
Vitor Severino explicou que o Grêmio não foi a La Paz com a intenção de se fechar diante do Bolívar. Mesmo reconhecendo os efeitos da altitude e a força do adversário como mandante, o auxiliar montou uma estratégia para o time ter a bola, criar oportunidades e evitar uma postura exclusivamente defensiva. A proposta não impediu a derrota por 3×2, mas permitiu ao Tricolor buscar o empate duas vezes e manter a eliminatória aberta.
A escolha ficou evidente em um primeiro tempo de quatro gols, no qual o Grêmio respondeu às duas primeiras vantagens do Bolívar com Villasanti e Tetê. A equipe também levou perigo em outras chegadas, embora tenha permitido espaços e dependido de Weverton para evitar uma desvantagem maior. Depois da partida, Severino reconheceu os riscos do modelo, mas rejeitou a ideia de que o caminho mais seguro seria entregar a posse e apenas proteger a área.
A comissão avaliou que permanecer durante longos períodos sem a bola aumentaria o desgaste físico. O Grêmio sabia que perderia intensidade na reta final e seria pressionado pelo Bolívar. Para Severino, começar a partida com uma postura excessivamente baixa elevaria o risco de sofrer gols e dificultaria qualquer tentativa de reação.
+ Como fica a situação do Grêmio na Sul-Americana após a derrota para o Bolívar
“A nossa ideia não era ter um jogo mais aberto, mas ter um jogo que nos permitisse ter bola. O que nós queríamos combater era que os jogadores colocassem na cabeça essa ideia: ‘Temos que ficar sem bola, temos que nos defender para sofrer o mínimo’. É um tipo de atitude com a qual, sinceramente e honestamente, não concordo. Acho que tem uma probabilidade maior de dar mau resultado”, afirmou Vitor Severino.
A avaliação ajuda a explicar por que o Grêmio continuou tentando jogar mesmo depois de sofrer um gol com pouco mais de um minuto. Em vez de abandonar o planejamento, a equipe buscou avançar com passes mais rápidos e encontrou espaços para reagir. O empate de Villasanti surgiu após uma bola recuperada dentro da área, enquanto Tetê marcou em finalização de fora.
O auxiliar também revelou uma orientação específica para lidar com o comportamento da bola nos cerca de 3,6 mil metros de La Paz. A comissão pediu mais ações de primeiro toque e menos tentativas de domínio. A intenção era reduzir erros provocados pela velocidade da bola, atrair a marcação boliviana e explorar os espaços deixados nas costas.
+ Grêmio falha na defesa, perde para o Bolívar e decide vaga na Arena
A construção com três jogadores procurava oferecer opções para Tetê e Enamorado receberem em condições diferentes. Tetê tinha liberdade para se aproximar por dentro, enquanto Enamorado deveria atacar a profundidade. Os movimentos pretendiam impedir que o Grêmio ficasse preso no próprio campo e dependesse somente de lançamentos longos.
Plano do Grêmio para a Arena será diferente
Vitor Severino deixou claro que o Grêmio não repetirá automaticamente a mesma abordagem na partida de volta. A altitude, o comportamento do Bolívar como visitante e os jogadores disponíveis produzirão outro cenário. O time deverá preservar seus princípios, mas preparar movimentos específicos para atacar uma equipe que chegará a Porto Alegre com vantagem.
O auxiliar evitou antecipar escalação ou mudanças de peças. Antes de pensar novamente na Sul-Americana, a comissão acompanhará a recuperação física do grupo e a situação dos atletas que permaneceram no Rio Grande do Sul. Enquanto Severino comandava o time na Bolívia, Luís Castro trabalhou com jogadores em Porto Alegre.
A partida decisiva está marcada para quinta-feira (30), às 19h, na Arena. O Grêmio terá de reverter a desvantagem de um gol, mas Severino indicou que a necessidade de atacar não poderá se transformar em ansiedade. A equipe precisará encontrar um equilíbrio que não conseguiu manter durante toda a partida de ida.
O Grêmio criou oportunidades para deixar La Paz com um placar melhor. Pavon acertou o travessão, Enamorado desperdiçou uma finalização livre e Gabriel Mec tentou encobrir o goleiro Lampe. O próprio auxiliar, porém, admitiu que o Bolívar também produziu chances suficientes para ampliar a diferença.
“Saio daqui muito orgulhoso com a atitude e com o crescimento da equipe, não satisfeito com o resultado, obviamente. Houve coisas que foram acontecendo e eles ajustaram muito bem. Não conseguimos um resultado positivo, mas estamos apenas na primeira parte da eliminatória, que queremos muito ganhar, com uma abordagem diferente na Arena”, declarou.
A postura pública do auxiliar combinou cobrança e proteção ao elenco. Ele não tratou a derrota como um resultado aceitável, porém valorizou a capacidade de reação após um início ruim. O Grêmio levou três gols e concedeu chances claras, pontos que exigirão correção, mas também marcou duas vezes e permaneceu vivo no confronto.
Vitor Severino assumiu a equipe porque Luís Castro não recebeu autorização médica para viajar a La Paz. O treinador passou anteriormente por intervenções relacionadas a episódios de pneumotórax, e a altitude foi considerada inadequada diante desse histórico.
A principal mensagem deixada pela coletiva é que o Grêmio não pretende apostar apenas em volume ofensivo na Arena. A equipe precisará criar mais, mas também controlar as transições e proteger melhor os corredores. O desafio será conservar a coragem elogiada por Severino sem repetir os erros que permitiram ao Bolívar construir a vantagem.











