O torcedor do Inter ganhou um motivo bem particular para acompanhar a Conmebol Libertadores na próxima terça-feira. O Fluminense decidirá contra o Independiente Rivadavia uma vaga nas quartas de final, e uma eliminação dos argentinos pode interferir diretamente no cenário envolvendo Álex Arce, principal centroavante buscado pelo Colorado nesta janela.
A decisão ganhou um ingrediente novo nesta quinta-feira. O Fluminense demitiu Luis Zubeldía dois dias depois do empate em 0x0 com o Rivadavia no Maracanã. O auxiliar permanente Marcão assumiu os treinamentos de forma interina e comandará a equipe enquanto o clube procura um novo treinador.
A troca acontece apenas cinco dias antes da partida de volta, marcada para terça-feira, dia 18 de agosto, às 19h, no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza. Como ninguém abriu vantagem no Rio de Janeiro, quem vencer estará nas quartas. Outro empate leva a disputa para os pênaltis.
Para o Inter, o resultado interessa por uma razão que vai além da Conmebol Libertadores. O Zona Mista já havia mostrado que o encerramento da participação do Rivadavia poderia abrir um novo momento nas tratativas por Álex Arce. O clube argentino não pretende perder uma de suas principais peças enquanto segue vivo no torneio continental.
Por isso, na próxima terça-feira, os torcedores colorados terão um motivo circunstancial para torcer pelo Fluminense. Uma classificação carioca eliminaria o Rivadavia e retiraria imediatamente a Conmebol Libertadores do calendário argentino. Não significaria a venda automática de Arce, mas eliminaria um obstáculo esportivo importante antes da reta final da janela.
Rivadavia endureceu discurso por Álex Arce antes da decisão
Existe, porém, uma informação nova na Argentina que impede qualquer conclusão antecipada sobre a negociação.
Em entrevista ao Diario UNO, de Mendoza, publicada na véspera da viagem para o Brasil, o dirigente Agustín Vila adotou publicamente um discurso mais duro sobre o futuro de Álex Arce. O representante do Rivadavia afirmou que não existe intenção de liberar o centroavante e o classificou como uma peça fundamental para os próximos meses.
A declaração foi dada em 10 de agosto, portanto depois das informações recebidas anteriormente pelo Zona Mista sobre a possibilidade de uma abertura após o fim da participação na Conmebol Libertadores. O posicionamento público representa, no mínimo, um endurecimento da postura argentina durante a fase decisiva da competição.
Isso não significa necessariamente que uma negociação esteja definitivamente encerrada. Declarações públicas de dirigentes fazem parte de um processo de mercado, mas precisam ser consideradas pelo estágio atual da operação. Hoje, não existe acordo entre Inter e Rivadavia para a transferência.
O peso esportivo de Arce ajuda a explicar a resistência. A própria Conmebol registra o paraguaio com oito gols na atual Conmebol Libertadores, marca construída ainda na fase de grupos e que o colocou entre os grandes protagonistas da campanha histórica do clube de Mendoza.
Na terça-feira passada, Arce voltou a ser observado de perto pelo Inter durante o empate no Maracanã. Ele foi titular, utilizou a braçadeira de capitão e participou de algumas das melhores oportunidades argentinas. Em uma delas, puxou contra-ataque e cruzou para a área, obrigando Fábio a evitar um possível gol contra.
O desempenho do Rivadavia também serve de alerta para quem imagina uma classificação simples do Fluminense. Mesmo jogando fora de casa, os argentinos produziram chances claras, acertaram a trave e fizeram Fábio trabalhar. O 0x0 deixou a eliminatória totalmente aberta.
Demissão de Zubeldía é boa ou ruim para os planos do Inter?
Não existe uma resposta matemática. Do ponto de vista colorado, a mudança oferece uma nova variável a uma eliminatória que interessa diretamente ao mercado do clube.
Zubeldía deixou o Fluminense durante uma sequência de oito partidas sem vitória e depois de mais uma atuação bastante contestada. Uma mudança de treinador pode produzir alteração de escalação, comportamento e ambiente às vésperas da partida decisiva. Isso, porém, não permite afirmar que o time carioca ficará mais forte.
Existe também o efeito contrário. Uma troca de comando a cinco dias de um jogo eliminatório pode aumentar a instabilidade de uma equipe que já vinha apresentando problemas. Marcão terá inicialmente o duelo contra o Palmeiras, neste sábado, antes da viagem para Mendoza. Dependendo do andamento da busca por treinador, o Fluminense ainda pode chegar à decisão sob comando interino.
Independentemente de quem estiver à beira do campo, o que importa para o Inter é o resultado da terça-feira.
Caso o Fluminense avance, o Rivadavia perderá imediatamente a principal competição continental de seu calendário. A partir daí, qualquer resistência por Arce terá de ser sustentada por outros objetivos esportivos, pela avaliação financeira da direção argentina ou simplesmente pela decisão de manter o centroavante.
O Inter ainda teria tempo para tentar aproveitar uma eventual mudança de cenário. Se o Rivadavia for eliminado em 18 de agosto, restarão 24 dias até o encerramento da segunda janela brasileira, em 11 de setembro.
Essa margem ganhou ainda mais relevância depois que o Inter encerrou as tratativas com Cédric Bakambu e manteve a espera por Álex Arce. Niclas Eliasson está em outra frente do mercado, mas atua pelos lados e não elimina a procura por um centroavante.
O Colorado já encontrou resistência também na estrutura financeira do negócio. A proposta apresentada anteriormente foi de US$ 3 milhões, com metade à vista e o restante parcelado. O Rivadavia indicou aceitar esse valor somente com pagamento integral imediato. Para parcelar, a pedida subia para US$ 4 milhões.
A Conmebol Libertadores, portanto, não é o único problema da negociação. Existe diferença financeira e, agora, uma manifestação pública bastante forte da direção do Rivadavia em favor da permanência.
Mesmo assim, terça-feira se transformou em uma data especialmente importante para o mercado do Inter. Se o Fluminense eliminar o clube argentino, uma das barreiras que mantêm Álex Arce em Mendoza desaparecerá. Para os colorados que ainda esperam ver o paraguaio no Beira-Rio, será uma noite para torcer pelo Tricolor carioca — ao menos por 90 minutos.









