
O Inter construiu uma vantagem de 2×0 contra o Corinthians, mas o técnico Paulo Pezzolano não espera uma partida tranquila na definição das oitavas de final da Copa do Brasil. O treinador projeta um adversário mais agressivo, vertical e disposto a utilizar o centroavante Pedro Raul como referência dentro da área.
A vitória no Beira-Rio permite que o Colorado perca por até um gol de diferença na quinta-feira, às 20h, na Neo Química Arena. Caso o Corinthians devolva os dois gols, a vaga será decidida nos pênaltis. Um triunfo paulista por três ou mais elimina o Inter no tempo normal.
Pezzolano reconheceu que o resultado da ida oferece uma condição favorável, mas rejeitou qualquer sensação de classificação antecipada. O técnico acredita que o Corinthians aumentará o volume de cruzamentos e procurará acelerar as jogadas desde os primeiros minutos.
“É uma boa vantagem, mas nada está definido. A partida será parecida, porém eles serão mais verticais e colocarão mais bolas dentro da área. Precisamos manter a cabeça firme, estar muito conscientes do que vamos enfrentar e ser fortes mentalmente”, declarou.
O treinador também revelou qual seria o cenário ideal para diminuir a pressão em São Paulo. Em vez de apenas proteger o resultado, o Inter tentará explorar os espaços deixados pelo Corinthians para marcar um gol e aumentar ainda mais a diferença no confronto.
“Se pudermos matar o jogo, será o ideal. Encontrar um espaço e fazer um gol rapidamente seria muito importante. Sabemos, porém, que não será fácil encontrar esses espaços”, alertou Pezzolano.
Pedro Raul aumenta preocupação com as bolas aéreas
Uma das principais mudanças esperadas por Pezzolano está no comando do ataque corintiano. Pedro Raul começou no banco no Beira-Rio e entrou aos 27 minutos do segundo tempo, quando o time de Fernando Diniz já tentava aumentar a presença dentro da área colorada.
O centroavante oferece força física, altura e capacidade para disputar cruzamentos. O perfil é diferente daquele apresentado por Gui Negão no início do primeiro jogo e poderá exigir uma alteração na formação defensiva escolhida pelo Inter.
“É possível que Pedro Raul comece o próximo jogo. Sabemos que ele será uma referência muito forte dentro da área. Além das infiltrações por dentro, haverá um jogador alto para receber essas bolas. Teremos que realizar um trabalho defensivo muito bom”, analisou.
O treinador já havia mostrado preocupação com os problemas ofensivos enfrentados pelo Corinthians antes do primeiro jogo. Sem Yuri Alberto, o adversário precisou reorganizar o ataque, mas encontrou em Pedro Raul uma opção para tornar o jogo mais direto.
Pezzolano explicou que colocou três zagueiros no encerramento da partida porque percebeu o aumento das bolas levantadas. Juninho entrou no lugar de Vitinho, enquanto Bruno Gomes, Mercado, Maripán, Matheus Bahia e Bernabei passaram a formar uma estrutura mais protegida.
“Precisávamos de altura e de jogadores capazes de ganhar os duelos dentro da área. Por isso coloquei Juninho e terminamos com três zagueiros. Havia muitos cruzamentos, e ele voltou a fazer uma partida muito boa”, justificou.
Inter pretende repetir comportamento, mas não apenas se defender
Apesar da possibilidade de reforçar a defesa, o Inter não deverá viajar com a intenção de apenas ocupar o próprio campo. Pezzolano quer manter os comportamentos apresentados no Beira-Rio, incluindo a pressão em determinados momentos e a tentativa de acelerar quando recuperar a posse.
A atuação da ida confirmou características observadas desde o empate diante do Flamengo pelo Brasileirão. O Colorado reduziu os espaços entre os setores, aceitou períodos de posse adversária e procurou atacar de maneira rápida pelos lados.
“Fizemos a mesma coisa. Eles mudaram um pouco no segundo tempo, abriram mais o campo e deixaram de juntar tantos jogadores em um lado. Isso permitiu que tentássemos pressionar e encontrássemos outros espaços”, explicou.
A resposta apareceu com os gols de Matheus Bahia e Alan Patrick. O primeiro surgiu depois de uma sobra de escanteio, enquanto o segundo foi marcado em cobrança de pênalti após Bruno Gomes atacar a área e ser derrubado por Gustavo Henrique.
A programação próxima entre os jogos também foi aprovada por Pezzolano. O treinador considera positivo enfrentar o mesmo adversário poucos dias depois, pois as ideias, características e referências da primeira partida ainda estarão presentes durante a preparação.
O primeiro encontro já havia sido tratado como decisivo para o Inter, mas a vantagem não muda a postura pública do comandante. Pezzolano espera uma decisão sofrida e considera a concentração defensiva indispensável para evitar uma reação inicial do Corinthians.









