O Inter trabalha em uma nova frente para tentar reorganizar parte de suas obrigações financeiras e reduzir a pressão provocada por grandes cobranças. Segundo apuração publicada nesta terça-feira pelo jornalista Tim Lagendorf, da Rádio Inferno, a área jurídica colorada busca construir uma composição com três credores de peso: o empresário Delcir Sonda, o agente Jair Peixoto e os envolvidos nas cobranças originadas do antigo caso do zagueiro Dalton.
A informação representa um avanço em relação ao debate genérico sobre alternativas à recuperação judicial. O objetivo atribuído ao clube é alcançar condições de pagamento capazes de organizar uma parcela relevante das obrigações civis. Até o momento, porém, não há informação de acordo assinado com os três credores, tampouco de pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial apresentado à Justiça.
Os valores envolvidos ajudam a dimensionar a tentativa. Empresas ligadas a Delcir Sonda cobram aproximadamente R$ 60 milhões do Inter em quatro processos diferentes, embora o próprio clube conteste essa cifra e tenha calculado anteriormente que o montante corrigido devido seria próximo de R$ 33 milhões. As ações têm origens distintas, incluindo antigos empréstimos e negócios relacionados a Andrés D’Alessandro.
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Acordo não significa recuperação extrajudicial já protocolada
Jair Peixoto possui outra cobrança de grande porte. A Justiça condenou o Inter a pagar aproximadamente R$ 28,6 milhões ao empresário em um processo relacionado à venda do zagueiro Bruno Fuchs ao CSKA Moscou, realizada em 2020. A discussão passou pela cláusula de exclusividade de intermediação que existia entre as partes e pelos valores de comissão referentes à negociação.
O terceiro eixo envolve Dalton. O ex-zagueiro conseguiu reverter judicialmente a demissão por justa causa aplicada pelo Inter há mais de uma década. O caso acabou produzindo diferentes consequências e processos, incluindo indenizações e cobranças relacionadas à operação do atleta. Levantamentos publicados neste ano estimaram que o impacto total associado às disputas pode se aproximar de R$ 30 milhões.
A apuração da Rádio Inferno aponta que a concentração de uma parcela relevante das obrigações nessas três frentes é justamente o que levou o jurídico a trabalhar em busca de uma composição. Existe, porém, uma diferença importante entre negociar acordos diretamente e ter uma recuperação extrajudicial formalmente homologada. Pela Lei 11.101/2005, um plano pode alcançar credores das espécies efetivamente abrangidas quando obtém o quórum legal e passa pela homologação judicial.
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A legislação não permite concluir que qualquer acordo privado com três credores passe automaticamente a modificar todas as demais dívidas do Inter. Créditos que não forem incluídos no plano preservam suas condições originais, entendimento reforçado neste ano pelo Superior Tribunal de Justiça. Portanto, o estágio atual deve ser tratado como busca por uma composição financeira, sem antecipar os efeitos jurídicos que dependeriam da estrutura escolhida pelo clube e de eventual processo formal.
O movimento se conecta a uma discussão que já vinha avançando internamente. Em agosto, o Zona Mista mostrou que o Inter manteve a Alvarez & Marsal trabalhando em alternativas concretas para reorganizar o passivo. Entre os mecanismos estudados estavam novas formas de captação e antecipação de receitas, enquanto a direção resistia à recuperação judicial.
As cobranças de Sonda também já produziram consequências patrimoniais. Uma das ações levou a Justiça a determinar buscas para bloqueio de R$ 11,58 milhões em contas do Inter, decisão que posteriormente teve o bloqueio das contas revertido parcialmente em recurso. A tentativa de composição com grandes credores aparece justamente como uma forma de reduzir a exposição a novas execuções isoladas, desde que as partes consigam estabelecer condições aceitas juridicamente.
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A próxima mudança de estágio será objetiva: proposta formal aceita, acordo assinado, pedido de homologação de recuperação extrajudicial ou outra solução documental. Até que uma dessas etapas ocorra, o fato novo está na identificação dos credores que passaram a integrar essa estratégia atribuída ao jurídico colorado.









