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Alex Bagé detona direção do Grêmio e Luís Castro recusa pergunta da Bagé TV

Comunicador propôs até “vaquinha” pela saída do técnico antes de episódio na coletiva

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+ Alex Bagé fez um dos comentários mais duros sobre a atual gestão do Grêmio logo depois da derrota de virada por 2×1 para o Vasco, neste sábado, na Arena. Antes da entrevista coletiva de Luís Castro, o comunicador identificado com o Tricolor atacou o treinador e a direção de futebol, voltou a pedir uma mudança imediata no comando e afirmou que precisa controlar as próprias palavras para não transformar suas críticas em problemas judiciais.

Bagé começou explicando justamente por que vinha tentando manter a calma nas transmissões depois dos jogos. A partir daí, ampliou a cobrança para além de Castro e direcionou sua indignação aos responsáveis pelo departamento de futebol, relacionando o momento esportivo às promessas feitas ao torcedor antes da temporada.

“Eu tenho procurado manter a calma. E eu confesso a vocês, do outro lado da tela, que eu ando com medo de mim. Porque se eu fosse dizer tudo o que penso e tudo o que tenho que dizer dessa diretoria, com certeza amanhã eles empilhariam processos. Então tem que ter um cuidado muito delicado para falar desses anjos. Eu tenho nojo de todos vocês. Todos vocês. A começar pelo Luiz Castro”, afirmou Bagé.

O comunicador voltou a questionar por que a direção ainda não promoveu uma troca no comando técnico. Na sua avaliação, a situação não poderia ser explicada apenas por falta de recursos para uma rescisão, porque caberia aos próprios dirigentes ter considerado esse risco no momento da contratação.

“Isso é culpa de vocês da direção, porque esse treinador tinha que estar longe do Grêmio. E não vem com essa conversa que não é ter dinheiro, não é sobre dinheiro, é sobre incompetência. Porque se vocês assinaram um contrato com um treinador que vocês sabiam lá na frente que vocês teriam dificuldade de demitir, que não tivessem contratado. É simples assim”, declarou.

Bagé oferece ajuda para pagar saída e critica relação com a imprensa

A manifestação ficou ainda mais forte quando Bagé passou a falar sobre a relação entre dirigentes e jornalistas. O comunicador utilizou a expressão “gabinete do ódio”, acusou pessoas ligadas à gestão de tentarem atingir a reputação de profissionais da imprensa e, em seguida, lançou uma provocação sobre o custo de uma eventual demissão de Castro.

“Parem. Alô, gabinete do ódio. Parem de se preocupar em tentar atacar a reputação de jornalista e transformar a imprensa inimiga de vocês. Honrem as calças que vocês vestem e demitam o Luiz Castro! Estão sem dinheiro pra demitir o Luiz Castro? Vamos abrir uma vaquinha? Vamos abrir uma vaquinha? Eu sou parceiro”, disparou Bagé.

O jornalista não ficou apenas na provocação. Ele disse que colocaria a estrutura da própria Bagé TV à disposição para mobilizar torcedores caso o dinheiro de uma eventual multa contratual estivesse impedindo a direção de tomar uma decisão. Bagé já havia repercutido anteriormente informações sobre garantias financeiras existentes no acordo de Castro com o Grêmio.

“Eu coloco a Bagé TV e toda a galera que trabalha comigo aqui à disposição. A gente vai fazer campanha dia e noite pra ajudar a pagar a multa do Luiz Castro, se o caso for pagar a multa do Luiz Castro. Agora, dizer pro torcedor do Grêmio que tá tudo bem e não tirar o Luiz Castro é brincar. Chegamos a uma encruzilhada. Tem dois caminhos: o caminho do torcedor e o caminho do Luiz Castro”, prosseguiu.

Bagé ainda sustentou que a direção teria escolhido permanecer ao lado do treinador mesmo diante da insatisfação que ele percebe entre os gremistas. Durante o longo comentário, também criticou contratações, decisões tomadas para o elenco e o rendimento apresentado pelo time durante a temporada.

A oposição pública do comunicador a Castro não começou neste sábado. Depois da derrota para o Bragantino, Bagé já havia feito um forte pronunciamento pedindo a saída do treinador. Dias antes, as posições dos dois sobre imprensa, treinamentos fechados e avaliação do trabalho também haviam produzido um cruzamento público de declarações.

Castro fala em “sangue” e depois não responde à Bagé TV

A entrevista coletiva realizada posteriormente teve um ambiente igualmente carregado. Antes do episódio envolvendo diretamente a Bagé TV, Castro discutiu com Gustavo Berton, da ESPN, depois de ser questionado sobre onde enxergava qualidade em seu trabalho. O treinador contestou a formulação da pergunta e passou a falar sobre a maneira como declarações ganham repercussão.

“Eu sei que neste momento o que vende é sangue e sei que as perguntas são para eu responder para haver sangue. É isso. Você já sabe que eu sei como se vive. E os engajamentos e tudo isso, eu sei os cortes, eu sei tudo isso. Eu não falei isso. Eu não disse que o meu trabalho era bom”, afirmou Castro durante a discussão com o jornalista da ESPN.

A coletiva seguiu e, algum tempo depois, chegou a vez de Lucas Pilar. O repórter se apresentou pelo nome e identificou seu veículo como Bagé TV. Ele começava a formular uma pergunta sobre os esquemas e as variações táticas utilizadas pelo Grêmio quando Castro o interrompeu imediatamente ao ouvir o nome do canal.

O português repetiu “Bagé TV?”, pediu desculpas e mandou seguir para o próximo jornalista. Em seguida, deixou claro que não responderia à pergunta e acrescentou que o próprio Pilar saberia o motivo. O repórter não conseguiu concluir o questionamento e a coletiva passou diretamente para outro profissional.

Castro não explicou publicamente qual era a razão da recusa. Também não mencionou Alex Bagé pelo nome nem afirmou ter assistido ao pronunciamento realizado pouco antes. Por isso, não há base para dizer que o desabafo pós-jogo provocou diretamente a atitude do treinador. A cronologia, porém, está estabelecida: Bagé fez seu forte ataque a Castro e à direção antes da coletiva e, depois, o técnico recusou-se a responder quando um profissional se identificou como integrante da Bagé TV.

A sequência acrescenta um novo capítulo a uma relação que já vinha acumulando atritos públicos durante a temporada. Desta vez, a tensão saiu das críticas feitas em programas e chegou diretamente à sala de entrevistas da Arena, em uma noite na qual a derrota para o Vasco aumentou novamente a pressão sobre o comando técnico do Grêmio.

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