O Inter tem mais de R$ 21 milhões a receber do Vasco e ganhou uma definição importante sobre o caminho para recuperar esse dinheiro. A Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) determinou as condições que o clube carioca deverá cumprir para pagar seus credores, colocando o Colorado entre os principais beneficiários do plano.
O valor exato reconhecido na relação é de R$ 21.059.345,20. A dívida atribuída ao Vasco com o Inter está relacionada às negociações envolvendo David e Zé Gabriel. O montante colorado corresponde a aproximadamente 19% dos mais de R$ 112 milhões em débitos incluídos no procedimento da CNRD.
A decisão não significa que os R$ 21 milhões serão depositados imediatamente na conta do Inter. O Vasco terá de destinar R$ 15 milhões por ano ao plano, além de 10% da receita bruta obtida com premiações em competições organizadas pela CBF e pela Conmebol. Os recursos serão distribuídos dentro das condições estabelecidas para o conjunto dos credores.
O primeiro movimento relevante já tem data. Em 25 de agosto, o Vasco deverá depositar R$ 10 milhões referentes aos valores acumulados entre janeiro e agosto de 2026. Antes disso, até o dia 20, o clube carioca terá de apresentar uma nova projeção de pagamentos nos autos.
Para o Inter, a definição surge em um momento no qual qualquer entrada de caixa ganha importância. O Zona Mista mostrou nesta quinta-feira que o clube estuda novos mecanismos para reorganizar suas dívidas e obter recursos, com alternativas financeiras sendo analisadas ao lado da Alvarez & Marsal.
Vasco terá de cumprir plano para evitar novas consequências
A CNRD estabeleceu que o Vasco terá de desembolsar o equivalente a R$ 1,25 milhão por mês dentro do plano anual. Do dinheiro destinado ao procedimento, 90% será direcionado aos credores e 10% servirá para o pagamento de honorários que também não foram quitados.
Outro mecanismo busca acelerar a regularização quando o clube obtiver receitas esportivas extraordinárias. Dez por cento do valor bruto das premiações recebidas em competições da CBF e da Conmebol deverá ser acrescentado ao pagamento das dívidas.
Os valores previstos pelo plano também não permanecerão congelados. A atualização será realizada anualmente, em outubro, considerando o IPCA acumulado nos 12 meses anteriores.
O descumprimento das determinações pode trazer consequência esportiva ao Vasco. A decisão prevê transfer ban em caso de não atendimento das condições estabelecidas, o que impediria o clube carioca de registrar novos jogadores.
Esse ponto não deve ser confundido com a situação do próprio Inter. O Colorado convive atualmente com preocupação sobre possíveis novas restrições relacionadas às suas próprias pendências, mas o plano da CNRD envolvendo o Vasco coloca o clube gaúcho na posição oposta: neste processo específico, é o Inter quem aparece como credor.
Por que o Vasco deve mais de R$ 21 milhões ao Inter?
Uma parcela importante da dívida nasceu da transferência de David. O atacante foi emprestado pelo Inter ao Vasco em 2024 com uma cláusula que estabelecia obrigação de compra caso atingisse determinada quantidade de partidas.
David alcançou a meta durante aquela temporada. O negócio previa pagamento de 2,8 milhões de euros para que o clube carioca adquirisse seus direitos em definitivo. Em julho de 2025, o Inter ainda cobrava 2 milhões de euros que considerava pendentes somente nessa operação.
O outro negócio incluído na cobrança envolve Zé Gabriel. Em 2022, Vasco e Inter fizeram uma operação que também levou Bruno Gomes para Porto Alegre. O clube carioca adquiriu 70% dos direitos econômicos de Zé Gabriel e ficou com possibilidade de comprar uma parcela adicional posteriormente.
Naquele acordo, o Inter recebeu 50% dos direitos de Bruno Gomes, enquanto o Vasco manteve a outra metade. A negociação foi realizada quando Zé Gabriel deixou definitivamente o Beira-Rio para seguir a carreira em São Januário.
O valor cobrado pelo Inter ao Vasco já havia aparecido publicamente antes do julgamento atual. Em março de 2025, Alessandro Barcellos afirmou que as pendências relacionadas às duas negociações alcançavam aproximadamente R$ 24 milhões. O número registrado agora no processo da CNRD é de R$ 21.059.345,20.
A diferença reforça a importância de utilizar o valor atualizado reconhecido no procedimento, e não simplesmente repetir estimativas anteriores.
Dinheiro pode ajudar, mas não resolve sozinho o problema financeiro
Os mais de R$ 21 milhões representam um ativo relevante para um clube que tenta reorganizar compromissos de curto e médio prazo. Isso não permite, porém, tratar todo o montante como dinheiro disponível para novas contratações ou pagamentos imediatos.
O calendário da CNRD prevê uma distribuição progressiva dos recursos. Além disso, o Vasco possui dezenas de outros credores incluídos no mesmo procedimento. O Inter terá direito aos pagamentos correspondentes ao seu crédito dentro da sistemática determinada pela Câmara.
Mesmo assim, o avanço é importante porque transforma uma cobrança que se arrastava há bastante tempo em um plano com valores, obrigações e datas definidas.
A decisão acontece justamente quando as finanças voltaram ao centro das atenções no Beira-Rio. O Zona Mista também detalhou como funciona o transfer ban e em quais situações uma dívida pode efetivamente impedir registros, diferença importante para compreender tanto as obrigações do Inter quanto processos em que o clube aparece como credor.
Agora, a primeira data a observar será 20 de agosto, quando o Vasco deverá apresentar sua nova projeção. Cinco dias depois está previsto o depósito de R$ 10 milhões correspondente ao período de janeiro a agosto.
Para o Inter, o cenário muda de uma cobrança sem solução imediata para uma dívida inserida em um cronograma formal. Os R$ 21.059.345,20 não chegarão todos de uma vez, mas representam um valor considerável que o clube gaúcho tem reconhecido a receber justamente em uma temporada marcada pela necessidade de recuperar receitas e reorganizar o caixa.









