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Ernst relata discussão entre Bernabei e Matheus Cunha no vestiário do Inter

Jornalista ouviu relatos de tensão após a expulsão contra o Mirassol e detalhou a reação do grupo

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Uma discussão intensa entre Bernabei e Matheus Cunha teria marcado o ambiente do vestiário do Inter após a derrota por 2×0 para o Mirassol, na sexta-feira (16). Segundo informações de bastidores apresentadas pelo jornalista Alexandre Ernst neste sábado (17), o lateral-esquerdo fez cobranças fortes ao goleiro pela expulsão aos 14 minutos do primeiro tempo. A situação teria provocado gritaria, dedos apontados e a necessidade de intervenção de outras pessoas para conter os ânimos.

Ernst contou que, depois de retornar a Porto Alegre, conversou com pessoas próximas ao ambiente do elenco e que conhecem a rotina dos jogadores. Conforme esses relatos, a expulsão de Matheus Cunha provocou grande indignação porque interrompeu uma estratégia que havia sido trabalhada durante a semana e despertava confiança no grupo.

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O jornalista destacou especialmente a reação de Bernabei. Apesar de considerar que o argentino costuma demonstrar uma postura mais descontraída, Ernst afirmou que o lateral foi um dos jogadores que mais cobraram o goleiro. Ao abordar a possibilidade de a discussão ter chegado perto de um confronto físico, porém, deixou claro que se tratava de uma informação que circulava nos bastidores.

“O Bernabei parece um cara mais blasé, parece um cara mais maluco no campo, mais desligado e tal. Ele foi muito para cima do Matheus Cunha também, foi muito cobrado o Matheus Cunha pelo Bernabei, e há um zum-zum-zum de que chegou a dar até quase vias de fato, no sentido de muito dedo na cara, muita gritaria e, a partir dali, teve que rolar uma turma do deixa disso”, relatou Ernst.

Expulsão prejudicou planejamento e provocou indignação

A origem da tensão foi o lance ocorrido aos 14 minutos da primeira etapa. Matheus Cunha saiu da área para tentar impedir o avanço de Bruno Santos, atingiu o atacante e recebeu cartão vermelho direto do árbitro Bruno Arleu de Araújo.

Com a expulsão, Eduardo Baptista precisou colocar Kauan Jesus no gol e retirar Bernabei aos 17 minutos. O argentino havia iniciado a partida em uma função mais avançada pelo lado esquerdo, enquanto Matheus Bahia oferecia sustentação defensiva. Era uma das novidades da escalação preparada pelo Inter para enfrentar o Mirassol.

Ernst explicou que a frustração não se limitou ao resultado. O grupo estava otimista com o planejamento da partida e acreditava que poderia conquistar uma vitória importante na luta contra o rebaixamento.

O jornalista também mencionou a reação de Alerrandro, que teria retirado uma proteção utilizada na mão e a jogado no gramado depois da expulsão. Segundo o relato, o atacante inicialmente acreditou que seria o jogador sacrificado para a entrada do goleiro reserva. Eduardo Baptista acabou escolhendo Bernabei.

A frustração dos atletas, portanto, estaria relacionada tanto à perda de um jogador quanto à impossibilidade de executar a estratégia treinada durante os dias anteriores.

Ernst conta como Eduardo Baptista lidou com a situação

O jornalista também apresentou informações sobre a postura do treinador diante das cobranças dentro do grupo. Conforme o relato, Eduardo Baptista procurou conversar com os jogadores, mas preferiu permitir que os próprios companheiros tentassem resolver a tensão.

“O Eduardo Baptista procurou falar, ele falou, claro, mas procurou deixar os atletas se entenderem”, contou Ernst, acrescentando que o treinador observou o comportamento dos jogadores e também foi firme ao abordar determinados problemas apresentados na partida.

A postura descrita pelo jornalista se aproxima do discurso público de Eduardo, que assumiu sua responsabilidade e confirmou que as cobranças seriam feitas internamente depois do resultado.

Na coletiva de sexta-feira, o treinador afirmou que ainda não havia tido oportunidade de conversar especificamente com Matheus Cunha sobre a expulsão. Também explicou que não considera adequado responsabilizar publicamente um atleta por uma falha individual.

Ernst, por sua vez, relatou que Eduardo valorizou a disposição demonstrada pelo time mesmo com dez jogadores, especialmente durante a pressão do segundo tempo, quando Bruno Gomes acertou a trave e o Inter criou outras oportunidades para empatar.

Félix Torres também teria recebido tratamento diferente

Além da discussão envolvendo Bernabei e Matheus Cunha, Ernst descreveu um ambiente de insatisfação com Félix Torres. O zagueiro perdeu a bola no lance que originou o segundo gol do Mirassol e foi criticado pela maneira como tentou recompor a marcação.

Segundo o jornalista, diferentemente das cobranças verbais dirigidas ao goleiro, a reação a Félix Torres teria ocorrido principalmente pelo distanciamento dos companheiros.

“Os companheiros meio que deram um gelo nele, porque ele, além de perder a bola, não correu, não buscou pelo menos fazer um mínimo de problema para o jogador do Mirassol, para não ficar no mano a mano com o Mercado”, afirmou Ernst.

O jornalista acrescentou que o defensor teria sido alvo de um tratamento mais frio, com jogadores evitando conversar com ele. Em sua interpretação, a principal insatisfação estava na falta de reação imediata depois da perda de posse.

Ernst também ressaltou que, apesar dessas situações, recebeu informações de que o grupo continua comprometido com a tentativa de manter o Inter na Série A. A confiança estaria relacionada ao trabalho de Eduardo Baptista, embora a comissão técnica agora precise reorganizar o time para enfrentar o Botafogo.

Matheus Bahia apresentou discurso de união após o jogo

As informações de bastidores surgem depois de Matheus Bahia apresentar publicamente um discurso de proteção a Matheus Cunha.

Em entrevista concedida ainda no estádio, o lateral-esquerdo afirmou que o elenco não deveria “crucificar” o goleiro pela expulsão. Ele reconheceu a indignação pelo resultado, mas defendeu que os jogadores permanecessem unidos na luta contra o rebaixamento.

“Mas é um baita goleiro, a gente abraça ele da melhor forma. Não tem essa, todo mundo junto até o final do ano”, disse Matheus Bahia.

As declarações públicas e o relato de Ernst mostram duas dimensões diferentes do pós-jogo: a cobrança que teria ocorrido no ambiente reservado do grupo e o discurso de união apresentado aos torcedores.

Até o momento, a versão de que Bernabei e Matheus Cunha estiveram perto de chegar às vias de fato permanece como relato atribuído a Ernst, sem confirmação de agressão física. O Inter volta a jogar no sábado (24), contra o Botafogo, no Beira-Rio, tentando reagir depois de permanecer com 32 pontos no Z4.

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