
O cenário do Inter para a retomada do Brasileirão ganhou mais um ingrediente de preocupação fora de campo. Em vídeo publicado no canal Baldasso TV, no YouTube, o jornalista Fabiano Baldasso afirmou que o clube convive com atrasos de pagamentos e tratou o tema como parte de um contexto mais amplo de alerta para o segundo semestre.
A fala veio no mesmo dia em que o assunto voltou a circular nos bastidores colorados. Segundo publicação do JB Filho Repórter, o Inter teria dois meses de direitos de imagem em atraso com alguns jogadores, além de parcelas pendentes do acordo feito para quitar o 13º salário referente à temporada passada. Até o fechamento desta matéria o Inter não se manifestou.
No vídeo, Baldasso rejeitou a separação entre salário em carteira e direito de imagem na avaliação do impacto sobre o elenco. Para ele, quando há atraso nos valores de imagem, o problema atinge diretamente a relação financeira com os atletas, mesmo que a parte formal do salário seja apresentada de outra maneira.
“O Inter tem salários atrasados. Aí dizem: ‘não, Baldasso, é direito de imagem, não é salário’. Direito de imagem é salário. O clube acerta um valor com o jogador, paga uma parte na carteira de trabalho e outra parte em um contrato de direito de imagem, que tem imposto menor. Então, quando atrasa o direito de imagem, atrasou salário. O Inter está com salários atrasados”, afirmou Baldasso, durante a transmissão.
A manifestação aumenta a pressão sobre a gestão de Alessandro Barcellos em um momento delicado. Em maio, o vice-presidente Victor Grunberg havia garantido, em entrevista coletiva, que salários e direitos de imagem estavam em dia naquele momento. Na mesma ocasião, o dirigente reconheceu dificuldade de fluxo de caixa e afirmou que a direção tinha feito um acerto para pagar pendências carregadas da temporada anterior.
Bastidor financeiro aumenta pressão antes da volta do Brasileirão
O ponto levantado por Baldasso é considerado sensível porque o Inter já chega à retomada das competições com outras pendências esportivas. O time volta a jogar oficialmente no dia 22 de julho, às 21h30, contra o Cruzeiro, no Beira-Rio, pela 19ª rodada do Brasileirão. Antes disso, a comissão técnica usa a pausa da Copa do Mundo para realizar jogos-treino e ajustar o elenco.
A preocupação do jornalista não ficou restrita ao atraso em si. Baldasso relacionou o tema ao desempenho esportivo, ao ambiente interno, à necessidade de reforços e à dificuldade de atrair jogadores em meio a notícias financeiras negativas. Na visão dele, a soma dos fatores cria um cenário perigoso para um clube que precisa reagir no campeonato.
“Time ruim que não se reforçou, que tem gente com a cabeça em outro lugar e que tem salário atrasado. Eu só agrego coisas da cartilha do rebaixamento aqui”, disse.
A frase dialoga com uma cobrança que o próprio Baldasso já vinha fazendo durante as férias do calendário brasileiro. O alerta anterior sobre a “cartilha do rebaixamento” já tinha sido tema no Zona Mista, mas agora o componente financeiro acrescenta um novo elemento ao debate.
Nos últimos dias, a saída de Rafael Borré também passou a ser lida dentro desse contexto. O Inter oficializou neste sábado a transferência definitiva do colombiano ao River Plate, da Argentina. Pelo clube gaúcho, o atacante fez 105 partidas, marcou 28 gols e deu 9 assistências. O fim do ciclo de Borré no Inter trouxe alívio à folha salarial e abriu espaço para novas avaliações no ataque.
A operação, segundo o ge, pode representar impacto financeiro positivo na casa de US$ 4,5 milhões, entre valores da venda e questões definidas no acordo. Além da entrada de recursos, o Inter se livra de um dos maiores vencimentos do elenco. Borré tinha contrato até o fim de 2028 e vinha perdendo espaço, mesmo sendo o artilheiro colorado na temporada.
Baldasso citou justamente a urgência por recursos como parte do problema. O jornalista afirmou ter ouvido que o clube estaria ansioso para receber valores da negociação de Borré para pagar compromissos pendentes. A avaliação dele é dura: vender jogador para quitar folha do mês seria um sinal de fragilidade administrativa.
Do ponto de vista esportivo, o Inter tenta equilibrar duas necessidades ao mesmo tempo. A primeira é reduzir custos e abrir espaço financeiro. A segunda é reforçar um grupo que ainda é visto como insuficiente para a sequência do ano. O clube já trouxe o zagueiro Guillermo Maripán, encaminhou Calebe e ainda avalia movimentos para o sistema defensivo e o setor ofensivo.
O risco, para o torcedor, é que o debate financeiro contamine a confiança antes da volta do Brasileirão. Notícias de atraso costumam gerar ruído no vestiário, preocupam empresários e podem dificultar negociações. Mesmo quando há acordo entre clube e jogadores, a repetição de repactuações tende a deixar o ambiente mais frágil.
Por isso, a fala de Baldasso ganhou repercussão. O jornalista deixou claro que, apesar de prometer apoio ao time na volta ao Beira-Rio, não pretende ignorar os bastidores negativos. Para ele, a prioridade do Inter no segundo semestre precisa ser a permanência na Série A, antes de qualquer plano mais ambicioso.









