
Mais calmo depois da primeira reação à derrota no Barradão, Fabiano Baldasso voltou a falar sobre o Inter na manhã desta segunda-feira. O comentarista analisou o 2×0 sofrido para o Vitória e fez um alerta direto a Paulo Pezzolano. Para ele, o Colorado não deve cair no discurso de que apenas faltou sorte ou que a bola não entrou por detalhe. A derrota em Salvador interrompeu a invencibilidade de sete jogos do time, como já mostrou o Zona Mista.
O ponto central da análise foi a forma de jogar do Inter. Baldasso reconheceu que Pezzolano organiza bem a equipe, mas afirmou que o elenco não sustenta um modelo ofensivo com tanta posse e exposição. A crítica mira a tentativa de jogar com bloco alto, pressionando no campo adversário e assumindo riscos defensivos. Para ele, esse plano só funciona com jogadores de maior qualidade técnica.
O comentarista citou a reação de torcedores após um corte publicado no Instagram. Segundo ele, muitos colorados defenderam que o Inter jogou bem, criou volume e apenas não conseguiu transformar as chances em gols. Baldasso tratou esse raciocínio como perigoso, lembrando que o mesmo discurso apareceu no começo ruim do Brasileirão.
“Não entrem nessa de novo. Jogou tri bem, teve muito volume, mas deu azar, a bola não entrou. Não, isso é perigosíssimo. Esse era o discurso quando nós fomos para a lanterna do Campeonato Brasileiro. O discurso era exatamente isso: está produzindo, está organizadinho, a bola não entra”, afirmou Baldasso, na Baldasso TV.
Baldasso cobra mudança de postura no Inter
A derrota para o Vitória aumentou a discussão sobre a identidade do time. O Inter teve posse, finalizações e volume ofensivo, mas voltou a falhar na conclusão. Renê abriu o placar no primeiro tempo, e Diego Tarzia marcou o segundo gol nos acréscimos da partida.
Baldasso citou números do jogo para reforçar sua avaliação. Segundo ele, o Inter teve 57% de posse de bola e 20 finalizações, mas apenas quatro em direção ao gol. A leitura do comentarista é que a bola no pé do Colorado acaba virando um problema, porque o time cria volume sem transformar domínio em vantagem real.
“A bola faz mal ao time do Inter, porque o time do Inter não sabe jogar bola. A bola tem que estar com o adversário. A gente tem que estar atrás da linha dela, com duas linhas defensivas, uma grudadinha na outra”, disse Baldasso.
Na visão dele, Pezzolano precisa aceitar uma forma menos agradável, mas mais adequada ao elenco. Baldasso defendeu um Inter reativo, com linhas baixas, marcação compacta e saída rápida em velocidade. O comentarista ainda citou jogos contra Fluminense e Vasco como exemplos de partidas em que o time teve menos posse, mas conseguiu resultados importantes.
O recado foi direcionado diretamente ao treinador colorado. Baldasso afirmou que Pezzolano tem tendência a buscar um futebol ofensivo, mas precisa “engolir” essa vontade pelo contexto do Inter. Para ele, insistir em um modelo alegre, de posse e pressão alta pode recolocar o time em situação delicada na tabela.
“Não dá, meu professor. Te convence, não dá. Futebol alegre, para cima, com time ruim, não rola. É atrás da linha da bola, dando a bola para o adversário. Espera o adversário errar. Marca bem. Quando ele errar, tu sai em velocidade”, declarou Baldasso.
A fala chega em um momento de cobrança sobre o Inter. Depois da derrota no Barradão, Pezzolano também defendeu o desempenho e voltou a falar em falta de efetividade. Já Gabriel Mercado admitiu desconcentração no primeiro tempo e tentou entender a expulsão de Bernabei, em entrevista publicada pelo Zona Mista.
Agora, o Colorado terá novo teste fora de casa contra o Bragantino, no dia 31 de maio, às 11h. Será mais uma oportunidade para Pezzolano escolher entre manter a proposta ofensiva ou ajustar o plano.
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