O ex-goleiro Victor, que defendeu Grêmio e Atlético-MG durante a carreira, considera difícil apontar um favorito para a decisão deste sábado (7), às 18h, na Arena MRV, pela volta da semifinal da Copa do Brasil. Mesmo com a vantagem de 2×0 construída pelo Tricolor em Porto Alegre, ele não descarta uma reação dos mineiros e acredita que as características históricas dos dois clubes podem transformar o confronto em uma partida imprevisível.
Em entrevista exclusiva ao 365Scores, publicada na sexta-feira (6), Victor destacou a eficiência gremista no primeiro jogo e associou o espírito competitivo do clube gaúcho à capacidade atleticana de protagonizar viradas. Para justificar a confiança na possibilidade de reação do Galo, lembrou de resultados recentes conquistados pela equipe de Belo Horizonte.
O ex-jogador tem uma ligação particular com a semifinal. Atuou pelo Grêmio entre 2008 e 2012, tornou-se ídolo do Atlético-MG e participou da final da Copa do Brasil de 2016, justamente contra o Tricolor. Dez anos depois, volta a acompanhar um confronto eliminatório entre os clubes, agora como comentarista esportivo.
Victor compara “imortalidade” do Grêmio com capacidade de virada do Atlético-MG
Ao analisar o primeiro encontro, Victor reconheceu que o Grêmio soube aproveitar as oportunidades e construir um resultado importante. Entretanto, recordou que o Atlético-MG já protagonizou reações expressivas nesta temporada, incluindo classificações sobre Santos e Cruzeiro.
“É difícil duvidar do Galo. Este ano mesmo já tivemos aquela grande virada contra o Santos. A própria eliminação do rival (Cruzeiro) na Copa do Brasil. Sempre se esperam essas grandes reviravoltas do Atlético. Obviamente que o Grêmio é um time muito competitivo, copeiro, que, no primeiro jogo, foi eficiente”, afirmou Victor ao 365Scores.
O ex-goleiro aprofundou a comparação ao relacionar duas características frequentemente associadas aos clubes: a tradição gremista em competições eliminatórias e a capacidade do Atlético-MG de reagir em confrontos aparentemente desfavoráveis.
“A tendência é de um grande jogo, porque, de um lado, você tem um time copeiro, que carrega essa imortalidade, e, do outro, um time que carrega essa capacidade de conseguir grandes remontadas. É um jogo imperdível e realmente é difícil fazer qualquer prognóstico pelas valências históricas de cada equipe”, completou.
As palavras de Victor não representam uma previsão de classificação atleticana. O ex-goleiro reconheceu a vantagem do Grêmio, mas argumentou que o retrospecto recente do adversário impede uma avaliação definitiva antes do segundo encontro.
Atlético-MG já reverteu desvantagem de 2×0 contra o Santos em 2026
O exemplo mencionado por Victor tem uma semelhança direta com a semifinal. Em setembro, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, o Atlético-MG chegou ao jogo de volta contra o Santos depois de perder por 2×0 na Vila Belmiro.
Na Arena MRV, os mineiros venceram por 4×2 no tempo regulamentar, igualaram o placar agregado em 4×4 e conquistaram a classificação por 3×1 na disputa de pênaltis. Gabriel Delfim foi o destaque da decisão ao defender três cobranças santistas.
Aquela reação ocorreu diante da mesma diferença de gols que o Atlético-MG precisa recuperar agora contra o Grêmio. O cenário da Copa do Brasil apresenta uma condição semelhante: se os mineiros vencerem por exatamente dois gols, a classificação também será decidida nos pênaltis.
A recuperação diante do Cruzeiro, igualmente lembrada por Victor, aconteceu em outra fase da Copa do Brasil de 2026. Depois de um empate por 1×1 no primeiro jogo, o Atlético-MG saiu perdendo na Arena MRV e venceu por 2×1, de virada, garantindo a classificação à semifinal.
Esses resultados ajudam a explicar por que o ex-goleiro não considera a disputa encerrada. O Grêmio, porém, chega à decisão sem precisar vencer: um empate ou até uma derrota por um gol de diferença será suficiente para garantir sua presença na final.
Victor participou de viradas históricas na Copa do Brasil de 2014
O respeito de Victor pela capacidade de reação atleticana também tem origem em sua própria carreira. Em 2014, ele era o goleiro titular do Atlético-MG na campanha do primeiro título do clube na Copa do Brasil, marcada por classificações impressionantes sobre Corinthians e Flamengo.
Contra o Corinthians, o Galo perdeu o primeiro encontro por 2×0 e ainda sofreu um gol na volta, em Belo Horizonte. Mesmo assim, conseguiu vencer por 4×1 e avançou às semifinais. Diante do Flamengo, a história se repetiu: derrota por 2×0 no Maracanã e vitória por 4×1 no Mineirão, garantindo uma vaga na decisão contra o Cruzeiro.
O Atlético-MG conquistou o título ao vencer as duas partidas da final diante do rival mineiro. Victor voltou a integrar uma campanha campeã da Copa do Brasil em 2021, dessa vez como gerente de futebol, depois de encerrar a carreira de jogador.
A relação do ex-goleiro com o Grêmio também foi importante. Contratado em 2008, ele disputou 263 partidas pelo Tricolor, conquistou o Campeonato Gaúcho de 2010 e chegou à Seleção Brasileira durante sua passagem pelo Olímpico.
Em outubro deste ano, Victor já havia elogiado Renato Portaluppi e utilizado a expressão “imortalidade” para comentar uma vitória gremista. Agora, entretanto, a comparação envolve diretamente a possibilidade de o antigo clube sofrer uma reação do adversário em uma semifinal nacional.
Ex-goleiro perdeu a final de 2016 para o próprio Grêmio
Outro capítulo relevante dessa relação aconteceu na decisão da Copa do Brasil de 2016. Victor era o goleiro do Atlético-MG quando o Grêmio conquistou seu quinto título da competição.
O Tricolor venceu o primeiro jogo por 3×1, no Mineirão, com dois gols de Pedro Rocha e um de Everton. Na volta, na Arena do Grêmio, as equipes empataram por 1×1, resultado que confirmou a conquista gremista.
A lembrança torna a semifinal de 2026 particularmente simbólica. Victor foi protagonista de uma geração vitoriosa no Atlético-MG, mas também vivenciou diante do Grêmio uma decisão em que o clube gaúcho administrou com sucesso uma vantagem construída fora de casa.
Na entrevista ao 365Scores, ele ainda avaliou a disputa pela titularidade no gol atleticano. Gabriel Delfim atuou no primeiro confronto contra o Grêmio, enquanto Everson retornou recentemente de lesão. Victor considerou que o histórico de Everson no clube sustenta sua condição de titular, embora tenha elogiado a concorrência oferecida por Delfim.
O goleiro que Eduardo Domínguez escolher terá uma missão diretamente relacionada ao cenário da semifinal: evitar que o Grêmio marque e amplie a dificuldade da reação mineira. Se os visitantes fizerem um gol, por exemplo, o Atlético-MG precisará marcar pelo menos três para levar a decisão aos pênaltis.
A partida começará às 18h deste sábado, na Arena MRV, com transmissão de SporTV, Premiere e Amazon Prime Video. O Grêmio busca a oportunidade de disputar sua sexta conquista da Copa do Brasil, enquanto o Atlético-MG tenta chegar a uma nova final apoiado nas recuperações que marcaram sua história.









