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Grêmio usa venda de Viery para defender Luís Castro e planeja novas saídas

Direção atribui crise ao elenco, mantém o treinador e aprofunda reformulação para 2027

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A direção do Grêmio mantém a confiança em Luís Castro mesmo depois da atuação ruim na derrota por 2×1 para o Mirassol, na retomada do Brasileirão. O diagnóstico interno é de que o treinador não representa o principal problema do time e de que parte do elenco precisa ser modificada para que o trabalho apresente uma evolução mais consistente.

O respaldo ao português não está baseado somente no contrato longo ou no custo que uma mudança provocaria. A direção entende que Castro corresponde ao perfil escolhido para um projeto que passa pela utilização de jovens, valorização dos ativos formados no clube e futuras vendas capazes de aliviar a situação financeira gremista.

Viery virou o principal exemplo utilizado internamente para defender essa avaliação. O zagueiro havia terminado 2025 com pouco espaço e sem uma perspectiva clara de afirmação no time principal. Com Luís Castro, ganhou oportunidades, tornou-se titular e foi posteriormente negociado com a Fiorentina em uma venda que pode alcançar 17 milhões de euros.

A transferência definitiva de Viery para a Fiorentina passou a ser tratada pela alta cúpula como uma demonstração de que o treinador consegue desenvolver atletas jovens e aumentar o valor de mercado do elenco. Essa característica possui peso especial em um momento no qual o clube precisa equilibrar competitividade e recuperação financeira.

Grêmio separa avaliação de Luís Castro e qualidade do elenco

A derrota para o Mirassol aumentou a pressão externa sobre Luís Castro porque ocorreu depois de 47 dias sem partidas oficiais. A expectativa era de que o período de treinamentos proporcionasse uma equipe mais organizada, intensa e preparada para a sequência da temporada.

O rendimento apresentado, especialmente no primeiro tempo, causou preocupação entre dirigentes e integrantes da comissão técnica. A resposta pública foi diferente da adotada em outros momentos do ano. Paulo Pelaipe concedeu entrevista, reconheceu a gravidade da atuação e deixou claro que o treinador permaneceria no cargo.

A direção também admitiu as limitações do grupo. Odorico Roman afirmou que algumas das peças disponíveis talvez não sejam suficientes para corrigir os problemas identificados e projetou a chegada de até cinco reforços durante a janela. O entendimento interno é de que trocar novamente o técnico não resolveria as deficiências do elenco.

O próprio posicionamento de Paulo Pelaipe após a derrota reforçou essa leitura. O executivo lembrou as sucessivas mudanças realizadas pelo Grêmio nos últimos anos e argumentou que uma nova demissão produziria outra despesa sem garantir uma transformação esportiva.

Outro aspecto valorizado é a postura adotada por Castro diante das dificuldades financeiras. A direção procurava um treinador que aceitasse trabalhar com jovens e não condicionasse a permanência à contratação imediata de jogadores caros. Até agora, o português tem mantido suas cobranças internamente sem transformar as coletivas em uma campanha pública por reforços.

A avaliação sobre o comandante, entretanto, não significa que seu trabalho esteja livre de cobrança. A atuação diante do Mirassol foi considerada muito abaixo do esperado. A comissão precisará mostrar respostas rápidas, melhorar o funcionamento coletivo e transformar o respaldo recebido em resultados dentro de campo.

Reformulação do Grêmio já registra 24 saídas

Desde que a atual gestão assumiu o clube, em dezembro, o Grêmio promoveu 24 saídas entre vendas, empréstimos, devoluções e rescisões. A intenção é continuar reduzindo a folha salarial e substituindo contratos considerados caros por jogadores com vencimentos compatíveis com a nova realidade financeira.

Willian e Dodi possuem vínculo somente até dezembro e, no cenário atual, não aparecem como prioridades para renovação. Os dois permanecem no elenco e poderão ser utilizados durante o segundo semestre, mas a tendência é de encerramento das passagens ao fim da temporada.

A situação de Amuzu também está distante de um acordo. O Grêmio chegou a iniciar contatos pela renovação, mas a exigência salarial e a ausência de unanimidade sobre o desempenho dificultaram o avanço. A contratação de Jovane Cabral, que exerce funções semelhantes pelos lados do campo, foi planejada também como uma possível reposição.

Essas possíveis despedidas já haviam sido sinalizadas durante uma reunião da direção sobre o futuro de jogadores do elenco. O fato novo é que a reformulação aparece agora diretamente relacionada ao diagnóstico que preserva Luís Castro e transfere parte importante da responsabilidade pelo desempenho para a montagem do grupo.

Carlos Vinícius e Pavón estão em situação diferente. Ambos também possuem contrato até o fim de 2026, mas são considerados prioridades nas conversas de renovação. Mesmo nesses casos, o Grêmio estabeleceu um limite financeiro e não pretende oferecer aumentos que comprometam a redução da folha.

O clube ainda está aberto a propostas por Wagner Leonardo e Monsalve. Gabriel Mec também pode deixar Porto Alegre, já que existe uma oferta aceita do Shakhtar Donetsk e a conclusão depende da resposta do jogador e de seus representantes.

Para preencher as lacunas, a direção já acertou quatro reforços durante a paralisação. Wallace e Matheus Nascimento foram anunciados, enquanto Diego Caito e Jovane Cabral tiveram as negociações encaminhadas. O planejamento ainda prevê a chegada de um zagueiro pelo lado esquerdo e de um meia com capacidade de articulação.

A venda de Viery, portanto, cumpre duas funções na estratégia gremista. Ela oferece recursos para ajudar na regularização de compromissos financeiros e sustenta a crença de que Luís Castro pode valorizar outros jovens. A direção aposta que uma reformulação mais profunda dará ao treinador condições melhores do que uma simples troca no comando.

O risco está no tempo necessário para que essa estratégia produza resultados. O Grêmio permanece pressionado no Brasileirão e não pode esperar até 2027 para apresentar uma reação. A manutenção de Castro exige que as mudanças planejadas no elenco tenham impacto ainda durante a atual temporada.

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