O Inter divulgou uma manifestação oficial nesta terça-feira para responder aos questionamentos surgidos a partir de um ofício do Conselho Fiscal sobre cartões corporativos e a situação financeira do clube. Na resposta, a direção apresentou percentuais dos gastos, negou falta de transparência e também contestou a interpretação dada inicialmente ao trecho que trata de recuperação judicial. O documento que originou a discussão foi encaminhado internamente em 20 de agosto e veio a público nesta terça por reportagem do Correio do Povo.
De acordo com o ofício obtido pelo jornal, três cartões corporativos movimentaram R$ 2,43 milhões entre 1º de janeiro e 31 de maio. Aproximadamente R$ 1,4 milhão aparece relacionado a hospedagem, outros R$ 539,9 mil a alimentação em Porto Alegre e R$ 194,2 mil a pagamento para a CBF. O Conselho Fiscal pediu documentação e esclarecimentos adicionais, mas registrou no próprio documento que a solicitação não representava, por si só, conclusão sobre eventual irregularidade nas despesas examinadas.
Inter apresenta divisão dos gastos e rebate questionamentos
Na nota oficial, o Inter informou que os três cartões são utilizados por diferentes áreas da instituição e que as faturas completas são encaminhadas mensalmente ao Conselho Fiscal. Segundo o clube, despesas relacionadas a hospedagem, alimentação e taxas de confederações e federações estão vinculadas principalmente ao futebol profissional masculino e representam 96,69% de todo o gasto efetuado com cartões.
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Outros 3,13%, conforme a versão apresentada pelo Colorado, estão ligados ao cartão sob responsabilidade da liderança executiva, utilizado para mídia, softwares e assinaturas que exigem pagamentos digitais. A direção afirmou ainda que os valores associados diretamente à Presidência representam 0,18% do montante acumulado até agosto, equivalente a R$ 6.692,10 ao longo do ano. O clube sustenta que essas despesas são regulamentadas e relacionadas a atividades de trabalho e representação.
A discussão também alcançou novamente o endividamento. O documento do Conselho Fiscal registra passivo total de R$ 1,627 bilhão em 31 de maio e calcula endividamento líquido de R$ 925,6 milhões depois de desconsiderar a rubrica de receitas a realizar. O órgão pede um plano estruturado para enfrentar o passivo de curto prazo e recomenda que a administração avalie formalmente a recuperação judicial como uma das alternativas possíveis, sem excluir outras medidas.
O Inter contestou a interpretação de que exista uma recomendação para que o clube efetivamente adote a recuperação judicial. A diferença está no estágio da discussão: o ofício recomenda uma avaliação formal da alternativa, enquanto a nota colorada rejeita a ideia de que o Conselho Fiscal tenha determinado ou defendido a adoção da medida. O próprio título da reportagem original foi posteriormente ajustado para mencionar a recomendação de estudo sobre recuperação judicial.
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O novo episódio adiciona pressão porque transforma uma discussão financeira que vinha ocorrendo nos bastidores em um confronto público de versões sobre transparência, despesas e interpretação do próprio documento fiscal. Na nota desta terça, o Inter também criticou o vazamento do ofício e afirmou esperar providências do Conselho Deliberativo para identificar responsabilidades. A eventual resposta formal da administração ao Conselho Fiscal e novos documentos sobre as contas passam a ser os próximos pontos relevantes de acompanhamento.









