Eduardo Baptista recusou a ideia de que esteja livre de responsabilidade pelos problemas do Inter e assumiu sua parcela após a derrota por 2×0 para o Mirassol. Questionado diretamente sobre Matheus Cunha e Félix Torres, protagonistas de erros importantes no confronto, o técnico deixou claro que não pretende expor jogadores publicamente, mas avisou que conversas, cobranças e decisões serão feitas internamente.
Matheus Cunha foi expulso aos 14 minutos do primeiro tempo depois de sair da área e atingir Bruno Santos, deixando o Inter com dez jogadores durante praticamente toda a partida. Félix Torres, acionado no intervalo, perdeu a bola no campo ofensivo no lance que terminou com o segundo gol do Mirassol, marcado por André Luís.
Diante da sugestão de que não poderia ser responsabilizado por jogadores que já estavam no elenco quando chegou, Eduardo discordou. O treinador lembrou que já assumiu o comando do grupo e, por isso, também passou a responder pelas decisões envolvendo os atletas.
“É o nosso grupo. Esse é o grupo que vai manter a gente na Série A. Se a gente vai oportunizar os meninos ou não, é esse o nosso grupo. E o meu papel aqui é trabalhar, dar confiança. Então, eu já sou responsável por tudo que está aqui. Não concordo, se me permitir discordar, que eu não tenho tanta culpa. Eu estou junto, eu sou responsável também”, afirmou.
Eduardo ainda não havia conversado com Matheus Cunha
A expulsão de Matheus Cunha recebeu atenção especial durante a entrevista. Eduardo revelou que ainda não havia conversado com o goleiro sobre a decisão tomada no lance com Bruno Santos e indicou que não pretendia fazer isso imediatamente depois do jogo.
“Do Matheus Cunha eu não tive oportunidade. Acho que agora não vai resolver nada qualquer tipo de conversa. É amadurecer o que foi feito. É a gente trabalhar e, durante a semana, poder conversar e tomar as melhores decisões”, explicou.
Matheus Cunha já vinha sendo alvo de questionamentos desde a chegada ao Inter. Em sua apresentação, o goleiro chegou a rebater críticas pelas falhas anteriores na carreira, e agora ficará fora contra o Botafogo por causa da suspensão decorrente do cartão vermelho.
Eduardo foi igualmente questionado sobre Félix Torres e sobre a possibilidade de retirar do time jogadores envolvidos em falhas recorrentes. Em vez de indicar antecipadamente alguma punição esportiva, manteve a postura de proteção pública ao elenco.
“Eu não tenho o costume de vir aqui e apontar arma para ninguém. Não é meu perfil, não é nem o meu caráter jogar o peso de um erro em cima disso. Eu trabalho, a gente trabalha bastante, tenta orientar bastante, e aí dentro do campo eles tomam as decisões. E cabe a mim, durante a semana, trabalhar e tomar as minhas decisões”, declarou.
“As cobranças vão ser internas”
O treinador, porém, deixou claro que a ausência de críticas públicas não significa que os erros serão ignorados. Eduardo indicou que a semana de preparação para enfrentar o Botafogo servirá também para avaliações do grupo.
“As conversas vão ser internas, as cobranças vão ser internas. Aqui eu tenho que dar moral a esse grupo pela dedicação, pela coragem que teve”, completou.
O discurso coloca sobre o próprio treinador a responsabilidade pelas escolhas que serão feitas a partir de agora. Com quatro jogadores suspensos para o próximo compromisso e outras situações físicas em avaliação, Eduardo terá de reorganizar a equipe e decidir quais atletas terão espaço em uma partida que ganhou ainda mais importância na luta pela permanência.









