
O Inter chegou a um acordo com o Bahia para congelar o contrato de empréstimo do atacante Kayky durante sua recuperação. A solução afasta, por enquanto, uma rescisão definitiva e impede que o clube gaúcho continue pagando os salários do jogador lesionado. O entendimento encerra uma negociação iniciada após a cirurgia realizada pelo atleta durante o período de férias.
Kayky sofreu uma lesão no tornozelo direito enquanto o elenco colorado estava liberado dos treinamentos. O atacante realizou o procedimento cirúrgico em Salvador, após alinhamento com o Bahia, proprietário de seus direitos. Ele não participou da reapresentação no CT Parque Gigante e iniciou a recuperação longe das atividades comandadas por Paulo Pezzolano.
O Zona Mista mostrou inicialmente que o Inter cogitava devolver Kayky ao Bahia antes do fim do empréstimo. A direção avaliava que o jogador dificilmente teria condições de retornar antes de dezembro. Manter integralmente as obrigações salariais, sem perspectiva de utilização esportiva, aumentaria um prejuízo já considerado relevante.
As conversas avançaram nos últimos dias, como também foi registrado na matéria sobre a negociação conduzida pelo Inter com o Bahia. O executivo Fabinho Soldado defendia uma solução que preservasse o tratamento do atleta, mas também protegesse as finanças coloradas. O congelamento foi o modelo encontrado pelos clubes.
O acordo original previa empréstimo até dezembro de 2026, com opção de compra ao término do período. Desde a contratação, o Inter assumia a totalidade dos salários do atacante. Com o novo entendimento, essa responsabilidade ficará suspensa enquanto Kayky estiver afastado. O Bahia voltará a participar diretamente da administração contratual e médica do jogador.
Acordo evita rescisão imediata e reduz prejuízo financeiro do Inter
O congelamento não significa, neste momento, que Kayky foi definitivamente desligado do Inter. O vínculo permanece existente, mas sem produzir os mesmos efeitos financeiros durante a recuperação. A duração final do empréstimo e uma eventual retomada dependerão da evolução médica. Também será necessário observar como os clubes registrarão o período de suspensão contratual.
A solução é diferente da rescisão antecipada que vinha sendo considerada. Caso houvesse encerramento imediato, o atacante retornaria em definitivo ao Bahia, mesmo sem condições de jogar. O modelo escolhido mantém uma possibilidade de continuidade, embora a chance de Kayky voltar a defender o Inter ainda dependa do tempo necessário para sua recuperação.
Até a lesão, o atacante havia disputado nove partidas pelo clube gaúcho. Foi titular apenas uma vez e encerrou o primeiro semestre sem gols ou assistências. A última atuação ocorreu em maio. Kayky terminou o período como uma das opções menos utilizadas do setor ofensivo, atrás de jogadores como Carbonero, Vitinho e Allex.
O desempenho abaixo do esperado também influenciava as avaliações internas sobre seu futuro. Contratado para oferecer velocidade, drible e capacidade de atuar pelos dois lados, o atacante não conseguiu se firmar. A lesão fora do ambiente do clube tornou o cenário ainda mais delicado, principalmente diante da necessidade colorada de reduzir despesas e reorganizar o elenco.
Kayky havia sido anunciado oficialmente pelo Inter em fevereiro. O negócio foi estruturado como uma oportunidade de mercado, sem compra imediata e com possibilidade de avaliação durante toda a temporada. O atacante chegou depois de passagens por Fluminense, Manchester City, Paços de Ferreira, Sparta Rotterdam e Bahia.
O vínculo definitivo do jogador com o Bahia vai até dezembro de 2029. O clube baiano comprou Kayky do Manchester City em 2025, depois de duas passagens por empréstimo. Pelo time de Salvador, o ponta somou 76 partidas, seis gols e 12 assistências. Ele também conquistou títulos estaduais e a Copa do Nordeste.
A trajetória do atacante ficou marcada por problemas físicos importantes. Em 2023, Kayky sofreu uma lesão grave no joelho esquerdo enquanto defendia o Bahia. O problema interrompeu uma sequência positiva e exigiu cirurgia. A nova lesão ocorreu no tornozelo direito e novamente exigirá um processo longo antes de qualquer retorno aos gramados.
Para o Inter, o principal resultado do acordo é financeiro. O clube evita pagar integralmente um atleta que não poderá ser utilizado durante parte significativa do contrato. A medida também reduz a necessidade de uma disputa jurídica ou de uma devolução unilateral, alternativas que poderiam criar desgaste entre as instituições.
A direção ainda precisará avaliar a reposição esportiva. Kayky ocupava uma das vagas destinadas aos jogadores de velocidade, mesmo sem participação frequente. A provável ausência durante o restante da temporada reduz ainda mais as alternativas de Pezzolano. O clube já analisa o mercado em busca de jogadores para diferentes funções ofensivas.
O caso também reforça uma preocupação existente no planejamento colorado. O Inter iniciou a temporada com vários atletas contratados por empréstimo e cláusulas futuras. Esses modelos diminuem o investimento inicial, mas podem gerar situações complexas diante de lesões, baixo rendimento ou mudanças de cenário. O congelamento representa uma solução pouco comum para limitar o prejuízo.
O departamento médico acompanhará a recuperação, enquanto Bahia e representantes do jogador cuidarão dos próximos passos. Não existe previsão segura para o retorno aos treinamentos. Por isso, qualquer decisão sobre reaproveitamento, retomada do empréstimo ou encerramento definitivo ficará para depois da liberação médica.









