Álex Arce fez tudo o que podia para manter o Independiente Rivadavia vivo na Conmebol Libertadores. Marcou de pênalti nos acréscimos, converteu novamente na disputa de penalidades, mas terminou eliminado pelo Fluminense nesta terça-feira, em Mendoza. Para o Inter, o resultado derruba justamente uma das barreiras que impediam uma nova tentativa pelo centroavante paraguaio.
Isso não significa, porém, que a negociação tenha sido automaticamente reaberta. Enquanto aguardava a definição da Conmebol Libertadores, o Colorado acelerou outra frente e encaminhou a contratação de Antonio Sanabria, da Cremonese. Com um novo camisa 9 próximo de chegar, a direção deixou de tratar a posição com a mesma urgência que existia durante as primeiras investidas por Arce.
O jogo terminou empatado em 1×1 no tempo normal. Mesmo atuando com um jogador a menos desde a expulsão de Canobbio, o Fluminense abriu o placar aos 30 minutos do segundo tempo com Serna. Quando a classificação brasileira parecia definida, um toque de mão dentro da área levou a arbitragem ao VAR e deu ao Rivadavia a última oportunidade.
Arce assumiu a cobrança aos 50 minutos e deslocou Fábio para empatar. Na disputa por pênaltis, o centroavante voltou a marcar, mas o goleiro do Fluminense defendeu duas cobranças argentinas. O time carioca venceu por 5×4 e avançou às quartas de final.
Álex Arce chega a nove gols na Conmebol Libertadores
O gol desta terça-feira levou Arce a nove na atual Conmebol Libertadores e encerrou uma campanha individual que ajuda a explicar a insistência do Inter durante a janela. O atacante já havia marcado oito vezes antes do segundo jogo das oitavas e se transformou em uma das principais referências ofensivas do Rivadavia.
A eliminação também tem uma consequência direta para a negociação. O Zona Mista mostrou anteriormente que o Inter havia recebido a informação de que o Rivadavia não abriria nova conversa antes da definição contra o Fluminense.
Na ocasião, Vagner Martins, o Vaguinha, informou que uma eliminação poderia fazer o presidente Daniel Vila aceitar novamente ouvir uma proposta colorada. Essa condição esportiva se concretizou nesta terça-feira. O que ainda não aconteceu foi a segunda parte: até o momento, não houve uma nova manifestação da direção argentina confirmando a reabertura das tratativas.
A cautela é necessária porque, antes da decisão, o discurso público do Rivadavia era justamente o contrário. Agustín Vila afirmou que não existia possibilidade de liberar Arce naquele momento e classificou o centroavante como peça fundamental para os objetivos esportivos do clube.
A Conmebol Libertadores era um dos argumentos para mantê-lo. Agora ela saiu do calendário, mas o Rivadavia continua disputando competições na Argentina e mantém contrato com o jogador. Por isso, a queda diante do Fluminense muda o ambiente da negociação sem significar liberação automática.
Sanabria faz Arce deixar de ser uma urgência do Inter
A principal mudança aconteceu também em Porto Alegre. Quando o Inter concentrava esforços em Arce, o clube precisava encontrar rapidamente um substituto para Rafael Borré e tinha Alerrandro como principal centroavante de origem no elenco. A espera pelo Rivadavia colocava o planejamento colorado nas mãos de uma definição que só ocorreria em 18 de agosto.
Para não correr esse risco, a direção buscou Sanabria. O acordo com a Cremonese avançou e o atacante de 30 anos é aguardado para realizar exames médicos antes de assinar com o Inter. A movimentação garante ao clube uma solução para a posição sem precisar aceitar imediatamente as condições impostas pelo Rivadavia.
Isso altera a resposta para a pergunta que acompanhou Arce durante as últimas semanas. O paraguaio ainda pode chegar, porque não existe informação de que o Inter tenha encerrado definitivamente o interesse. Mas também não é possível manter o mesmo cenário de quando ele era o principal alvo e o clube ainda não tinha outro centroavante encaminhado.
Uma atualização desta terça-feira aponta justamente que o Inter reduziu o ritmo na procura por mais um jogador da posição depois de acertar com Sanabria. Antes disso, Arce era tratado como principal alternativa. O novo negócio permite à direção esperar para saber se a eliminação fará o Rivadavia reduzir a resistência e melhorar as condições.
Diferença financeira continua existindo
O problema nunca foi apenas a Conmebol Libertadores. Em uma etapa anterior, o Inter apresentou uma proposta de US$ 3 milhões por Arce, oferecendo US$ 1,5 milhão à vista e tentando parcelar a outra metade. O formato não foi aceito pelos argentinos.
Depois, uma nova composição de aproximadamente US$ 3,5 milhões entrou em discussão, com entrada, parcelas e apresentação de garantias para assegurar os pagamentos seguintes. Portanto, mesmo sem a Conmebol Libertadores, uma eventual retomada continuará dependendo da construção financeira.
É aí que Sanabria pode trabalhar a favor do próprio Inter em uma eventual nova conversa. Sem a necessidade de fechar imediatamente com Arce, a direção pode definir um limite de investimento e esperar uma mudança de postura do Rivadavia. Caso as exigências permaneçam acima do que o clube pretende pagar, o Colorado já tem outro centroavante encaminhado.
A próxima movimentação, portanto, será mais importante do que a própria eliminação. Se Daniel Vila cumprir a sinalização atribuída anteriormente e aceitar novamente discutir uma venda, o Inter poderá avaliar se ainda existe negócio. Se a posição continuar sendo pela permanência ou os valores permanecerem elevados, a direção terá menos motivos para insistir depois da chegada de Sanabria.
Arce encerrou sua Conmebol Libertadores fazendo exatamente o que chamou a atenção do Inter: apareceu em um momento decisivo e marcou. O gol, porém, não evitou a eliminação. A barreira esportiva caiu. Agora resta saber se também cairão a resistência do Rivadavia e o preço necessário para fazer o Colorado voltar à mesa.









