
Vitor Severino revelou que não manteve contato direto com Luís Castro durante a derrota do Grêmio por 3×2 para o Bolívar. A informação foi apresentada sem tom de ruptura ou dificuldade de comunicação. Segundo o auxiliar, o plano havia sido construído previamente, compartilhado com toda a comissão e entregue a uma equipe técnica com autonomia para tomar decisões em La Paz.
Luís Castro permaneceu em Porto Alegre por recomendação médica. O treinador já passou por duas intervenções após episódios de pneumotórax, e a altitude de aproximadamente 3,6 mil metros foi considerada inadequada para a viagem. Vitor Severino, seu principal auxiliar, ficou responsável por comandar o time no estádio Hernando Siles.
A ausência física do treinador levantou uma dúvida depois da partida: Castro teria participado das decisões durante os 90 minutos? Severino respondeu que a comissão presente no estádio trabalhou com profissionais que acompanhavam o confronto de uma posição mais alta, mas não recebeu instruções do português durante o jogo.
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A ausência de contato não representou falta de planejamento. A estratégia havia sido discutida antes da viagem, com funções definidas para os jogadores e para cada integrante da comissão. Caberia aos profissionais presentes em La Paz interpretar as situações e fazer os ajustes necessários.
“Não, comunicação com o Luís Castro, não. Tivemos comunicação com os nossos colegas que estavam observando o jogo lá em cima. Eu trabalho com o Luís Castro há muitos anos. O plano é montado, estabelecido, partilhado com a equipe técnica e, a partir do momento em que viemos para cá, existe autonomia por parte da equipe técnica para tomar decisões”, explicou Vitor Severino.
A declaração mostra como a comissão distribui responsabilidades quando o treinador não pode permanecer no banco. Castro participa da preparação, define as bases do plano e compartilha as informações com os auxiliares. Durante a partida, porém, as decisões ficam com quem acompanha os jogadores no estádio e recebe os dados físicos e médicos em tempo real.
Severino acrescentou que Castro poderia procurar a comissão diante de uma situação extrema ou de algum problema relacionado aos princípios definidos para a equipe. Isso não aconteceu em La Paz. Para o auxiliar, a confiança construída ao longo de anos de trabalho torna desnecessária uma interferência constante durante os jogos.
O treinador português já havia sido substituído por Vitor Severino em outra partida do Brasileirão. Na ocasião, o auxiliar também precisou assumir o banco e conduzir as decisões durante os 90 minutos, experiência que reduziu o impacto da mudança ocorrida na Bolívia.
Autonomia apareceu nas substituições do Grêmio
A condução ficou visível principalmente na administração do desgaste provocado pela altitude. O Grêmio terminou o primeiro tempo com os jogadores relatando cansaço, mas sem pedidos imediatos de substituição. A comissão decidiu começar as trocas pelos atletas de lado, pois Tetê e Enamorado acumulavam funções ofensivas e defensivas.
Os dois precisavam atacar, retornar para formar a segunda linha de marcação e pressionar o adversário quando a bola chegasse aos corredores. A exigência física tornou as primeiras alterações necessárias mesmo antes de outros jogadores demonstrarem sinais mais evidentes de esgotamento.
Gabriel Mec, Monsalve e Gustavo Martins entraram na mesma janela, aos 13 e 14 minutos do segundo tempo. Depois, Nardoni substituiu Villasanti, que retornava de lesão e ainda não estava em sua melhor condição física. Matheus Nascimento entrou apenas nos acréscimos, no lugar de Braithwaite.
As decisões foram tomadas com base no andamento do jogo, nas respostas dos atletas e nos dados acompanhados pela comissão. Severino explicou que não havia um roteiro fechado para as substituições. A altitude poderia provocar uma queda repentina em qualquer jogador, inclusive naqueles que aparentavam suportar bem o esforço.
Por isso, a comissão evitou gastar todas as mudanças rapidamente. Uma substituição antecipada poderia deixar o time sem margem para reagir caso outro atleta apresentasse tontura, cãibra ou esgotamento. A gestão também considerou a necessidade de preservar jogadores que vinham de períodos sem atuar regularmente.
“Começamos a falar com os jogadores, perceber os dados que tínhamos no intervalo e trabalhar em equipe para tomar decisões. Não fomos na ansiedade de que estávamos perdendo e tínhamos que procurar logo o gol. Sabíamos que o jogo seria difícil e fomos esperando para ver o que o jogo nos dava”, afirmou.
A experiência de Vitor Severino como braço direito de Luís Castro não começou nesta partida. O auxiliar acompanha o treinador há anos e ganhou espaço dentro do projeto gremista. Em junho, ele recusou uma proposta para assumir o Marítimo e permaneceu trabalhando no clube gaúcho.
A coletiva também evitou a leitura de que Severino apenas reproduziu decisões determinadas antes da viagem. O plano oferecia referências, mas não retirava a responsabilidade de interpretar o confronto. As trocas, o reposicionamento dos pontas e a gestão física de Villasanti foram definidos pela comissão presente em La Paz.
O resultado não foi o desejado, e Severino deixou isso claro. Ainda assim, a explicação sobre o funcionamento interno reduz uma dúvida provocada pela ausência de Castro: o Grêmio não ficou sem comando. A equipe teve um plano previamente preparado, um auxiliar experiente à beira do campo e liberdade para responder às exigências da partida.
A derrota servirá agora como material para o trabalho conjunto. A comissão reunirá as observações feitas no estádio, os dados físicos e as imagens da partida. Castro terá essas informações para definir os ajustes dos próximos compromissos, enquanto Severino volta ao papel de principal auxiliar após exercer uma função de treinador em condições excepcionais.











