A derrota por 3×0 para o Atlético-MG voltou a provocar uma manifestação forte de Alex Bagé sobre o trabalho de Luís Castro no Grêmio. Desta vez, porém, o comunicador direcionou boa parte da crítica não apenas ao treinador, mas à blindagem que entende existir dentro do clube e ao argumento recorrente de que o trabalho realizado diariamente no CT é considerado positivo.
Bagé ironizou justamente essa avaliação interna. Segundo ele, se os treinamentos são tão bons quanto dirigentes costumam afirmar quando questionados sobre a continuidade do português, o Grêmio deveria disputar seus jogos no próprio CT Luiz Carvalho. A provocação veio depois de uma atuação em que o Tricolor quase não ameaçou o Atlético-MG e terminou derrotado com naturalidade na Arena MRV.
“Vocês já viram o que a direção diz quando a gente pergunta como está o Castro no dia a dia? A resposta é sempre a mesma: ‘O trabalho do dia a dia é maravilhoso’. Eu já disse: o Grêmio tem que começar a mandar os jogos dentro do CT Presidente Luiz Carvalho, porque, se ele treina tão bem assim, nós temos que jogar ali. Não podemos jogar na Arena ou em qualquer outro lugar”, disparou Bagé.
A cobrança surge justamente depois de Luís Castro assumir a responsabilidade pela derrota e reconhecer que o Grêmio não conseguiu competir. O treinador também admitiu que a equipe teve dificuldades para chegar ao ataque de maneira consistente e não encontrou respostas para o domínio do Atlético-MG.
Bagé avaliou que o problema já ultrapassou as escolhas de uma única partida. Para ele, existe um nível de confiança interna em Castro que não corresponde ao futebol apresentado dentro de campo. O comunicador chegou a comparar o respaldo recebido pelo português no Grêmio com aquele dado pelo Palmeiras a Abel Ferreira.
Bagé compara blindagem de Castro à de Abel Ferreira
“Vocês já viram em algum clube do futebol brasileiro tamanha paciência? Ontem o Palmeiras perdeu para o Vasco e tinha repórter discutindo com o Abel Ferreira na coletiva. Aqui, se a gente colocar na proporção, a blindagem ao Castro é maior do que a blindagem que tem o Abel no Palmeiras, porque o Abel ganha tudo e o Castro não ganha nada. E ele é tão valorizado. A direção do Grêmio atualmente compra a bronca com a torcida em função do Castro”, afirmou.
Na avaliação de Bagé, a atuação em Belo Horizonte seria suficiente, em outros momentos da história do clube, para provocar uma discussão imediata sobre troca de treinador. O comunicador lembrou sua experiência como repórter e afirmou que, após uma derrota daquela maneira, a expectativa normalmente seria acompanhar uma possível mudança de comando.
“É muito sério o que a gente acaba de ver. Foram dois tempos em que o Grêmio foi feito de trouxa. O Atlético-MG resolveu dizer ao Grêmio: ‘Vocês vão jogar do jeito que a gente quer que vocês joguem’. Ou melhor: vocês não vão jogar. No segundo tempo, o Grêmio ainda nos enganou por alguns minutos, quando pareceu que poderia reagir, mas depois voltou a perder completamente o controle”, declarou.
Bagé também criticou a diferença de comportamento da equipe entre os primeiros minutos do segundo tempo e o restante da partida. Para ele, Luís Castro saiu de uma proposta excessivamente defensiva para uma estrutura aberta demais, sem encontrar equilíbrio entre os dois momentos.
A posição do jornalista sobre o treinador não é nova. Em julho, após o jogo contra o Bolívar pela Sul-Americana, Bagé já havia pedido a saída de Luís Castro e dito que não queria mais entrevistá-lo. O pronunciamento deste domingo, porém, acrescentou outra frente de cobrança: a maneira como a direção gremista continua defendendo o trabalho realizado diariamente.
Apesar da pressão externa, Paulo Pelaipe voltou a sustentar a continuidade de Castro depois do 3×0. O executivo afirmou que confia no trabalho e acredita que os resultados aparecerão até o fim da temporada. É justamente essa diferença entre a avaliação interna e o desempenho visto por Bagé que alimenta a nova crítica.
Para o comunicador, o Grêmio chegou a um ponto em que a direção passou a assumir também o desgaste provocado pela permanência do treinador. A ironia sobre mandar os jogos no CT resume a principal cobrança: o bom trabalho relatado nos bastidores ainda precisa aparecer quando a bola começa a rolar.









