Copa do Mundo

Ancelotti expõe plano para Neymar e evita privilégio ao astro do Santos na Copa

Treinador explicou condição física, papel no grupo e deixou titularidade em aberto

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Neymar está convocado para disputar a Copa do Mundo de 2026 pela Seleção Brasileira. Depois de semanas de debate sobre condição física, ritmo de jogo e influência no grupo, Carlo Ancelotti confirmou o atacante do Santos entre os 26 escolhidos. A decisão foi uma das mais aguardadas da lista de Ancelotti para a Copa, divulgada nesta segunda-feira. O treinador, porém, deixou claro que o camisa 10 não terá privilégio no Mundial.

A primeira explicação de Ancelotti passou pela parte física. O italiano admitiu que esse era o ponto central da avaliação feita pela comissão técnica. O talento de Neymar nunca esteve em discussão, mas a continuidade recente pelo Santos pesou para a escolha. O treinador também citou a experiência do atacante em competições grandes e o impacto positivo que ele pode gerar no ambiente interno.

“Fizemos a avaliação de todo o ano. Sempre falamos disso: para Neymar, era tema físico. Nos últimos jogos, ele jogou com continuidade. Pode ser que tenha a possibilidade de melhorar sua condição física nesse período, até o primeiro jogo da Copa. Pensamos que, além disso, a experiência neste tipo de competição e o carinho que tem o grupo podem criar também um ambiente melhor e ajudar a equipe a tirar o melhor”, disse Ancelotti.

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Mesmo com a convocação, Neymar não foi tratado como titular absoluto. Ancelotti afirmou que já tem uma ideia inicial de equipe, mas avisou que os treinos serão decisivos. A resposta veio após questionamento sobre o papel do atacante no time ideal da Seleção. O treinador evitou blindar o camisa 10 e colocou todos os jogadores no mesmo patamar competitivo.

A declaração também reduz o peso individual sobre Neymar. Ancelotti reforçou que a Seleção precisa funcionar como equipe, sem depender de uma estrela. Para ele, cada convocado deve entregar suas qualidades dentro de uma responsabilidade coletiva. A frase vai na direção de um Brasil mais competitivo, concentrado e menos preso a um único protagonista.

“Ele vai jogar se merecer jogar. Temos treino, e o gramado do treino vai decidir quem vai jogar. Tenho uma ideia do que pode ser a equipe titular neste momento, mas depois tenho que ver como a gente treina, como o jogador está preparado e se tem boa condição física e mental”, afirmou Ancelotti.

Ancelotti também foi perguntado sobre a posição de Neymar. Sem alongar demais a resposta, indicou que o atacante deve atuar mais centralizado. O treinador não detalhou se isso significa jogar como referência, falso 9 ou meia-atacante. Ainda assim, deixou uma pista importante sobre como pretende encaixar o camisa 10 no Mundial.

A resposta conversa com o desenho ofensivo da Seleção. Neymar aparece em uma lista com Vini Jr., Raphinha, Endrick, Gabriel Martinelli, Luiz Henrique, Igor Thiago, Matheus Cunha e Rayan. A presença de tantos atacantes amplia a disputa por espaço. Também aumenta a chance de Ancelotti adaptar o papel do santista conforme o adversário.

“O atacante é mais centralizado”, respondeu Ancelotti.

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A convocação também gerou debate por causa da ausência de João Pedro. O atacante fez temporada forte na Premier League, mas ficou fora da lista final. Ancelotti reconheceu o desempenho do jogador na Europa e afirmou que a decisão foi difícil. O treinador, porém, sustentou que as escolhas foram feitas com consciência e respeito.

Ao falar sobre Neymar, o italiano ainda rebateu a ideia de que busca jogadores com status especial. Ele afirmou que não quer estrelas, mas atletas disponíveis para ajudar. A frase atinge diretamente o principal debate sobre o camisa 10: se ele chega para ser protagonista intocável ou uma peça dentro do plano coletivo.

“Repito: Neymar tem o mesmo papel que os outros 25 jogadores. Acho importante não fixar toda a expectativa sobre um jogador. Temos uma responsabilidade comum como equipe, e cada um tem que colocar suas qualidades para ajudar a Seleção a ganhar a Copa do Mundo. Não peço outra coisa. Não quero estrelas. Quero jogadores disponíveis para ajudar a equipe a ganhar os jogos”, disse Ancelotti.

O treinador também foi questionado sobre as críticas à convocação. A presença de Neymar divide opiniões entre torcedores, ex-jogadores e comentaristas. Ancelotti admitiu que o futebol permite visões diferentes, mas lembrou que a decisão final cabe ao técnico. Para ele, ninguém poderá julgar a escolha antes do fim da Copa.

A fala deixou clara a confiança do treinador no próprio processo. Ancelotti disse que observou muitos jogadores durante o ano e chegou à lista com o máximo de informações possível. A convocação de Neymar, portanto, não foi tratada como pressão popular. Foi apresentada como decisão técnica, baseada em condição física, experiência e impacto coletivo.

“O futebol não é uma ciência exata. Cada um tem sua opinião, e não se pode dizer que esta opinião é errada ou correta. O bonito do futebol é que todo mundo pode opinar e pensar de maneira diferente. Mas, ao final, neste caso, sou eu que tenho que tomar a decisão”, disse Ancelotti.

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Na parte final da coletiva, Ancelotti voltou a ser perguntado sobre um possível Neymar reserva. O técnico rejeitou a ideia de que o atacante foi chamado apenas para aceitar banco. Para ele, o mais importante será a qualidade da participação do jogador. A quantidade de minutos ainda dependerá dos treinos, da condição física e do momento da equipe.

Com isso, Neymar chega à Copa em situação diferente das edições anteriores. O atacante segue sendo o nome mais midiático da Seleção, mas sem garantia pública de titularidade. Ancelotti tentou proteger o grupo de uma dependência exagerada. Ao mesmo tempo, confirmou que vê no camisa 10 um jogador capaz de decidir, mesmo em funções diferentes.

“Escolhemos Neymar não porque pensamos que vai ser uma boa reserva. Escolhemos Neymar porque pensamos que pode colocar suas qualidades para a equipe. Que jogue um minuto, cinco minutos, que não jogue ou que jogue 90 minutos. Não sei a quantidade de minutos. Qualidade de minutos, tomara”, afirmou Ancelotti.

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