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Super Fico protesta e Inter expõe déficit de R$ 160 milhões em noite tensa

Faixa e panfletos antecederam reunião que também detalhou transfer bans e compromissos do clube

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A Super Fico aumentou a pressão sobre a direção do Inter justamente na noite em que o Conselho Deliberativo recebeu uma atualização detalhada sobre as finanças do clube. Integrantes da torcida organizada foram ao Beira-Rio antes da reunião desta segunda-feira (28) e exibiram uma faixa com a mensagem “1000 reuniões, zero soluções!”, além de distribuírem panfletos com rostos direcionados a integrantes da atual gestão.

A cobrança teve como alvos o presidente Alessandro Barcellos, o executivo Fabinho Soldado, os vice-presidentes Victor Grunberg, Dalton Schimitt e Miguel Dagnino e o secretário-geral Cauê Vieira. Nos panfletos, os dirigentes apareciam acompanhados da palavra “procurado”, enquanto a “recompensa” citada pela torcida era a permanência do Inter na Série A.

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Horas depois da manifestação, os números apresentados aos conselheiros deram dimensão financeira ao momento de pressão vivido no Beira-Rio. Em comunicado oficial sobre a reunião, o próprio Inter informou que encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 160 milhões, acima dos R$ 109,3 milhões previstos no orçamento para o período.

Inter explica déficit e detalha situação financeira

Segundo a direção, a diferença ocorreu principalmente pela redução da receita bruta. Entre os fatores apontados estão a ausência de um patrocinador máster e negociações de jogadores que estavam previstas no orçamento, mas não foram concretizadas no volume esperado. O clube sustentou, por outro lado, que custos e despesas permaneceram próximos do planejamento e afirmou ter reduzido seu endividamento em aproximadamente R$ 20 milhões.

Outro ponto apresentado aos conselheiros foi a situação dos pagamentos ao elenco. O vice-presidente de Finanças, Leandro Bergmann, informou que salários e direitos de imagem estão atualmente em dia. A regularização foi possível depois da doação de R$ 20 milhões feita por Delcir Sonda, recurso direcionado justamente para compromissos com atletas e funcionários.

O cenário continua pressionado pelas obrigações ligadas à montagem do elenco. Levantamento publicado pelo ge após a reunião aponta R$ 117 milhões em compromissos relacionados a transferências realizadas desde 2021. Desse montante, R$ 56 milhões seriam valores já vencidos e outros R$ 61 milhões ainda teriam vencimento futuro.

A separação é importante porque nem todo o valor corresponde a dívida atualmente inadimplida. Os compromissos envolvem processos e obrigações em diferentes estágios, incluindo casos discutidos na FIFA, na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF e em outras frentes judiciais.

O Inter já sofreu dois transfer bans recentes. O primeiro teve origem na contratação de Juninho junto ao Midtjylland, enquanto o segundo está relacionado à compra de Ramon do Olympiacos. O Zona Mista mostrou em setembro que o segundo bloqueio da FIFA chegou menos de um mês depois do primeiro.

Segundo o levantamento do ge, outros cinco casos ainda podem produzir novas sanções caso as pendências avancem até esse estágio. A existência dos processos, porém, não significa que cinco novos transfer bans já estejam aplicados ao Inter.

Também há aproximadamente R$ 202 milhões em outros passivos financeiros previstos para os próximos dois anos, conforme a apuração. O volume ajuda a explicar por que a reorganização das obrigações passou a ocupar espaço central nas discussões internas. Antes da reunião desta semana, o Zona Mista já havia mostrado que o clube buscava composições com grandes credores para reorganizar parte das dívidas.

A combinação entre pressão esportiva e dificuldade financeira marcou, portanto, a segunda-feira no Beira-Rio. Enquanto a Super Fico cobrava respostas do lado de fora, a reunião do Conselho Deliberativo expunha por dentro o tamanho do desafio que ficará para os últimos meses da atual administração e para a gestão que assumirá o clube em 2027.

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