
O posicionamento contraria uma das principais recomendações apresentadas no estudo contratado para analisar as contas coloradas e indicar um plano de reestruturação. O Conselho de Gestão comandado por Alessandro Barcellos acredita que existem outras alternativas para reorganizar as finanças sem utilizar o instrumento jurídico.
A avaliação dos dirigentes é de que um pedido de recuperação judicial poderia provocar desgaste institucional. O temor envolve a forma como credores, investidores, patrocinadores e empresas interessadas em negociar com o clube passariam a enxergar o Inter. A direção, porém, ainda não apresentou publicamente qual caminho pretende seguir para substituir a medida indicada pela consultoria.
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A preocupação com a imagem também aparece em um momento de dificuldade para recompor receitas. O clube já vinha enfrentando um longo período sem patrocinador máster na camisa, além da necessidade permanente de equilibrar gastos do futebol e compromissos acumulados em temporadas anteriores.
Relatório indica capitalização de R$ 200 milhões no Inter
A recuperação judicial não aparece no relatório como uma solução isolada. Segundo o Correio do Povo, a Alvarez & Marsal também recomenda uma ampla reforma estatutária, maior profissionalização administrativa e redução da influência política nas decisões relacionadas à gestão do clube.
O plano ainda prevê uma capitalização próxima de R$ 200 milhões. O objetivo seria reforçar imediatamente o caixa e criar condições para que a reorganização financeira avançasse. Assim, mesmo que a recuperação judicial fosse aceita, o Inter continuaria precisando encontrar recursos, cortar despesas e modificar sua estrutura administrativa.
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Reportagens anteriores sobre o documento apontaram que o endividamento colorado se aproximou de R$ 900 milhões no fim de 2025. Desse total, aproximadamente R$ 226 milhões já estariam vencidos, enquanto outros R$ 300 milhões teriam vencimento ao longo de 2026. Mais R$ 285 milhões venceriam em 2027.
A consultoria teria alertado que o fluxo de caixa projetado não seria suficiente para atender todos esses compromissos. O atraso nas decisões aumentaria o passivo com juros e multas, reduzindo progressivamente as opções disponíveis para recuperar as contas.
O cenário financeiro também vem afetando outras fontes importantes de arrecadação. Em junho, o Zona Mista mostrou que o Inter perdeu 5,6 mil associados em dia no intervalo de um mês, ficando abaixo da marca de 100 mil sócios adimplentes.
Conselho Deliberativo ainda discutirá o futuro do relatório
Mesmo com a posição contrária da atual direção, o debate sobre a recuperação judicial não está encerrado. O relatório da Alvarez & Marsal deverá ser apresentado ao Conselho Deliberativo até o fim de julho, em uma reunião específica para analisar as conclusões da consultoria.
Os conselheiros poderão discutir o diagnóstico e encaminhar recomendações à presidência. A decisão final sobre a adoção das medidas, porém, seguirá sob responsabilidade da administração comandada por Alessandro Barcellos.
A recuperação judicial já havia aparecido no debate político colorado antes mesmo da divulgação do estudo. Em junho, uma avaliação atribuída ao ex-presidente Fernando Carvalho foi reproduzida por Pedro Ernesto Denardin. Na ocasião, o assunto foi citado dentro de uma análise sobre a necessidade de união e reconstrução institucional do clube. O conteúdo foi publicado na matéria sobre a proposta de pacificação política e a sugestão de Abel Braga para a presidência.
Outro ponto do relatório revelado pelo Correio do Povo é a possibilidade de uma futura transformação em Sociedade Anônima do Futebol. A consultoria não indicaria uma conversão imediata. Primeiro, o Inter precisaria sanear as contas, fortalecer sua governança e recuperar capacidade de negociação para não entrar em uma operação enfraquecido.
A recusa à recuperação judicial, portanto, aumenta a necessidade de a direção apresentar uma alternativa concreta. Renegociação de dívidas, entrada de novos recursos, redução de despesas e recuperação das receitas comerciais tornam-se componentes ainda mais importantes para impedir o agravamento da crise.
O próximo passo ocorrerá no Conselho Deliberativo. Até lá, a posição da gestão Barcellos está definida: o clube pretende procurar outro caminho, mesmo diante de um relatório que aponta urgência e defende medidas profundas para evitar que a dívida continue crescendo.









