
O técnico Lisca voltou a chamar atenção ao falar sobre treinadores que marcaram a sua trajetória no futebol. Em participação no quadro “Quem não é o jogador profissional?”, do canal de Lucas Tylty, o ex-técnico do Inter foi questionado sobre nomes que serviram de inspiração na carreira. Entre eles, citou Guto Ferreira, também com passagem pelo Colorado.
A lembrança teve tom de reconhecimento e também de crítica. Lisca destacou que Guto é um profissional estudioso, com grande capacidade de entender o jogo, mas avaliou que o antigo colega não recebeu oportunidades do tamanho que poderia ter recebido. Para ele, o futebol brasileiro ainda trata treinadores com preconceitos e rótulos.
Os dois têm ligação antiga com o Inter. Guto passou pelas categorias de base coloradas, venceu a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1998 e depois trabalhou no profissional. Lisca também teve trajetória no clube gaúcho, primeiro na base e depois como treinador do time principal, em 2016.
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Na conversa, Lisca foi perguntado sobre treinadores que o ajudaram a evoluir. Primeiro, citou Antônio Lopes. Depois, lembrou de Guto Ferreira, com quem conviveu no início da carreira. O treinador fez questão de valorizar a forma como Guto estudava futebol.
“O Guto é um cara que a gente começou junto, no São Paulo, depois no Inter. Pensa num cara para estudar futebol”, disse Lisca.
A frase abriu caminho para uma defesa mais forte. Lisca não ficou apenas no elogio técnico. Ele também apontou que Guto poderia ter recebido chances maiores em clubes de mais investimento e mais visibilidade. O treinador citou o apelido “Gordiola” e criticou a forma como o futebol trata alguns profissionais.
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“O Guto só não teve um clube já top por muito preconceito, cara. Os negócios do gordo, Gordiola, não sei o quê. Futebol é muito preconceituoso, cara. Eu sou doido, ele é o Gordiola, é pouco, cara”, afirmou Lisca.
A declaração tem força porque parte de alguém que também conviveu com rótulos na carreira. Lisca ficou nacionalmente conhecido pelo apelido “Doido” e muitas vezes teve a imagem pública ligada ao estilo intenso na beira do campo. Ao falar de Guto, o treinador indicou que esses rótulos podem diminuir a leitura sobre o trabalho real de um profissional.
Guto Ferreira construiu carreira marcada por acessos, bons trabalhos e passagens por clubes importantes do futebol brasileiro. Além do Inter, comandou equipes como Bahia, Ceará, Sport, Chapecoense, Ponte Preta, Coritiba, Goiás, Remo e Vila Nova. No Colorado, teve participação importante na campanha de retorno à Série A em 2017, embora tenha deixado o clube antes das rodadas finais.
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Lisca também reforçou que aprendeu com Guto a olhar o jogo de forma mais profunda. O elogio foi além da relação pessoal entre os dois. Segundo ele, o antigo companheiro ajudou na sua formação como treinador, especialmente na capacidade de interpretar partidas e estudar comportamentos dentro de campo.
“A gente estudou muito o jogo. Ele me ensinou muito a compreender o jogo, a entender o jogo. Então esse cara também eu tiro o chapéu”, completou Lisca.
A fala recoloca Guto Ferreira em um debate que costuma acompanhar sua carreira. Mesmo com títulos, acessos e trabalhos consistentes, o treinador frequentemente é associado a rótulos como especialista em Série B ou nome de clubes de reconstrução. Lisca, por outro lado, defendeu que essa visão não traduz o tamanho do conhecimento do colega.
Para o torcedor do Inter, a entrevista também resgata uma ligação histórica entre os treinadores e o clube. Lisca e Guto fizeram parte de um período importante das categorias de base coloradas, antes de seguirem caminhos diferentes no futebol brasileiro. Anos depois, ambos voltaram ao Beira-Rio como treinadores do profissional em momentos de pressão.
A declaração de Lisca tem tom de homenagem, mas também de recado. Ao dizer que o futebol é preconceituoso, o ex-Inter critica a tendência de reduzir treinadores a apelidos, aparência ou estereótipos. No caso de Guto Ferreira, Lisca deixou claro que enxerga um profissional muito mais preparado do que parte do mercado reconheceu.
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