
O ex-dirigente Nestor Hein, que foi por muitos anos advogado do Grêmio, fez um duro diagnóstico sobre os problemas enfrentados pelo clube nos últimos anos. Em comentário divulgado pelo perfil Guaíba Esportes, ele afirmou que o clube se transformou em uma “máquina de moer treinadores e jogadores” e colocou o comportamento interno do elenco no centro da discussão.
A manifestação ocorre em um momento de nova pressão sobre o trabalho de Luís Castro. Depois da derrota por 2×1 para o Mirassol, o Tricolor voltou a ser cobrado pelo desempenho apresentado. O resultado também aumentou o peso da sequência de confrontos com o Mirassol e dos próximos compromissos decisivos da temporada.
Nestor iniciou a análise recordando diferentes treinadores que passaram pelo clube. Na avaliação dele, a sequência de mudanças no comando não resolveu os problemas porque as dificuldades seriam mais profundas do que a simples escolha de um técnico.
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“Mas eu venho acompanhando o que acontece no Grêmio e posso falar que, desde o tempo em que eu estive no Grêmio, há cinco anos, o Grêmio é uma máquina de moer treinadores e moer jogadores. Ninguém serve para o Grêmio. Não serve o Renato, não serve o Roger, não serve Tiago Nunes, não serve o Felipão, não serve o Castro.”
Apesar da crítica ao ambiente gremista, Nestor não isentou Luís Castro de responsabilidade. Ele entende que o português ainda não conseguiu exercer a autoridade necessária para identificar quais atletas estão comprometidos com o trabalho e quais não responderam às exigências da comissão técnica.
A observação amplia as críticas recentes às escolhas de Luís Castro. Para Nestor, entretanto, o principal problema do treinador não seria desconhecimento técnico, mas a dificuldade para assumir o controle do grupo e tomar decisões mais firmes.
“Acho que o treinador do Grêmio tem um problema: ele não está conseguindo se impor e fazer a separação do joio e do trigo, de quem está com ele e de quem não está com ele. Isso é uma grande falha, porque ele não desaprendeu a jogar futebol, a treinar times. Ele pode não ser um cara extremamente vencedor, mas desaprender a treinar ele não desaprendeu.”
O ex-dirigente também recuperou o rebaixamento de 2021 para sustentar sua análise. Na interpretação apresentada por ele, parte do elenco daquela temporada teria contribuído diretamente para o desgaste de Tiago Nunes e Luiz Felipe Scolari. A acusação representa a leitura pessoal de Nestor sobre os acontecimentos daquele ano.
“Eu acompanhei — e isso que me preocupa — quando o Grêmio caiu na última vez. O Grêmio caiu por força e obra dos seus jogadores. Eu vou dizer de novo: caiu por obra e força dos seus jogadores para derrubar dois treinadores, o Tiago Nunes e o Luiz Felipe Scolari. Teve derrotas do Grêmio que só não vê quem não quer.”
Nestor Hein cobra atuação de Pelaipe e Felipão no Grêmio
Na parte mais contundente da manifestação, Nestor afirmou que o Grêmio convive há anos com uma cultura de pouca exigência. Segundo ele, treinos mais intensos e uma eventual redução nas folgas provocariam insatisfação entre jogadores, situação que precisaria ser enfrentada pela direção.
A declaração transforma a cobrança em algo maior do que uma discussão sobre escalação ou modelo de jogo. Para o ex-dirigente, existe um comportamento consolidado no cotidiano do futebol gremista e que resistiu às sucessivas mudanças de treinador.
“O Grêmio tem inoculado nele um germe de trabalhar pouco e de revolta se trabalha demais. Se tiver treinos mais puxados, se não tiver as folgas, é uma revolta geral. Isso já há muito tempo. Não é de agora, não é de agora. E essa doença é que tem que ser extirpada do Grêmio.”
Nestor citou diretamente Paulo Pelaipe e Luiz Felipe Scolari como dois profissionais capazes de auxiliar Luís Castro na tentativa de reorganizar o ambiente. O executivo e o coordenador possuem longa experiência no futebol e, na avaliação dele, precisam ser escutados e receber poder para interferir nas decisões.
A cobrança aparece justamente quando existe um debate sobre o espaço efetivo de Felipão nas decisões do Grêmio. Nestor defende que a experiência acumulada pela dupla não pode ficar restrita a funções sem influência direta sobre o vestiário e o planejamento.
“O Grêmio tem aí, auxiliando o treinador, dois sujeitos muito experientes, que devem ser ouvidos e ter comando sobre essa situação. Os dois com larga experiência: o Paulo Pelaipe e o Luiz Felipe. Porque não é possível o que nós estamos vendo.”
Ao concluir, Nestor voltou a citar a postura dos atletas em derrotas recentes. Ele afirmou ter observado jogadores caminhando em campo e pediu que o departamento de futebol faça um diagnóstico profundo antes de direcionar toda a responsabilidade novamente ao treinador.
“Chegam jogadores no Grêmio, saem um ano depois, querem uma fortuna para renovar e nem em forma entraram. Um ano para treinar. Nós vimos nessas derrotas do Grêmio, inclusive na Sul-Americana, jogadores caminhando em campo. Caminhando em campo. Não é possível. O Grêmio tem que diagnosticar essas coisas. Tem que separar o joio do trigo.”
A partida contra o Bolívar, pela Sul-Americana, na quinta-feira, dia 23, será o primeiro teste após a nova onda de críticas. Além da necessidade de recuperação esportiva, o Grêmio precisará demonstrar intensidade e comprometimento para impedir que a discussão sobre o comando de Luís Castro se transforme em uma crise envolvendo toda a estrutura do futebol.









