
Antes de chegar ao futebol europeu, disputar uma Copa do Mundo e acertar com o Grêmio, Jovane Cabral já demonstrava que dificilmente ficaria longe de uma bola. Uma lembrança preservada pela família em Cabo Verde ajuda a explicar como nasceu a insistência do novo reforço tricolor em seguir a carreira.
O pai do atacante, Eduardo Cabral, mostrou um antigo bilhete escrito pelo filho quando ele tinha aproximadamente 15 anos. Jovane havia saído sem avisar a mãe para disputar uma final de futebol, mas deixou um recado explicando onde estaria e tentando evitar uma preocupação maior dentro de casa.
A história foi contada em um vídeo publicado pelo jornalista Raphael Bózeo, correspondente da Globo e do Mundo do Futebol em Cabo Verde durante a Copa do Mundo. Eduardo apareceu com o papel já rasgado pelo tempo, mas ainda guardado pela família.
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O episódio ocorreu muitos anos antes de Jovane desembarcar em Porto Alegre para concluir sua chegada ao Grêmio. Mesmo naquela época, o futebol já fazia o adolescente organizar os afazeres, procurar uma carona e encontrar uma maneira de participar das partidas.
Jovane Cabral saía sem a mãe saber para jogar futebol
Eduardo explicou que o filho nem sempre recebia autorização para sair. Quando surgia uma partida importante, Jovane algumas vezes deixava a casa sem que a mãe soubesse, mas procurava terminar suas obrigações antes de partir.
O objetivo era mostrar que o futebol não o havia feito abandonar as responsabilidades. Além de deixar tudo organizado, o garoto escrevia um recado para informar o destino e prometer que retornaria.
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“Ele saía escondido, sem a mãe saber, mas deixava sempre uma justificação. Quando voltava, arrumava as coisas para que, quando pedisse outra vez para ir, a mãe deixasse”, contou Eduardo Cabral.
Em um dos trechos mostrados no vídeo, Jovane informou que viajaria até o Porto para disputar uma final. O atacante também avisou que havia conseguido carona com um amigo e tentou tranquilizar a mãe.
“Mãe, eu fui para o Porto jogar uma final. Um amigo me deu uma boleia para ir ao Porto, mas já deixei as coisas bem. Não se preocupe, está tudo certo. Vou e venho”, dizia o bilhete preservado pelo pai.
Eduardo calculou que o filho estivesse com aproximadamente 15 anos naquele período. A lembrança ganhou um novo significado com o avanço da carreira, já que o adolescente que saía escondido para jogar conseguiu chegar ao Sporting, atuar em diferentes países europeus e representar Cabo Verde.
A mãe de Jovane, Ângela Fernandes, já havia contado que o futebol ocupava grande parte da vida do filho desde a infância. A família, apesar das preocupações naturais, procurava equilibrar o apoio ao esporte com a cobrança pelos estudos e pelas tarefas de casa.
Caminho começou no Grémio Nhagar
Natural de Assomada, Jovane iniciou sua formação no Grémio Nhagar, equipe de sua cidade. O atacante permaneceu no clube cabo-verdiano durante a infância e começou a chamar a atenção ainda antes de deixar o país.
Aos 16 anos, mudou-se para Portugal e ingressou nas categorias de base do Sporting. A saída representou uma transformação profunda: o jovem deixou a família e passou a perseguir profissionalmente o sonho que já aparecia nos bilhetes deixados em casa.
Jorge Jesus o levou para a preparação da equipe principal em 2017. Jovane estreou oficialmente pelo Sporting naquele mesmo ano e, posteriormente, conquistou espaço em um elenco que disputava títulos nacionais e competições europeias.
O atacante passou ainda por Lazio e Salernitana, na Itália, e pelo Olympiacos, da Grécia. Depois, retornou ao futebol português para defender o Estrela da Amadora, onde recuperou sequência após conviver com lesões e períodos de pouca utilização.
O Zona Mista já mostrou como o trabalho no Estrela ajudou Jovane Cabral a recuperar a confiança. A reconstrução abriu caminho para a convocação de Cabo Verde e para a exposição conquistada durante a Copa do Mundo de 2026.
Jovane participou da campanha histórica cabo-verdiana e enfrentou seleções como Espanha e Argentina. O desempenho no Mundial pesou na análise do Grêmio, que buscava um atacante capaz de jogar aberto pela esquerda e também ocupar posições mais centrais.
O técnico Luís Castro confirmou publicamente o acerto e elogiou a versatilidade do jogador. O desempenho de Jovane Cabral na Copa também foi acompanhado pelo departamento de análise gremista antes da conclusão da negociação.
Pai de Jovane Cabral quer conhecer Porto Alegre
Durante a conversa, Eduardo revelou que pretende viajar ao Brasil para visitar o filho. Ele ainda não conhece Porto Alegre, mas passou a incluir a capital gaúcha nos planos depois do acerto com o Grêmio.
“Agora que ele foi para o Grêmio, quero ir lá visitá-lo. Espero que ele passe bem no Brasil. Tenho vontade de conhecer”, declarou o pai do atacante.
Raphael Bózeo brincou ao recomendar que Eduardo levasse um casaco por causa do frio de Porto Alegre. O pai respondeu demonstrando curiosidade sobre a cidade que receberá o filho durante o novo desafio profissional.
Jovane já desembarcou no Aeroporto Salgado Filho e foi conduzido por funcionários do Grêmio. O atacante realizará as últimas etapas do processo antes do anúncio, incluindo exames médicos, assinatura dos documentos e registro para poder atuar oficialmente.
A tendência é que o contrato seja válido até dezembro de 2027. O Grêmio não precisará pagar uma compensação ao Estrela Amadora, pois o vínculo do jogador com o clube português terminou antes da transferência.
O atacante chega para aumentar as opções de Luís Castro em um período de pressão no Campeonato Brasileiro. A direção espera que sua velocidade, capacidade de atuar pelos lados e experiência internacional ajudem a equipe durante o segundo semestre.









