Paulo Pezzolano reconheceu que o Inter se torna mais competitivo quando atua com as linhas baixas e os setores próximos. Depois do empate por 1×1 com o Flamengo, no Beira-Rio, o treinador admitiu que o atual elenco apresenta melhor rendimento quando reduz os espaços e protege a defesa.
A estratégia funcionou durante boa parte da partida. O Inter permitiu poucas oportunidades ao vice-líder do Campeonato Brasileiro, abriu o placar com Vitinho e esteve próximo de conquistar a vitória. O empate rubro-negro aconteceu aos 33 minutos do segundo tempo, depois de uma perda de bola no meio-campo e de uma sequência de rebotes dentro da área.
Apesar do desempenho, Pezzolano explicou que não pretende transformar o bloco baixo em uma fórmula permanente. Segundo ele, alguns adversários podem empurrar o Inter para perto da própria área e explorar cruzamentos, o que obrigará a equipe a pressionar em uma faixa mais avançada do campo.
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“A realidade é que jogamos melhor em bloco baixo. Mas há times que começam a colocar a bola dentro da área a partir de três quartos do campo, e podemos ter problemas muito grandes. Não podemos fazer a mesma coisa contra todos os adversários”, afirmou Pezzolano.
Pezzolano defende adaptação conforme o adversário
Contra o Flamengo, o Inter montou uma linha defensiva de cinco jogadores e diminuiu os espaços entre a defesa e o meio-campo. Alan Patrick e Carbonero atuaram mais próximos no setor ofensivo, sem um centroavante fixo durante grande parte do confronto.
A organização permitiu que o Colorado fechasse os caminhos utilizados por Arrascaeta, Pedro e Samuel Lino. Quando recuperava a posse, o time procurava acelerar com Carbonero, Bernabei e Vitinho.
Pezzolano acredita que a formação pode ser repetida diante de equipes que apresentem características semelhantes às do Flamengo. O treinador, entretanto, afirmou que o Inter também precisará encontrar coragem para pressionar mais alto em determinadas partidas.
“Temos jogadores para, contra alguns rivais, sermos protagonistas. Precisamos fazer isso pela história do Inter e pelo que somos dentro da nossa casa. Eu quero jogar de outra maneira, mas preciso analisar cada adversário para não errar”, declarou.
O uruguaio reconheceu que possui preferência por uma equipe ofensiva, capaz de recuperar a bola perto da área rival. O momento esportivo do clube, contudo, exige uma atuação mais equilibrada e menos exposta.
Alan Patrick recebe elogios após retorno ao time
Alan Patrick voltou à equipe titular depois de iniciar partidas recentes no banco de reservas. O capitão participou da construção do gol de Vitinho e foi um dos responsáveis por organizar as transições ofensivas do Inter.
Pezzolano afirmou que mantém conversas frequentes com o camisa 10 e destacou sua postura dentro do vestiário. O treinador também explicou que pretendia substituí-lo alguns minutos antes da alteração, mas a bola demorou a sair de jogo.
“Temos um capitão que sabe muito bem o seu papel dentro do vestiário e no dia a dia. É um jogador de qualidade tremenda e vamos necessitar muito dele. Mesmo sem a minutagem ideal, fez um excelente jogo”, elogiou.
Alan Patrick deixou o campo aos 35 minutos do segundo tempo para a entrada de Calebe. Pouco antes, havia perdido a posse que deu início ao lance do empate flamenguista.
O erro, porém, não modificou a avaliação geral do treinador sobre a atuação do meia.
Thiago Maia pode retornar em até dez dias
Pezzolano também atualizou a situação de Thiago Maia. O volante está em processo de recuperação física e deve ficar disponível dentro de aproximadamente uma semana a dez dias.
O jogador é visto como uma alternativa para atuar na função desempenhada por Villagra e Bruno Henrique. Os dois começaram a partida e ajudaram o Inter a proteger a região central.
Villagra deixou o gramado após sentir uma pequena cãibra. Bruno Henrique também foi substituído durante o segundo tempo, quando o desgaste físico começou a comprometer a compactação do time.
Além de Thiago Maia, Pezzolano citou Paulinho, Bruno Gomes, Richard, Benjamin e João Victor como possíveis opções para o setor. Alguns deles, porém, possuem características diferentes ou ainda estão em recuperação.
O técnico assumiu a responsabilidade por ensinar e cobrar o posicionamento necessário dos jogadores utilizados na função.
Vitinho aparece como alternativa para o comando do ataque
O gol e a movimentação de Vitinho também ampliaram as possibilidades ofensivas do Inter. Pezzolano revelou que testou o jogador como referência durante a preparação realizada na pausa do calendário.
Segundo ele, Vitinho pode causar dificuldades contra defesas que atuam com a última linha adiantada. O atacante apresenta velocidade, ataca espaços e possui capacidade para disputar bolas em diagonal.
A mudança, contudo, interfere em outras posições. Quando Vitinho atua centralizado, o treinador precisa encontrar uma alternativa para o lado direito que também consiga chegar à área.
João Victor era uma das opções consideradas para cumprir essa função, mas sofreu uma lesão muscular e ainda não está disponível.
Pezzolano também defendeu Alerrandro, que começou no banco contra o Flamengo e entrou somente na parte final.
“Alerrandro vai fazer muitos gols pelo Inter. Está trabalhando muito bem. Hoje era outra característica por causa do adversário que enfrentávamos, nada mais”, explicou.
Inter busca equilíbrio entre necessidade e identidade
A declaração de Pezzolano expõe o principal desafio tático da equipe. O Inter precisa conquistar pontos para se afastar da zona de rebaixamento, mas também carrega a cobrança por apresentar um futebol ofensivo, especialmente no Beira-Rio.
O treinador admitiu que está revendo conceitos e procurando crescer profissionalmente diante das dificuldades encontradas na temporada. Para ele, os resultados negativos nem sempre representaram atuações completamente inferiores às dos adversários.
Pezzolano citou a derrota para o Bragantino como a única partida em que considerou que o Inter foi dominado. Na ocasião, assumiu integralmente a responsabilidade pelo desempenho e classificou a atuação como uma vergonha.
Contra o Flamengo, a resposta foi diferente. O Colorado mostrou organização, intensidade e condições para competir com um dos melhores elencos do país.
O próximo desafio será manter esse comportamento diante do Corinthians, pela Copa do Brasil. A partida deverá mostrar se a compactação exibida no Beira-Rio poderá se transformar em um padrão de segurança para o restante da temporada.









