
O Inter se manifestou oficialmente nesta terça-feira depois da utilização de um áudio falso do VAR durante o julgamento de Victor Gabriel no Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Em uma nota conjunta com o escritório responsável pela defesa, o clube reconheceu que houve uma falha na captação e na conferência do conteúdo apresentado aos auditores.
O arquivo havia sido retirado de uma publicação humorística que circulava nas redes sociais. A gravação simulava uma conversa entre o árbitro da partida e a cabine do VAR no lance em que Victor Gabriel atingiu Gabriel Pec, do Cruzeiro. O material, porém, não correspondia ao áudio oficial da arbitragem.
A situação foi descoberta ainda durante o julgamento. Depois da identificação do problema, a defesa pediu a retirada da gravação dos autos. Na nota divulgada posteriormente, o Inter e o escritório Cravo, Pastl e Balbuena Advogados Associados negaram qualquer intenção de agir com má-fé.
+ Grêmio e Inter colocam dupla Gre-Nal em recorde inédito da Copa do Brasil
Segundo a manifestação, o escritório utilizou o conteúdo enquanto buscava elementos para defender o zagueiro. O clube reconheceu que o arquivo não passou pela verificação necessária antes de ser apresentado em uma sessão formal do tribunal.
O julgamento também teve um momento de forte emoção durante o depoimento de Victor Gabriel. O zagueiro chorou ao pedir desculpas a Gabriel Pec, que sofreu uma fratura na tíbia e precisou passar por cirurgia depois da entrada ocorrida na partida entre Inter e Cruzeiro pelo Brasileirão.
“Como eu falei, foi um lance de total infelicidade. Nunca fui um cara violento ou entrei em campo querendo machucar um rival. Pedi desculpas a ele e me coloquei à disposição. Queria que ele me desculpasse, pois não tive intenção. O que eu poderia fazer era orar por ele. Perdão”, declarou.
+ Novo titular do Inter, Matheus Cunha avalia se falhou nos gols do Corinthians
Victor Gabriel afirmou que enfrenta dias difíceis desde o episódio e relatou noites sem dormir. Emocionado, o defensor disse que não imaginava viver uma situação desse tipo depois de deixar sua cidade em busca de momentos positivos na carreira.
“Desde aquela noite, têm sido dias difíceis para mim. Sempre me preparei para momentos de felicidade desde que saí de casa e não imaginei isso. Estão sendo noites em claro. Esta é a minha verdade e é o que eu tenho para falar. Peço desculpas de coração a todo o pessoal do Cruzeiro”, acrescentou.
Na sequência, o jogador apresentou sua versão sobre o lance. Segundo Victor Gabriel, ele acreditava que alcançaria a bola antes de Gabriel Pec, mas perdeu o controle do movimento por causa das condições do gramado.
“No lance, tive a interpretação de que chegaria antes na bola, como cheguei, mas o campo estava liso e molhado. Quando o pé pega na bola, acelera o movimento, e não tive tempo de recolher a perna. Aí aconteceu a entrada mais dura, mas sem nenhuma maldade”, completou.
Inter admite falha, mas nega tentativa de enganar o tribunal
O escritório presta serviços ao Inter há 19 anos e foi defendido pelo clube na nota oficial. A direção destacou o histórico da banca no direito esportivo, mas admitiu que o procedimento adotado no caso Victor Gabriel foi equivocado.
“O escritório acabou se utilizando, na busca da defesa do atleta, de um áudio que circulava nas redes sociais”, diz um trecho do comunicado.
O texto acrescenta que tanto o clube quanto os advogados “jamais tiveram a intenção de praticar qualquer ato motivado por má-fé”. A manifestação também registra que o erro foi reconhecido imediatamente, seguido de um pedido para que o áudio fosse excluído do processo.
A CBF confirmou posteriormente que a gravação não pertencia ao sistema oficial do VAR. De acordo com a informação divulgada pela imprensa, nenhum dos clubes envolvidos solicitou à entidade as imagens e os áudios originais da arbitragem antes do julgamento.
Esse ponto aumentou a repercussão do caso. A defesa apresentou como possível prova um arquivo encontrado nas redes sociais sem antes confirmar sua autenticidade junto à responsável pela operação do VAR no Campeonato Brasileiro.
O episódio não foi a única questão analisada durante a sessão. Victor Gabriel respondeu pela entrada que provocou uma fratura na tíbia esquerda de Gabriel Pec durante a derrota colorada por 2×1 para o Cruzeiro, no Beira-Rio.
