
As vitórias consecutivas sobre Mirassol e São Paulo representam mais do que uma recuperação de resultados para o Grêmio. Na avaliação do zagueiro Gustavo Martins, o elenco tricolor voltou a apresentar características diretamente ligadas à identidade do clube, como entrega, raça e capacidade para resistir até os últimos minutos dos confrontos.
O defensor falou na zona mista da Arena depois da vitória de virada por 2×1 sobre o São Paulo. Gustavo reconheceu que o time ainda precisa evoluir, especialmente no sistema defensivo, mas considerou que as duas últimas partidas podem representar uma mudança importante no restante da temporada.
“Eu acredito que sim e quero que seja uma virada de chave. Quero que a gente tenha a identidade do Grêmio, com entrega e raça dentro do jogo. Essas duas partidas foram uma demonstração disso. Não desistimos e demos o máximo até o final”, declarou.
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A reação começou depois da dolorosa eliminação para o Bolívar na Sul-Americana. Gustavo revelou que o resultado dentro da Arena teve um peso elevado no vestiário, porque jogadores e comissão técnica não esperavam deixar a competição naquela circunstância.
Poucos dias depois, o Grêmio venceu o Mirassol e garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. Na sequência, superou o São Paulo pelo Brasileirão mesmo depois de sair atrás no placar.
“Essa eliminação foi muito pesada para nós, porque realmente não esperávamos. Jogar em casa por um clube do tamanho do Grêmio e ser eliminado é algo muito triste. Depois, fizemos o nosso papel contra o Mirassol e também hoje. Precisamos aproveitar esses momentos com a torcida”, afirmou.
Gustavo Martins elogia início de Wallace no Grêmio
A reação do time também coincidiu com a formação de uma nova dupla de zaga. Gustavo Martins passou a atuar ao lado de Wallace, contratado durante a temporada e utilizado pela primeira vez em uma partida oficial no confronto de ida contra o Mirassol.
Segundo Gustavo, o companheiro manteve uma postura discreta desde a chegada e esperou pela oportunidade sem demonstrar insatisfação. Quando foi chamado por Luís Castro, Wallace respondeu com atuações elogiadas e ganhou sequência na equipe.
“Desde que chegou, ele sempre trabalhou quieto, esperando a oportunidade. Quando ela apareceu contra o Mirassol, ele jogou muito bem. Já fez três partidas excepcionais e espero que continue assim, porque ajuda todo o time a jogar bem”, disse.
Wallace já havia demonstrado emoção depois da estreia com a camisa do Grêmio. Contra o São Paulo, o defensor marcou de cabeça o gol de empate no início do segundo tempo e participou diretamente da reação que terminou com a virada.
Gustavo manifestou o desejo de manter a parceria, mas destacou que o objetivo principal é aumentar a segurança de todo o sistema defensivo. O Grêmio ainda permitiu chances perigosas nos minutos finais, quando Weverton precisou realizar defesas importantes para evitar o empate paulista.
A sequência de jogos também teve influência no desempenho do time. O confronto contra o São Paulo ocorreu poucos dias depois da classificação na Copa do Brasil, e Gustavo relatou que vários jogadores atuaram no limite físico.
“Todo mundo viu como terminou o jogo de quarta-feira, com jogadores caídos no chão. Estávamos jogando no sacrifício, porque essa sequência foi muito pesada e teve partidas importantes. No final, mostramos o que é o clube: raça e entrega até o último momento”, ressaltou.
Estrutura com três meio-campistas não é apenas defensiva
A melhora defensiva também foi relacionada à mudança promovida por Luís Castro no meio-campo. O treinador passou a escalar três jogadores no setor, aumentando a proteção à frente dos zagueiros. Gustavo, porém, rejeitou a ideia de que a formação tenha uma proposta exclusivamente defensiva.
O principal exemplo apresentado pelo jogador foi Villasanti. Mesmo partindo de uma posição mais recuada, o paraguaio possui liberdade e capacidade física para aparecer próximo à área adversária.
“Muitas vezes, quando pensamos em três volantes, parece que é um sistema defensivo, mas não é necessariamente assim. O Villasanti tem um poder ofensivo muito grande. Foi uma estratégia encontrada pelo treinador, e acredito que estamos lidando bem com ela”, avaliou.
Com um intervalo maior até a próxima partida, Gustavo espera que Luís Castro consiga aprofundar os ajustes. A intenção é manter a competitividade apresentada nas últimas partidas sem permitir tantas oportunidades aos adversários.
Para o zagueiro, os resultados recentes ainda não resolvem todos os problemas apresentados durante a temporada. Eles mostram, porém, um caminho que o grupo pretende seguir: maior proteção defensiva, regularidade da nova dupla de zaga e recuperação de uma identidade que havia sido questionada após a eliminação continental.









