Paulo Pezzolano fez uma das autocríticas mais fortes desde que assumiu o Inter depois da derrota por 3×1 para o Grêmio e da eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil. Durante a coletiva na Arena, o uruguaio reconheceu que os resultados do seu trabalho não são bons e, pouco depois, afirmou que o torcedor colorado não tem obrigação de acreditar no treinador enquanto as vitórias não aparecerem.
A primeira manifestação ocorreu quando Jairo Winck, da Baldasso TV, citou um aproveitamento próximo de 30% e perguntou se Pezzolano estava satisfeito com aquilo que vinha realizando no clube. O técnico não tentou defender a campanha pela qualidade do trabalho cotidiano e admitiu que o resultado é o parâmetro que acaba determinando a avaliação externa.
“Satisfeito, não. Um treinador precisa de resultado. O trabalho pode ser maravilhoso, mas, se você não tem resultado, ele é ruim. É a realidade. Lamento ter esse percentual. Quando cheguei aqui, queria outra coisa. Sabíamos que seria difícil, falei isso desde o primeiro dia. O que eu não sabia era que seria tão difícil. A realidade é essa. Está sendo mais difícil do que imaginávamos. Mas a vida, às vezes, coloca provas na nossa frente e eu preciso superá-las. Preciso ir para ganhar no domingo, preciso que os jogadores deem a cara no domingo e comecem a ganhar. Isso seria maravilhoso para mudar tudo. Mas o resultado do trabalho não está sendo bom, não. Sinceramente, não. Depois, no dia a dia, posso dizer que damos a vida. Damos a vida. Isso é tudo o que podemos fazer: dar 100% do que fazemos. E, às vezes, está mal porque não há resultado, e é normal”, afirmou Pezzolano.
Pezzolano muda discurso sobre a confiança do torcedor do Inter
O tom ficou ainda mais forte quando o treinador foi questionado sobre o motivo pelo qual a torcida deveria continuar acreditando que ele é capaz de retirar algo diferente do elenco. Em julho, Pezzolano havia afirmado que o torcedor precisava acreditar em alguma coisa e sair do estádio com a percepção de que o caminho estava correto, mesmo quando o resultado não aparecesse.
Depois do Gre-Nal, a resposta foi diferente. Pressionado pela sequência sem vitórias e pela eliminação diante do maior rival, Pezzolano retirou das palavras qualquer poder de convencimento e colocou exclusivamente nos resultados a possibilidade de reconstruir sua relação com os colorados.
“Não, não tem que acreditar. Não tem que acreditar. Eu tenho que demonstrar, eu tenho que ganhar para que acreditem. O torcedor não tem que acreditar. É impossível acreditar em um treinador que não ganha. É normal. Eu tenho que demonstrar, tenho que ganhar o próximo jogo para que o torcedor comece a acreditar. Se você não ganha, o torcedor não acredita. As minhas palavras não servem para nada. É normal. Assim, é a única coisa que tenho que fazer. Desde o primeiro dia eu digo: não gosto de falar, gosto de fazer. Então, este é o momento de fazer e não falar”, declarou.
A oportunidade mencionada pelo treinador chegará rapidamente. Eliminado da Copa do Brasil, o Inter volta a campo no domingo para receber o Santos e passa a concentrar toda a temporada na luta dentro do Campeonato Brasileiro. Alessandro Barcellos confirmou que Pezzolano seguirá no comando para essa partida, transformando o confronto no primeiro teste depois da autocrítica mais dura feita pelo próprio técnico.










