e continuou aparecendo em treinamentos e listas montadas pela comissão. A renovação da dupla formada nas categorias de base aconteceu em julho.
A declaração de Fabinho indica que a direção não pretende transformar a crise de resultados em motivo para acelerar indiscriminadamente a utilização dos jovens. A ideia apresentada é manter o processo de observação e entregar oportunidades de acordo com o estágio individual, mesmo em uma temporada na qual a necessidade de retorno esportivo e financeiro aumenta a pressão sobre o trabalho da base.
No curto prazo, porém, a prioridade do departamento de futebol segue concentrada na reação do time principal. O Inter terá uma semana completa de preparação antes de enfrentar a Chapecoense, no sábado (12), fora de casa, pelo Brasileirão. A composição dos relacionados para a viagem poderá indicar se algum dos três jovens citados por Fabinho ganhará novo espaço em meio às mudanças necessárias no elenco.









