Luís Castro ampliou a explicação sobre suas decisões na derrota do Grêmio por 2×1 para o Vasco na Arena e rejeitou a ideia de que a comissão técnica esteja insistindo sempre na mesma estrutura diante dos resultados ruins. Antes de responder especificamente sobre Filip Krovinović pela esquerda e a entrada tardia de Matheus Nascimento, o português listou diferentes desenhos que já utilizou e reconheceu que as alterações ainda não proporcionaram tudo o que espera da equipe.
Castro foi questionado se a sequência negativa indicava a necessidade de mudar o próprio trabalho ou se havia chegado a um ponto no qual já não conseguia extrair dos jogadores aquilo que desejava. Na resposta, o técnico citou desde variações na última linha até mudanças na quantidade e característica dos homens de meio-campo.
“Nós já trabalhámos com linha de 5, com dois volantes mais uma meia, já com um volante e dois meias, já hoje terminámos em 4-4-2, já mudámos para linha de 3, já fomos mudando aquilo que é o caminho da equipa em termos táticos”, afirmou Luís Castro.
O português explicou que a comissão tenta consolidar uma estrutura que apresentou respostas melhores na Copa do Brasil, mas perdeu força nos dois compromissos seguintes pelo Brasileirão, contra Vitória e Vasco. Segundo ele, cada partida é novamente analisada pela equipe técnica para separar comportamentos ofensivos, defensivos, transições e bolas paradas antes da preparação seguinte.
“Estamos a consolidar, estamos a tentar consolidar um caminho que deu resultado na Copa, deu menos resultado naquilo que foram os últimos dois jogos, Vitória e Vasco. Está sempre em avaliação o nosso trabalho dentro da equipe técnica. Fazemos sempre avaliação, fazemos sempre os cortes dos jogos, os momentos ofensivos, os momentos defensivos, aquilo que são as transições”, explicou.
A declaração também marca uma diferença em relação a outros momentos recentes da temporada. Antes dos Gre-Nais da Copa do Brasil, por exemplo, Castro chegou a preservar uma estrutura mais estável no time do Grêmio. A necessidade de encontrar respostas no Brasileirão, porém, fez o treinador recorrer novamente a diferentes desenhos durante as partidas.
Castro admite resposta parcial e explica Krovinović no Grêmio
Ao ser pressionado sobre o resultado concreto dessas mudanças, Castro reconheceu que variar a estrutura não foi suficiente. O treinador admitiu que o Grêmio consegue executar partes do que é trabalhado, mas não chega ao nível completo pretendido pela comissão.
“Temos alterado, não tem dado resultado. Muitas vezes não extraímos aquilo que realmente queremos na nossa plenitude, extraímos muitas vezes de forma parcial”, reconheceu Castro.
Foi dentro desse cenário que surgiram as duas decisões questionadas no fim da coletiva. Uma delas envolveu Krovinović, deslocado para o corredor esquerdo quando o Grêmio precisava encontrar espaços para reagir. Para Castro, a utilização do croata naquele setor não representou uma função completamente desconhecida ao jogador. A intenção principal era abrir o corredor para as projeções de Pedro Gabriel.
“O Krovi, ao longo de toda a sua carreira, fez muitos jogos sobre aquele corredor e joga sobre aquele corredor, libertando o espaço para o Pedro. A intenção era libertar o espaço para o Pedro, para o Pedro se projetar mais como se projetou nesse momento”, explicou o treinador.
A outra cobrança envolveu Matheus Nascimento. O atacante recebeu poucos minutos e entrou somente quando o Grêmio já buscava recuperar o resultado. Castro explicou que a utilização estava ligada à mudança para um desenho com dois jogadores na frente, colocando Matheus mais próximo de Carlos Vinícius.
“Matheus Nascimento entrou numa altura em que nós passámos a jogar com dois jogadores, em que ele girava à volta do Vinícius”, afirmou Castro, indicando que a ideia era aproveitar os espaços produzidos pela presença do centroavante.
A possibilidade de utilização conjunta dos atacantes não é inédita. Quando foi apresentado pelo clube, Matheus já havia afirmado que poderia atuar ao lado de Carlos Vinícius e até em uma função mais recuada. Contra o Vasco, Castro recorreu justamente a uma configuração com dois homens no setor ofensivo durante a tentativa final de reação.
As explicações individuais de Krovinović e Matheus, portanto, integram uma discussão maior sobre o momento da equipe. Castro sustenta que vem alterando estruturas e reavaliando constantemente o trabalho, mas ele próprio admite que o Grêmio ainda entrega apenas parcialmente aquilo que a comissão pretende. Com a pressão aumentando no Brasileirão, a questão deixa de ser apenas quantas mudanças são feitas e passa também pela capacidade de fazê-las produzir efeito dentro de campo.










