A passagem de Luiz Felipe Scolari pela área técnica do Grêmio diante do Botafogo pode ter marcado a última partida de Felipão como treinador profissional. Depois da derrota de 3×2 no Nilton Santos, o atual coordenador técnico foi perguntado diretamente, em coletiva de imprensa, se aquela havia sido a despedida definitiva da função.
Felipão não anunciou uma aposentadoria formal, mas admitiu que considera essa a possibilidade mais provável. Ao mesmo tempo, deixou uma pequena porta aberta caso o Grêmio volte a enfrentar uma situação excepcional e precise novamente da sua ajuda.
“Provavelmente sim. Provavelmente sim, mas, como eu estou em atividade, não sei se o Grêmio uma hora dessas vai precisar de uma situação diferente. Embora já estejamos trabalhando para que exista uma comissão permanente no Grêmio, para que não haja essa situação em que eu fui colocado, porque nós não tínhamos outro técnico à disposição e não tínhamos outro técnico lá que trabalhasse conosco”, respondeu Felipão.
Felipão explica por que aceitou voltar a comandar o Grêmio
A presença na casamata ocorreu em caráter emergencial. Após a saída de Luís Castro e antes de Renato Portaluppi assumir definitivamente os treinamentos, Felipão foi escolhido para conduzir o time no Rio de Janeiro.
A situação fez com que o experiente treinador voltasse oficialmente à função depois de 913 dias. Antes do duelo desta quarta-feira, sua última partida como técnico havia ocorrido em março de 2024, quando ainda comandava o Atlético-MG.
Na coletiva, Felipão explicou que aceitou a missão justamente pela relação que mantém com o clube e pelo entendimento de que, naquele momento, poderia ser útil durante a transição.
“Eu já tinha encerrado a carreira. Agora o Grêmio precisou de mim, o Grêmio colocou que eu deveria estar porque eu era a pessoa que estava vivenciando o ambiente do Grêmio e tudo bem. Eu, pelo Grêmio, tenho um carinho muito grande, sou grato ao Grêmio por tudo que ele me fez e, se eu tivesse que fazer de novo alguma situação envolvendo a minha carreira esportiva ou a minha vida, eu faria de novo, porque o Grêmio foi muito importante na minha vida, é muito importante e, não sei, tomara que seja útil”, declarou.
A própria estrutura do clube deve diminuir a possibilidade de uma nova situação semelhante. Felipão revelou que o Grêmio trabalha para formar uma comissão técnica permanente capaz de assumir o time em períodos de transição, evitando que o coordenador precise deixar novamente sua função original para comandar a equipe.
Com Renato agora responsável pelos treinamentos, Felipão retorna ao trabalho de coordenação. Os dois estiveram juntos na casamata contra o Botafogo e o experiente profissional já havia falado sobre a relação de amizade e a troca de ideias com o novo treinador.
Aos 77 anos, Felipão encerrou a passagem emergencial sem confirmar de forma definitiva que nunca mais será treinador. Mas a resposta dada no Rio de Janeiro indica que, se não surgir uma nova necessidade excepcional do Grêmio, o jogo contra o Botafogo poderá ficar registrado como sua despedida da área técnica.










