
O Inter ganhou uma sinalização importante sobre o futuro de Paulo Pezzolano. Diego Forlán avançou nas conversas para assumir a seleção uruguaia sub-20 e comandar interinamente a equipe principal nos próximos amistosos da Data FIFA.
A movimentação reduz consideravelmente o risco de o Colorado perder o seu treinador durante a temporada. Pezzolano estava entre os nomes lembrados no Uruguai depois do encerramento do ciclo de Marcelo Bielsa, mas não recebeu uma proposta oficial da Associação Uruguaia de Futebol.
Forlán passou a ser a prioridade depois de a AUF não chegar a um acordo com Marcelo Broli. O treinador campeão mundial com a seleção sub-20 em 2023 apresentou um projeto para assumir a equipe principal, enquanto a entidade pretendia contratar alguém inicialmente voltado à categoria juvenil.
O presidente da AUF, Ignacio Alonso, confirmou neste domingo que Forlán já foi procurado e demonstrou entusiasmo com a possibilidade. As reuniões iniciais foram consideradas positivas, mas ainda faltam definições conceituais e econômicas para a assinatura do contrato.
Forlán poderá acumular duas funções no Uruguai
O planejamento da federação é entregar a seleção sub-20 para Forlán e aproveitar o mesmo profissional nos amistosos da equipe principal. A solução será temporária, enquanto a direção amadurece o perfil desejado para o próximo ciclo da Celeste.
A AUF não pretende anunciar imediatamente um treinador com contrato longo para a seleção principal. A entidade terá eleições no primeiro trimestre de 2027 e considera mais prudente deixar a decisão definitiva para depois de uma análise realizada ao longo dos próximos meses.
Uruguai ainda terá oito amistosos antes da eleição. Serão dois jogos em setembro, dois em outubro e dois em novembro de 2026, além de mais duas partidas previstas para março de 2027. Forlán deverá comandar a equipe nesses compromissos caso o acordo seja concluído.
Diego Pérez, conhecido como Ruso Pérez, é cotado para trabalhar como auxiliar. A AUF também pretende manter profissionais que já fazem parte da estrutura das seleções, incluindo os preparadores físicos Diego Estavillo e Santiago Ferro.
O presidente Ignacio Alonso explicou que a escolha recebeu o apoio do Comitê Executivo. O assunto também foi discutido com Jorge Giordano, diretor de seleções nacionais, que participou da avaliação do nome do antigo atacante.
“Já o chamamos e conversamos com ele. Estava entusiasmado. As reuniões foram boas”, declarou Alonso, em entrevista ao programa Polideportivo, do Canal 12.
Forlán ainda não pode ser tratado como o novo treinador da seleção uruguaia. A negociação está em andamento e precisa superar as últimas diferenças antes do anúncio. Porém, a confirmação pública do presidente da AUF mostra que o entendimento se encontra em uma etapa avançada.
O ex-atacante também já havia demonstrado interesse. Ao ser questionado sobre como reagiria a um convite para trabalhar na seleção, respondeu de forma imediata que aceitaria. A manifestação ganhou peso depois da decisão da entidade de colocá-lo como primeira opção.
Forlán é um dos maiores nomes da história recente da Celeste. Disputou 112 partidas e marcou 36 gols pela seleção, participou de três Copas do Mundo e foi eleito o melhor jogador do Mundial de 2010, na África do Sul. Também integrou o grupo campeão da Copa América de 2011.
O uruguaio ainda possui uma ligação direta com o futebol gaúcho. Entre 2012 e 2014, defendeu o Inter, pelo qual conquistou o Campeonato Gaúcho e deixou uma relação de carinho com parte da torcida colorada.
Escolha da AUF muda cenário de Pezzolano no Inter
O movimento da federação beneficia diretamente o Inter. Paulo Pezzolano nunca escondeu o desejo de dirigir o Uruguai e confirmou que seus contratos possuem uma condição que permite a saída caso receba um convite da seleção.
No início de julho, depois da eliminação uruguaia na Copa do Mundo, o treinador voltou a falar sobre o tema. Questionado pela imprensa do país, afirmou que a possibilidade “sempre está” e classificou o cargo como o sonho de qualquer treinador uruguaio.
O assunto já havia causado preocupação no Beira-Rio. Em dezembro, quando Pezzolano foi apresentado, o clube montou um projeto de continuidade, mas sabia que a cláusula relacionada à seleção uruguaia poderia interromper o planejamento.
A direção colorada adotou publicamente um discurso de tranquilidade. Em maio, o vice-presidente Victor Grunberg afirmou que não existia qualquer situação oficial e reforçou que a expectativa do Inter era contar com Pezzolano durante toda a temporada.
A chegada de Forlán ainda não representa uma garantia contratual de permanência. Entretanto, a escolha do ex-atacante para os amistosos da equipe principal esvazia a possibilidade de um chamado imediato para Pezzolano.
O técnico do Inter também não aparece como prioridade para o cargo definitivo neste momento. A AUF pretende utilizar os próximos seis meses para analisar candidatos, resultados e diferentes modelos antes de definir quem comandará o ciclo seguinte.
Nesse intervalo, Pezzolano seguirá concentrado no trabalho no Beira-Rio. O contrato com o Colorado é válido até dezembro de 2026, e não existe negociação para uma rescisão ou uma saída para outro projeto.
Antes da Copa do Mundo, o uruguaio já havia declarado que desejava ver Bielsa realizando uma grande campanha. Na mesma entrevista, Pezzolano admitiu o sonho de dirigir a seleção, mas reforçou o foco no Inter.
O contexto mudou depois da eliminação da Celeste e da saída de Bielsa. O risco que parecia crescer, no entanto, perde força com a escolha feita pela AUF. Forlán deverá assumir a função provisória, enquanto Pezzolano permanece como treinador colorado.
A situação ainda poderá ser reavaliada em 2027, quando a federação tiver uma nova direção e estiver pronta para contratar o comandante definitivo. Até lá, o Inter ganha tempo para desenvolver o trabalho e tentar melhorar o desempenho na segunda metade da temporada.
A permanência também é importante porque o clube passa por um período de reconstrução esportiva e financeira. Uma troca de comando durante o Brasileirão obrigaria a direção a procurar outro profissional e reiniciar um processo que já enfrenta dificuldades.
A tendência atual, portanto, é de continuidade. Forlán está próximo de voltar à seleção uruguaia em uma função diferente daquela exercida nos seus anos como jogador, enquanto Pezzolano permanece no Inter para cumprir a missão assumida no começo de 2026.









