
Depois da vitória de virada sobre o São Paulo, o técnico Luís Castro utilizou a entrevista coletiva para explicar duas mudanças importantes na hierarquia do Grêmio. Gabriel Mec, que já ocupou uma posição de maior destaque na equipe, permaneceu no banco de reservas. Wallace, por sua vez, marcou o gol de empate e consolidou a sequência iniciada nos confrontos diante do Mirassol.
As situações dos dois jovens parecem opostas, mas receberam explicações semelhantes do treinador. Castro afirmou que suas escolhas são determinadas pela produção nos treinamentos, pelas características exigidas pelo modelo de jogo e pelo rendimento coletivo apresentado em cada formação.
No caso de Gabriel Mec, o português deixou claro que a ausência não representa um problema de comportamento ou uma queda acentuada nos treinamentos. O meia-atacante perdeu terreno porque o Grêmio encontrou uma estrutura que, na avaliação da comissão técnica, oferece maior equilíbrio e melhores números.
Luís Castro explica por que Gabriel Mec perdeu espaço
Durante parte da temporada, Gabriel Mec foi utilizado como articulador central, atuando à frente de dois meio-campistas. O jovem também apareceu pelos lados do ataque e chegou a ser o jogador mais utilizado por Luís Castro saindo do banco de reservas.
O cenário mudou com a consolidação de um meio-campo formado por um volante e dois jogadores atuando mais à frente. Segundo Castro, essa organização passou a entregar resultados superiores em indicadores como posse de bola, criação de oportunidades e expectativa de gols.
“Com esses três jogadores no meio-campo, um volante e mais dois meias chegando à frente e abastecendo o ataque, a equipe tem números muito melhores do que quando jogava com dois volantes e um meia”, declarou o treinador.
Castro reconheceu que o Grêmio poderá voltar a jogar com um meia centralizado. Entretanto, classificou essa alternativa como uma escolha de maior risco e afirmou que não pretende desestabilizar a equipe enquanto a nova dinâmica ainda estiver sendo consolidada.
Pelos lados do campo, Gabriel Mec enfrenta a concorrência de jogadores como Pavón, Jovane Cabral, Amuzu e Enamorado. O treinador ressaltou que o jovem não está treinando mal, mas que os concorrentes se encontram um pouco à frente neste momento.
“Eu não posso escolher porque um jogador tem um nome maior do que o outro ou está mais em evidência. A minha avaliação considera os dados, a produção nos treinamentos e o desempenho”, explicou.
A declaração representa uma atualização importante no cenário do meia-atacante. Gabriel Mec continua como alternativa e não foi descartado do planejamento, mas deixou de ser uma escolha prioritária dentro da estrutura utilizada nas últimas partidas.
Luís Castro também ressaltou que o próprio Gabriel Mec já esteve à frente dos concorrentes em outro momento da temporada. Naquele período, porém, o Grêmio não conseguiu apresentar um rendimento estável, levando a comissão técnica a procurar uma formação mais consistente.
“Os jogadores existem para lutar pelos seus lugares. Eu estou aqui para analisar o desempenho de cada um e tomar as decisões. Em determinado momento, o Mec esteve à frente dos outros, mas a equipe não teve uma produção estável naquele período”, completou.
Wallace cresce, mas treinador rejeita rótulo de salvador
Enquanto Gabriel Mec tenta recuperar espaço, Wallace vive um período de ascensão. O zagueiro ganhou a posição durante a sequência contra o Mirassol, foi mantido diante do São Paulo e marcou o gol que iniciou a reação gremista na Arena.
Antes de entrar na equipe, porém, o defensor precisou passar por um processo de adaptação. Luís Castro revelou que Wallace chegou a ficar fora das listas de relacionados até a comissão técnica considerar que ele havia assimilado suficientemente os movimentos e as exigências do modelo.
“O Wallace, como vocês viram, durante algum tempo nem esteve na lista dos relacionados, até atingir o nível que considerávamos seguro para colocá-lo em campo”, afirmou.
Contratado durante a parada da temporada, o zagueiro já havia demonstrado emoção ao falar de sua estreia oficial pelo Grêmio. As atuações seguintes aumentaram a confiança da torcida, especialmente depois do gol marcado contra o São Paulo.
Apesar da evolução, Castro evitou transformar Wallace em titular absoluto ou solução definitiva para os problemas defensivos. O treinador destacou que o jogador está em bom nível, mas continuará disputando posição com os demais zagueiros do elenco.
“Ele não é nenhum salvador do Grêmio e não chegou para substituir todos os outros. É apenas mais um jogador do grupo, que se junta aos zagueiros que já temos”, declarou.
O treinador considerou que Wallace aproveitou as oportunidades, apresentou equilíbrio defensivo e ainda apareceu em um momento decisivo contra o São Paulo. Mesmo assim, explicou que a sequência do jogador dependerá das opções feitas para cada partida.
“Ele tem aproveitado a oportunidade de jogar, apresentado equilíbrio e apareceu em um momento decisivo, marcando o gol de empate no início do segundo tempo. Está em um bom nível, assim como os outros zagueiros. É uma questão de escolha”, acrescentou o técnico.









