Chico Garcia acredita que a forte coletiva de Renato Portaluppi depois do Gre-Nal não foi apenas um desabafo provocado pela situação do Grêmio. Para o jornalista, identificado com o Tricolor, o treinador adotou deliberadamente uma estratégia de risco para mexer com os jogadores na reta final do Brasileirão.
Ao analisar as críticas feitas por Renato à montagem do elenco, aos problemas de adaptação e às dificuldades encontradas desde que voltou ao clube, Chico definiu a postura como uma espécie de última cartada do treinador para provocar uma resposta interna.
“O Renato ali, ele também dá um all-in, aquela aposta alta, aquele último recurso de provocar o jogador. O Renato, cara, assim, se tem uma coisa que o Renato sabe fazer, é mexer com o vestiário. Porque, por mais que as pessoas devam estar achando que ele xingou o Amuzu, ou que ele falou mal do Amuzu, o Amuzu é titular dele”, afirmou Chico Garcia.
Chico diz que discurso não abalou as lideranças do Grêmio
O jornalista também trouxe informação de bastidor sobre a repercussão da entrevista dentro do elenco. Segundo ele, apesar do tom elevado e das críticas públicas, as principais lideranças não receberam negativamente a manifestação do treinador.
“O tom acima, a metralhadora ali e espinafrar contra a direção e falar do elenco como um todo chama atenção. Nesse momento também chama atenção, mas não refletiu negativamente dentro do elenco. Isso eu posso dizer para vocês. Especialmente entre as lideranças que sabem que o Renato precisa, inclusive, puxar alguns jogadores”, acrescentou.
Esse aspecto coincide com a apuração já publicada sobre o respaldo das lideranças a Renato. A novidade na leitura de Chico está principalmente na interpretação de que o treinador utilizou a coletiva como ferramenta para provocar o grupo.
Para o jornalista, Renato também tentou transferir parte da pressão para si ao aumentar deliberadamente a repercussão de suas próprias declarações. Chico entende que o técnico conhece suficientemente o impacto de suas entrevistas para saber a dimensão que suas palavras ganhariam.
“Mas também está muito claro para mim que ele queria isso. Ele queria gerar polêmica. Ele sabe que a situação está… e ele, de novo, tentou seu escudo, tentou trazer para si e falou: ‘Bom, eu já rasguei todo mundo aqui, agora vai todo mundo falar de mim’. Porque ele sabe. Ninguém vai me dizer que o Renato não sabe o que faz em entrevistas coletivas. Ele sabe onde ele quer chegar”, avaliou.
A análise termina com uma mudança importante no grau de expectativa do próprio Chico. Em julho, o jornalista defendeu publicamente a volta de Renato e projetava uma recuperação capaz de deixar o time por volta da nona ou décima colocação.
Agora, diante da situação na tabela, a projeção é completamente diferente. “Eu não tenho mais expectativas, minha confiança, ela está desse tamanho aqui (imagem da capa). Eu agora estou à espera do milagre”, afirmou. Na sequência, foi ainda mais enfático sobre o tamanho que uma permanência teria para Renato: “Se ele salvar o Grêmio, pode encomendar uma nova estátua. Porque é papo de milagre mesmo”.









