O goleiro Weverton revelou uma experiência pessoal que marcou sua trajetória no futebol e explicou como aprendeu a separar as frustrações profissionais da convivência com a família. Depois de ajudar o Grêmio a conquistar a classificação para a final da Copa do Brasil, neste sábado (7), o jogador de 38 anos concedeu entrevista ao programa Troca de Passes, do SporTV, e contou que, em diversas ocasiões, precisou parar diante da porta de casa para recuperar o equilíbrio emocional antes de encontrar os filhos e a esposa.
O relato aconteceu após o empate em 1×1 com o Atlético-MG, na Arena MRV, em Belo Horizonte. Weverton foi um dos principais responsáveis pela classificação, realizando defesas importantes durante a pressão mineira. Apesar do momento de comemoração, o goleiro preferiu destacar uma conquista pessoal que considera ainda mais importante do que os resultados obtidos dentro de campo: a maturidade para compreender que o futebol não deve determinar a maneira como trata as pessoas próximas.
Ao comentar as cobranças enfrentadas pelos jogadores profissionais, Weverton explicou que a necessidade de apresentar bons resultados constantemente pode gerar dificuldades para lidar com derrotas e críticas. Na avaliação do goleiro, encontrar equilíbrio emocional passou a representar uma de suas maiores realizações.
“A maior vitória que eu tenho no futebol, pra mim, é isso, é achar esse equilíbrio pra jogar futebol. É muito difícil hoje, o jogador tem que ser muito forte mentalmente, ele tem que ser muito resiliente, é quarta e domingo que você tem que performar, entregar alta performance. E quando as pessoas te contratam, elas esperam que você entregue, que você dê resultado. E quando não dá, às vezes as pessoas não conseguem suportar a pressão e a cobrança”, declarou Weverton ao SporTV.
Weverton conta o que fazia antes de entrar em casa após derrotas
O momento mais pessoal da entrevista aconteceu quando o goleiro relembrou situações em que chegava em casa frustrado por um resultado negativo ou por não ter apresentado o desempenho esperado. Ele contou que precisava interromper aquele sentimento antes de entrar, lembrando que os filhos não tinham responsabilidade pelo que havia acontecido durante uma partida.
“Eu muitas vezes cheguei em casa, Ricardo, e parei na porta chateado e dizia: os meus filhos não têm nada a ver com a minha derrota. Eu tenho que agora respirar e ser o melhor pai possível. Porque se eu chegar em casa e não for um bom pai, os meus filhos, a minha filha vai olhar pra mim e vai dizer: eu não quero me casar, porque na minha família o meu pai só chega emburrado, só chega infeliz ou grita com a minha mãe ou não trata a minha mãe bem”, relatou.
A preocupação, segundo Weverton, não se limitava a esconder o aborrecimento. O jogador explicou que precisava assumir conscientemente suas responsabilidades familiares, independentemente do que havia ocorrido no estádio. Foi nesse contexto que falou sobre a importância de deixar as obrigações profissionais de lado quando retornava para casa.
“Eu muitas vezes entrei em casa chateado por uma derrota, por não ter jogado bem e tive que ficar ali pra respirar, pra dizer: agora eu tenho que ser o pai, agora eu tenho que tirar a minha roupa de goleiro, de jogador e ser um bom marido, ser um bom pai, ser um bom filho quando minha mãe era viva. Porque senão você não aguenta e principalmente as pessoas que estão à tua volta também não aguentam”, acrescentou.
“O futebol não define quem eu sou”, afirma goleiro do Grêmio
Weverton relacionou essa mudança de comportamento à experiência adquirida ao longo da carreira. O jogador afirmou que continua buscando alto rendimento, mas considera fundamental não permitir que uma vitória ou derrota altere sua identidade ou comprometa sua convivência familiar.
O goleiro também ressaltou que sente orgulho de conseguir manter a mesma postura independentemente dos resultados. Embora esteja feliz com a classificação do Grêmio, explicou que uma eventual eliminação não mudaria sua disposição de continuar trabalhando e cumprindo suas responsabilidades.
“Eu tô muito feliz por jogar mais uma final, mas eu te garanto que se eu não tivesse alcançado isso, daqui três dias eu ia voltar e ia continuar trabalhando de cabeça erguida e fazendo o meu melhor porque o futebol não define quem eu sou. Na vitória nem na derrota eu sou quem eu sou, eu sou o que Deus pensa ao meu respeito”, afirmou.
O discurso também ajuda a compreender a postura que Weverton procura adotar dentro do elenco gremista. Contratado em janeiro de 2026, depois de uma passagem vitoriosa pelo Palmeiras, o goleiro chegou com a responsabilidade de assumir a titularidade e transmitir experiência aos jogadores mais jovens.
Essa função já havia sido abordada pelo atleta em uma entrevista anterior sobre como orienta os companheiros do Grêmio diante da pressão do Z4. Na conversa deste sábado, entretanto, o jogador aprofundou o assunto ao revelar como desenvolveu essa postura também fora do ambiente profissional.
Weverton lembra lesão no Palmeiras e faz reflexão sobre chegada ao Grêmio
Outro trecho importante da entrevista envolveu a lesão sofrida em 2025, quando ainda defendia o Palmeiras. Weverton apresentou uma fissura em um osso da mão direita, diagnosticada em outubro, e acabou afastado do restante da temporada. O problema abriu espaço para Carlos Miguel assumir a titularidade da equipe paulista.
Ao recordar o episódio, o goleiro afirmou que a lesão pode ter influenciado os acontecimentos que culminaram em sua transferência para o Grêmio. Ele não apresentou a relação como uma certeza, mas como uma possibilidade ao analisar os diferentes caminhos que sua carreira poderia ter seguido.
“Já tô careca, já tô com barba branca, já tô com tudo, mas feliz porque no dia que eu deixar o futebol, eu vou deixar em paz que eu fiz tudo que eu poderia fazer, eu não negligenciei nada. Eu sempre fui… pô, nunca tive lesões graves, a não ser o ano passado que eu fraturei a mão, assim, que foi, que me tirou do restante da temporada e talvez possa até ter me ajudado a estar aqui hoje, né, porque talvez se eu não tivesse machucado, as coisas talvez poderiam ter sido diferentes”, refletiu.
A transferência foi oficializada pelo Grêmio em 15 de janeiro, com contrato até dezembro de 2028. Weverton deixou o Palmeiras depois de perder espaço na disputa pela titularidade e aceitou um novo projeto esportivo em Porto Alegre, onde voltou a ter uma sequência regular de partidas.
Neste sábado, a decisão de mudar de clube ganhou mais um capítulo importante. O goleiro foi decisivo diante do Atlético-MG, especialmente ao defender uma finalização de Renan Lodi no segundo tempo, quando o adversário tentava recuperar a vantagem. O empate garantiu ao Grêmio a classificação para sua décima final de Copa do Brasil.
Apesar da importância esportiva do resultado, Weverton encerrou sua reflexão destacando que pretende deixar o futebol com a consciência de ter aproveitado as oportunidades recebidas. Para ele, chegar a mais uma decisão representa um motivo de felicidade, mas não supera a tranquilidade conquistada na vida pessoal.









