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Inter coloca novas alternativas na mesa para enfrentar crise financeira

Clube abriu uma nova frente para reorganizar o caixa e trabalha com modelos diferentes dos já debatidos

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A nova fase do trabalho foi revelada pelo Correio do Povo apurado por Fabrício Falkowski. Segundo o jornal, a consultoria que realizou o diagnóstico financeiro do Colorado foi contratada diretamente pelo presidente Alessandro Barcellos para continuar atuando no clube. A missão agora deixa de estar concentrada apenas na elaboração de um plano estrutural e passa a incluir soluções capazes de aliviar o caixa diante dos compromissos que vencem nos próximos meses e anos.

A mudança representa um avanço em relação ao cenário conhecido em julho. Naquele momento, o Zona Mista mostrou que a direção havia decidido não pedir recuperação judicial e precisava encontrar outro caminho. O relatório da Alvarez & Marsal havia recomendado esse instrumento como a alternativa mais adequada para reorganizar o passivo, mas a administração colorada demonstrou resistência ao impacto institucional e comercial de uma medida desse porte.

Agora começam a aparecer alternativas mais específicas. Uma delas é a possibilidade de uma nova operação com debêntures ou estrutura semelhante. A diferença está em um detalhe importante: a intenção atual é construir o modelo sem utilizar o Beira-Rio como garantia, depois de uma operação anterior com essa característica ter sido rejeitada pelo Conselho Deliberativo.

Inter avalia FIDC ligado a receitas do clube

Outro caminho em análise é a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. Nesse tipo de estrutura, direitos a receitas futuras podem servir de base para uma operação capaz de antecipar recursos. No caso colorado, o estudo citado pelo Correio do Povo menciona receitas provenientes de associados e bilheteria entre as possibilidades.

O detalhe ganha relevância porque essas duas fontes fazem parte diretamente da operação recorrente do Inter. Em junho, o Zona Mista mostrou que o clube havia caído abaixo de 100 mil associados com as mensalidades em dia. Na ocasião, eram 95.952 adimplentes, contra 101.586 no mês anterior, enquanto a inadimplência também havia aumentado.

Desde então, o cenário piorou. Na atualização mais recente publicada pelo próprio Inter, referente a 30 de junho, o clube aparece com 89.687 sócios em dia e 40.753 inadimplentes, dentro de um quadro total de 130.440 associados. Em relação aos 95.952 adimplentes citados anteriormente pelo Zona Mista, houve uma nova queda de 6.265 sócios em dia em apenas um mês, enquanto a taxa de inadimplência subiu de 28,98% para 31,24%.

A eventual utilização dessas receitas em um FIDC não significa transferência da bilheteria ou das mensalidades neste momento. O fundo aparece entre as estruturas que estão sendo avaliadas pela consultoria e pela administração para buscar recursos e reorganizar vencimentos. A definição do modelo, suas condições e eventuais garantias ainda dependerá do avanço dos estudos e das decisões internas necessárias.

O movimento ocorre em meio a uma situação financeira que já produziu consequências concretas. No início de agosto, uma decisão judicial autorizou buscas por R$ 11,58 milhões em contas do Inter em uma das cobranças relacionadas a Delcir Sonda. Depois, porém, a desembargadora Deborah Coleto A. de Moraes acolheu parcialmente recurso do clube e determinou o desbloqueio das contas. Os demais atos da decisão foram mantidos, incluindo a restrição à transferência de veículos enquanto a disputa prossegue.

O relatório elaborado anteriormente pela Alvarez & Marsal apontou um passivo próximo de R$ 900 milhões ao final de 2025. Cerca de R$ 226 milhões já estavam vencidos no recorte apresentado, enquanto aproximadamente R$ 300 milhões teriam vencimentos ao longo de 2026 e outros R$ 285 milhões em 2027. Foi a partir desse diagnóstico que a consultoria passou a defender uma reorganização mais profunda das contas.

A primeira fase do trabalho também tratou de recuperação extrajudicial, Regime Centralizado de Execuções, mudanças de governança, capitalização e uma eventual transformação futura em SAF. A administração, porém, optou por procurar soluções diferentes da recuperação judicial e agora mantém a mesma consultoria envolvida na construção dessas alternativas.

Também houve uma mudança de comando nessa etapa. O trabalho anterior estava ligado a uma comissão de conselheiros e a um comitê técnico criado para discutir o futuro financeiro do Inter. Nesta nova fase, a condução está vinculada diretamente ao Conselho de Gestão, com prioridade para problemas mais imediatos de financiamento, vencimentos e geração de caixa.

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A definição sobre qual instrumento será utilizado ainda dependerá da evolução dos estudos. O fato novo é que a procura por uma alternativa à recuperação judicial deixou de ser apenas uma intenção da direção: a Alvarez & Marsal segue trabalhando com o clube e já analisa mecanismos concretos para obtenção de recursos e reorganização da dívida.

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