
Fabiano Baldasso fez uma das manifestações mais duras desde o início da temporada do Inter. Depois da derrota por 2×1 para o Cruzeiro, no Beira-Rio, o jornalista afirmou que o Colorado apresenta atualmente um nível de equipe da Série B e caminha para o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
O comentário foi publicado poucas horas depois da retomada oficial do calendário. O Inter permaneceu mais de 50 dias sem disputar uma partida oficial, realizou três jogos-treino durante a preparação e retornou ao Brasileirão cercado pela expectativa de apresentar uma equipe mais organizada.
Em campo, o time começou com três zagueiros, sofreu um gol de Kaio Jorge ainda no primeiro tempo e perdeu Victor Gabriel por expulsão na etapa final. Matheus Pereira ampliou para o Cruzeiro, enquanto Carbonero descontou nos minutos finais.
Baldasso afirma que o Inter está rebaixado
O jornalista colocou o risco de queda no centro de sua análise. Na avaliação dele, o elenco não apresenta sinais suficientes para produzir a reação necessária durante o segundo turno.
Baldasso afirmou que ainda esperava encontrar em Paulo Pezzolano uma solução estratégica para compensar as limitações técnicas do grupo. A formação utilizada contra o Cruzeiro, entretanto, abalou essa confiança.
“Nós vamos cair. O Inter vai cair. O Inter, neste momento, está rebaixado. O Inter é um time de Série B que está jogando a Série A, esperando apenas a confirmação de que efetivamente jogará a Série B no próximo ano. Se acontecer algo diferente disso, será um milagre.”
A manifestação representa a opinião de Baldasso sobre o momento do clube, e não uma definição matemática do campeonato. O Inter ainda possui todo o segundo turno pela frente, mas encerrou a primeira metade da competição com 21 pontos e pressionado pela proximidade da zona de rebaixamento.
Posição na tabela
O jornalista também comparou a equipe atual com aquela que chegou à pausa para a Copa do Mundo. Na leitura dele, o período de treinamentos não corrigiu os principais defeitos e ainda produziu uma piora no funcionamento coletivo.
“Eu tinha dúvidas e suspeitas, por todos os movimentos que aconteceram na parada, de que o Inter pudesse voltar pior. Não é mais suspeita. O Inter voltou pior. Aquele Inter que estava indo para a zona do rebaixamento, 52 dias depois, é pior.”
Formação de Pezzolano vira principal alvo
O sistema utilizado por Pezzolano foi um dos pontos mais criticados. O treinador começou com Félix Torres, Gabriel Mercado e Guillermo Maripán na defesa. Luiz Felipe e Bruno Gomes ocuparam os corredores, enquanto Bernabei apareceu em uma função mais centralizada durante diferentes momentos.
Baldasso classificou a estrutura como um “ornitorrinco tático” e afirmou que os jogadores demonstraram dificuldades para compreender as funções.
“O Pezzolano, depois de 52 dias de parada, apareceu com um ornitorrinco tático ininteligível. Colocou um time com três zagueiros, alas e tudo mal montado. Tiveram todo este tempo treinando uma coisa para chegar no jogo e fazer outra. O Inter teve jogadores batendo cabeça durante o jogo inteiro. Não sabiam o que fazer.”
A crítica ganhou força porque os três jogos-treino realizados durante a intertemporada não haviam apresentado publicamente aquela mesma formação como uma estrutura consolidada. O Inter venceu Coritiba, Cerro Largo e Caxias nos testes, mas não conseguiu transformar os resultados preparatórios em uma vitória no retorno ao Brasileirão.
Baldasso também questionou o posicionamento de Bernabei. O argentino costuma ser mais perigoso quando acelera pelo corredor esquerdo, mas apareceu por dentro em diferentes momentos contra o Cruzeiro.
Na visão do jornalista, o Inter deveria adotar uma proposta mais simples e adequada à situação da tabela: duas linhas próximas, proteção à entrada da área, intensidade na marcação e transições rápidas depois da recuperação da bola.
Direção e montagem do elenco também recebem críticas
A manifestação não ficou restrita ao treinador. Baldasso responsabilizou a gestão de Alessandro Barcellos pela formação do elenco e pela deterioração esportiva e financeira vivida pelo clube nos últimos anos.
O jornalista direcionou críticas aos jogadores contratados, ao departamento de futebol e ao trabalho conduzido por Fabinho Soldado. Também mostrou preocupação com o retorno imediato de Maripán, a expulsão de Victor Gabriel e o desempenho dos atletas ofensivos.
As avaliações individuais foram apresentadas em tom emocional e representam a interpretação do comentarista. Maripán, por exemplo, fazia apenas sua estreia oficial pelo Inter e ainda passa por um processo de adaptação ao futebol brasileiro e ao sistema de Pezzolano. Mesmo assim, Baldasso afirmou que nunca havia acompanhado uma equipe colorada tão limitada.
“Este é o pior time do Inter que eu vi em toda a minha vida. Tenho 52 anos e há 30 trabalho profissionalmente acompanhando o clube. Antes disso, eu era torcedor de arquibancada. O time que caiu em 2016 era dez vezes melhor do que este.”
Sequência do Inter aumenta a preocupação
A tabela oferece pouco tempo para recuperação. O Inter visitará o Athletico-PR no sábado, enfrentará o Flamengo no Beira-Rio na quarta-feira seguinte e depois viajará para jogar contra o Palmeiras.
Entre os compromissos do Brasileirão, o Colorado ainda disputará os dois jogos das oitavas de final da Copa do Brasil contra o Corinthians.
A sequência aumenta a importância de uma resposta imediata. O Inter precisa melhorar o aproveitamento ofensivo, reorganizar a defesa e encontrar uma formação capaz de ser repetida durante as próximas rodadas.
Baldasso encerrou o comentário pedindo uma mobilização maior dos colorados e reforçando sua previsão pessimista. Para ele, somente uma transformação profunda durante o segundo turno poderá impedir o retorno do Inter à Série B.













