
Renato Portaluppi utilizou as redes sociais nesta terça-feira para celebrar os 43 anos da primeira conquista da Conmebol Libertadores pelo Grêmio. Integrante do histórico time de 1983, o antigo ponta publicou uma fotografia da formação campeã e recordou o impacto daquela noite em sua trajetória.
A lembrança foi compartilhada no story do perfil oficial do ídolo. Renato destacou o orgulho de ter pertencido ao grupo responsável por colocar o clube no topo da América pela primeira vez e fez questão de dividir os méritos com jogadores, comissão técnica e torcida.
“Foi um momento que marcou a minha vida e que ficará para sempre na história do clube. Tenho muito orgulho de ter feito parte daquele grupo que colocou o Grêmio no topo do continente pela primeira vez”, escreveu Renato.
O ex-jogador ainda agradeceu aos profissionais envolvidos na campanha e ressaltou o papel dos gremistas na construção da conquista. Para ele, mesmo depois de mais de quatro décadas, o título permanece vivo na memória de todos que acompanharam aquela geração.
“Agradeço aos meus companheiros, à comissão técnica e, principalmente, à torcida gremista, que sempre fez e continua fazendo a diferença. São 43 anos de uma conquista eterna. Um orgulho que o tempo jamais vai apagar”, acrescentou.
A publicação foi feita exatamente no aniversário da final. Em 28 de julho de 1983, o Grêmio derrotou o Peñarol por 2×1 no Estádio Olímpico e levantou a Conmebol Libertadores pela primeira vez. A vitória também representou o primeiro título continental conquistado por um clube do Rio Grande do Sul.

Renato participou diretamente do gol que deu a América ao Grêmio
A decisão havia começado seis dias antes, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Grêmio e Peñarol empataram em 1×1, deixando a definição para Porto Alegre. Naquela época, o saldo de gols não determinava o campeão. Um novo empate no segundo jogo levaria a final para uma terceira partida em campo neutro.
Diante de um Olímpico lotado, a equipe dirigida por Valdir Espinosa abriu o placar aos 10 minutos. Casemiro recuperou uma sobra, lançou Osvaldo pela esquerda e o meia finalizou cruzado. Caio apareceu dentro da área e completou de carrinho para colocar o Tricolor em vantagem.
O Peñarol reagiu na segunda etapa. Aos 25 minutos, Morena marcou o gol de empate e aproximou a decisão de um terceiro confronto. O cenário aumentou a tensão dentro do estádio, já que o Grêmio precisava voltar à frente para conquistar a taça naquela noite.
O lance definitivo ocorreu aos 32 minutos. Tarciso cobrou um lateral para Renato, que recebeu próximo à linha de fundo pelo lado direito. O ponta levantou a cabeça e cruzou para a área. César, que havia entrado no lugar de Caio, mergulhou e cabeceou para vencer o goleiro Fernández.
O gol de César definiu o 2×1 e mudou a história do Grêmio. Renato não apareceu como autor da finalização, mas teve participação direta ao construir a jogada que colocou o centroavante em condições de marcar. A parceria entre os dois ficou eternizada como um dos momentos mais importantes do antigo Estádio Olímpico.
Em 2024, quando César morreu aos 68 anos, Renato lamentou a perda do antigo companheiro e voltou a lembrar a importância do herói de 1983. O centroavante entrou durante a final e escreveu seu nome na história com o gol mais importante de sua passagem pelo clube.
Além de Renato, Caio e César, a equipe campeã tinha Mazarópi, Paulo Roberto, Baidek, De León, Casemiro, China, Osvaldo, Tita e Tarciso entre os titulares da segunda partida. Valdir Espinosa comandava o time, que havia enfrentado uma campanha marcada por confrontos difíceis dentro e fora do Brasil.
Um dos capítulos mais lembrados aconteceu na semifinal contra o Estudiantes. Depois de vencer por 2×1 no Olímpico, o Grêmio empatou em 3×3 em La Plata em uma partida marcada por expulsões, violência e forte pressão. O confronto se tornou conhecido como a Batalha de La Plata e consolidou a imagem de resistência daquela equipe.
Na decisão, o Peñarol representava um desafio ainda maior. O clube uruguaio era o então campeão da Conmebol Libertadores e do Mundial, além de já possuir quatro conquistas continentais. Superar um adversário com esse histórico aumentou a dimensão do primeiro título gremista.
A vitória abriu caminho para outro momento inesquecível. Em dezembro daquele mesmo ano, o Grêmio enfrentou o Hamburgo, campeão europeu, no Japão. Renato marcou os dois gols do triunfo por 2×1, incluindo o lance decisivo na prorrogação, e tornou-se o principal personagem da conquista mundial.
A relação do ídolo com a Conmebol Libertadores não terminou como jogador. Em 2017, Renato dirigiu o Grêmio no tricampeonato continental, conquistado sobre o Lanús. Dessa maneira, passou a carregar a marca de ter vencido a competição dentro de campo em 1983 e na área técnica 34 anos depois.
O próprio Renato já descreveu a emoção de ganhar a Conmebol Libertadores nas duas funções. Em entrevista anterior, afirmou que a sensação provocada pelo título é difícil de explicar e classificou como um privilégio ter participado de duas gerações campeãs do Grêmio.
A homenagem desta terça-feira recupera justamente o ponto inicial dessa ligação. Antes da estátua na Arena, dos dois gols no Japão e do retorno como treinador multicampeão, Renato integrou o time que rompeu uma barreira histórica e transformou o Grêmio em campeão da América.
Passados 43 anos, a conquista continua preservada pelas imagens, pelos relatos dos jogadores e pela memória da torcida. Para Renato, ela permanece também como o momento que definiu sua relação definitiva com o clube e o colocou entre os maiores ídolos da história tricolor.









