O Grêmio será representado pelo CEO Alex Leitão em uma reunião marcada para esta terça-feira (29), em Brasília, que discutirá a criação de uma linha especial de crédito para clubes brasileiros. A proposta em debate envolve até R$ 20 bilhões e tem como finalidade permitir a reorganização de dívidas das equipes.
O encontro terá representantes dos clubes e dos ministérios do Esporte, da Fazenda, do Planejamento e das Comunicações. A participação de Leitão coloca o Grêmio diretamente na nova etapa das conversas, que vinham sendo conduzidas principalmente por dirigentes de Inter e Corinthians.
A proposta ainda não representa dinheiro aprovado ou liberado ao Grêmio. Os clubes defendem a criação de um mecanismo de financiamento, possivelmente por meio do BNDES ou da Caixa Econômica Federal, com prazos maiores e custo financeiro inferior ao de dívidas contratadas no mercado.
Grêmio entra em discussão em momento de pressão financeira
A intenção dos clubes é utilizar eventual linha exclusivamente para reorganizar passivos, substituindo obrigações de prazo curto e juros elevados por pagamentos mais longos. A possibilidade já havia sido apresentada ao governo em agosto, quando dirigentes de 25 clubes das Séries A e B participaram de uma reunião no Ministério do Esporte.
Odorico Roman esteve entre os presidentes envolvidos naquela apresentação. Agora, a presença de Alex Leitão na reunião desta terça representa um avanço na participação gremista nas discussões, mas não significa que o financiamento tenha sido aceito pelo governo.
O assunto ganha peso diante da situação financeira enfrentada pelo Tricolor. O Grêmio já entrou no sistema de plano coletivo de dívidas e passou a precisar de autorização para novos registros, enquanto outras cobranças envolvendo negócios com clubes e empresários seguem sendo administradas pela direção.
Os números recentes também ajudam a dimensionar o cenário. No primeiro trimestre, o Grêmio registrou mais de R$ 95 milhões em custos ligados ao futebol profissional, dentro de um período encerrado com déficit expressivo.
A reunião desta terça deverá aprofundar as condições imaginadas pelos clubes. Entre os pontos ainda indefinidos estão a instituição financeira responsável, o montante efetivamente disponibilizado, regras para adesão e quais garantias seriam exigidas.
Também não existe, neste momento, confirmação de que o governo aceitará criar a linha nos moldes solicitados. Qualquer eventual liberação dependerá das próximas etapas de discussão e da construção do instrumento jurídico para o financiamento.