O zagueiro foi enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, relacionado à prática de jogada violenta. O dispositivo prevê normalmente uma suspensão de uma a seis partidas.
A Procuradoria também pediu a aplicação do parágrafo que permite manter o infrator suspenso até que o atleta atingido volte aos treinamentos. Os auditores aceitaram essa interpretação por maioria.
Com isso, Victor Gabriel ficará afastado até que Gabriel Pec seja novamente liberado para treinar, respeitado o prazo máximo de 180 dias. A decisão foi tomada em primeira instância e ainda poderá ser contestada pelo Inter no Pleno do STJD.
O reconhecimento do erro envolvendo o áudio não modifica automaticamente a punição. A defesa poderá recorrer tanto do número de jogos quanto da extensão vinculada à recuperação do jogador do Cruzeiro. A estratégia jurídica deverá ser definida depois da publicação do acórdão.
O Zona Mista já havia mostrado que o Inter se atrapalhou ao apresentar um áudio falso no julgamento. Naquele momento, o clube ainda não havia divulgado uma explicação oficial sobre como o arquivo chegou à equipe jurídica.
A nota desta terça-feira representa a primeira manifestação institucional sobre o episódio. O Inter assumiu que houve falha, mas procurou afastar a interpretação de que o conteúdo teria sido apresentado de maneira consciente para induzir os auditores ao erro.
O comunicado também afirma que o escritório pretende aprimorar seus procedimentos para julgamentos futuros. A promessa indica que a conferência de documentos, vídeos e áudios deverá receber maior atenção antes de qualquer nova apresentação aos tribunais esportivos.
O caso provoca desgaste em um momento delicado para a direção colorada. O time atravessa uma sequência de quatro derrotas no Campeonato Brasileiro, está próximo da zona de rebaixamento e enfrenta o Flamengo nesta quarta-feira, no Beira-Rio.
Além dos problemas esportivos, o clube passou a lidar com críticas ao funcionamento de seu departamento jurídico. O uso de uma publicação de paródia em um julgamento formal foi tratado por comentaristas e torcedores como um episódio incompatível com a estrutura esperada de uma instituição do tamanho do Inter.
A direção optou por não atribuir responsabilidade individual publicamente. A nota não informa quem encontrou o áudio, quem decidiu utilizá-lo ou quais verificações foram feitas antes da sessão. O posicionamento concentra o reconhecimento da falha no escritório e no clube de maneira conjunta.
Victor Gabriel, por sua vez, havia se manifestado sobre a entrada em Gabriel Pec. O defensor pediu desculpas ao atacante, afirmou que não teve a intenção de machucá-lo e demonstrou emoção durante o julgamento.
O aspecto disciplinar seguirá sendo discutido nos tribunais. Já a utilização do áudio falso passa a ter um desfecho institucional inicial: o Inter admitiu o erro, negou má-fé, pediu a retirada do material e afirmou que pretende rever seus métodos de trabalho.
A repercussão continuará enquanto o clube não definir se apresentará recurso contra a punição. O próximo passo será a publicação da decisão completa pelo STJD e a manifestação da direção jurídica sobre as medidas que serão adotadas.
Inter solta nota sobre áudio fake utilizado
Durante a defesa, o advogado do Inter, Rogério Pastl, utilizou um áudio falso criado por uma página de paródia nas redes sociais simulando uma possível conversa do VAR no lance. O caso repercutiu negativamente para o clube, que soltou a seguinte nota oficial:
O escritório Cravo, Pastl e Balbuena Advogados Associados e o Sport Club Internacional vêm a público para prestar esclarecimentos sobre a documentação apresentada na defesa do atleta Victor Gabriel em processo perante o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Com 19 anos de serviços prestados ao Clube, ao longo dos quais sempre atendeu o Sport Club Internacional de forma idônea, correta e comprometida, o escritório acabou se utilizando, na busca da defesa do atleta, de um áudio que circulava nas redes sociais.
Tanto o escritório quanto o Inter ressaltam que jamais tiveram a intenção de praticar qualquer ato motivado por má-fé no âmbito do processo em questão. Houve, sim, uma falha reconhecida na captação e utilização do conteúdo apresentado na defesa do jogador, imediatamente assumida mediante pedido expresso de retirada do áudio dos autos.
O escritório, com extensa atuação no segmento de Direito Desportivo reconhece o equívoco, assim como pretende aprimorar ainda mais seus métodos para futuros julgamentos.
O Sport Club Internacional e o escritório Cravo, Pastl e Balbuena reafirmam seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às instituições que regem o futebol brasileiro.











