
O Grêmio registrou déficit de R$ 124 milhões no primeiro trimestre de 2026 e acendeu um novo alerta financeiro no clube. O número foi impactado principalmente pela reformulação do elenco feita no início da temporada, quando a direção antecipou saídas, rompeu contratos e assumiu custos para tentar reduzir compromissos futuros. A informação foi publicada pelo ge, com base nos números apresentados ao Conselho Deliberativo.
O dado é forte, mas precisa ser lido com cuidado. O déficit não significa que o Grêmio desembolsou R$ 124 milhões de uma vez. Parte relevante desse impacto é contábil, porque valores de rescisões que serão pagos ao longo dos próximos anos entraram no balanço dos três primeiros meses. Ainda assim, o resultado mostra o tamanho do peso financeiro carregado pelo clube na tentativa de reorganizar o futebol.
Segundo a apuração, as rescisões feitas pelo Grêmio custaram R$ 45 milhões. Esses pagamentos serão diluídos em três anos. Porém, para efeito de balanço, o impacto foi registrado no primeiro trimestre. A gestão argumenta que, se os contratos fossem mantidos até o fim, o custo total chegaria a R$ 95 milhões, mais que o dobro do valor assumido nas saídas antecipadas.
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A reformulação atingiu nomes importantes do elenco. Entre os jogadores que encerraram contrato de forma antecipada estão Jemerson, Rodrigo Ely, Tiago Volpi, Felipe Carballo, Edenilson, Cuéllar, Mila e Cristaldo. A lista ajuda a explicar por que a mudança teve reflexo tão forte nas finanças. Não foi uma correção pontual, mas uma remodelação ampla do grupo.
Grêmio precisa transformar janela em parte da solução
Além dos R$ 45 milhões em rescisões, outros valores ligados a operações de contratações também entraram no déficit. Entre eles estão luvas contratuais de atletas que chegaram ainda em 2025. Com esse conjunto, o impacto ligado à reformulação do elenco chega a aproximadamente R$ 60 milhões.
A situação aumenta o peso da próxima janela de transferências. O presidente Odorico Roman já admitiu, em entrevista à Rádio Gaúcha repercutida pelo Zona Mista, que o Grêmio deverá vender atletas no meio do ano porque precisa de recursos. Ele não citou nomes, mas deixou claro que uma venda excepcional poderia reduzir a necessidade de mais de uma negociação.
O tema ganha ainda mais importância porque a Comissão de Assuntos Financeiros do Conselho Deliberativo recomendou mudanças na política de investimentos no futebol. O parecer apontou que o acúmulo de contratações nos últimos anos pressiona o fluxo de caixa. Também houve alerta sobre o cumprimento de regras de fair play financeiro, assunto cada vez mais presente no debate do futebol brasileiro.
A comissão também indicou caminhos para reduzir a pressão. Entre eles estão a busca por novas receitas, a melhor exploração da Arena e a realização de vendas necessárias na janela. Ou seja, a solução não passa apenas por cortar gastos. O Grêmio também precisará aumentar arrecadação e transformar ativos do elenco em receita.
O desafio está em equilibrar a conta sem enfraquecer demais o time. O Grêmio ainda tem Brasileirão, Copa do Brasil e playoffs da Sul-Americana no segundo semestre. Luís Castro precisará de elenco competitivo, mas a direção também terá de lidar com a necessidade de receitas. A janela, portanto, será esportiva e financeira ao mesmo tempo.
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O déficit de R$ 124 milhões não deve ser interpretado como colapso imediato de caixa. Ao mesmo tempo, não pode ser tratado como detalhe contábil sem consequência. Ele mostra que a reformulação teve preço alto, que as escolhas de elenco seguem pesando e que o clube precisa agir na pausa da Copa para evitar que o problema cresça.


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