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Lembra dele? Ex-goleiro Diego relembra episódio da saída do Grêmio e ida para o Juventude

Arqueiro brilhou no Juventude no início dos anos 2000 e depois foi para o Athletico

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Ex-goleiro já aposentado dos gramados, Diego começou a fazer o seu nome no futebol com a camisa do Juventude, que encaixou várias belas campanhas pelo Brasileirão entre o final da década de 90 e início dos anos 2000. O que poucos devem lembrar é que ele começou na base do Grêmio, mas, sem chances no profissional, acabou sendo mandando embora perto dos 17 anos.

Ele, que posteriormente jogou em clubes como Athletico, Fluminense e Vitória, de Portugal, entre outros, relembrou detalhes da saída do Grêmio em um longo post no Instagram. E contou a ocasião em que, já desanimado com a bola, encontrou jovens se drogando em uma praça de Porto Alegre. Foi ali que a sua mentalidade mudou em definitivo.

“Eu tinha apenas 16, quase 17 anos, quando a minha vida virou do avesso. Fui chamado pelo diretor do Grêmio e, de maneira dura, quase cruel, ouvi dele as palavras que jamais esquecerei: ‘Você não tem a menor condição de se tornar um atleta de futebol profissional’. Naquele instante, eu quis chorar. Mas, mesmo com a voz embargada, respondi: ‘O senhor pode me mandar embora do Grêmio, mas não pode me dizer até onde eu posso sonhar. Esse poder é só meu. E um dia, vocês ainda vão ouvir falar de mim'”, iniciou Diego.

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“Saí de lá carregando uma mistura de dor e revolta, mas também uma chama que nunca mais se apagou. Eu estava perdido, mas algo dentro de mim dizia: ‘Não desista’. Corria por Porto Alegre, jogava vôlei de praia no Parque Marinha do Brasil, treinava em clubes pequenos, sempre acreditando que meu sonho ainda era possível. Meu irmão Pablo, sempre ao meu lado, foi a voz que me sustentou quando eu já não tinha forças”, acrescentou.

Diego ganhou o prêmio Bola de Prata da Revista Placar como o goleiro de mais destaque do Brasileirão de 2002. Naquele ano, o seu Juventude se classificou entre os oito melhores e perdeu para o próprio Grêmio nas quartas de final.

“Foi nesse período que vivi algo que mudou minha vida para sempre. Caminhando pelo Parque Marinha, vi um grupo de crianças, pequenas, franzinas, consumindo drogas. Movido pela ignorância juvenil, cheguei duro, perguntando por que faziam aquilo. Uma delas, com lágrimas nos olhos, respondeu: ‘Tio, a gente usa droga para esquecer que tem fome'”, ampliou, no seu texto.

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“Naquele momento, meu coração desabou. Abracei aquelas crianças e chorei com elas. E ali fiz uma promessa: um dia eu serei alguém, e quando esse dia chegar, vou fazer algo por crianças como vocês. O tempo passou. Lutei, insisti, me tornei profissional no Juventude. O Grêmio até tentou me contratar de volta, mas eu já tinha encontrado meu próprio caminho. E, mais do que isso, pude cumprir minha promessa, ajudando crianças em situações de rua, como aquelas que conheci naquele parque”.

“Hoje, quando olho para trás, tenho certeza de uma coisa: ninguém pode dizer até onde você pode sonhar. Só você. Porque o sonho é teu. E se você acreditar, se não desistir, ele se torna realidade”, concluiu.

Nascido em Itaqui-RS, Diego fez base no Grêmio entre 1992 e 1996 e não chegou a ser utilizado no profissional. O principal goleiro gremista desta época era Danrlei. O filho de Diego, Diego Callai, também é goleiro e integra o elenco do Sporting, de Portugal.

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