
Paulo Pezzolano prepara um Inter mais cauteloso para enfrentar o Flamengo e estuda formações que podem reunir até seis jogadores de marcação. Pressionado por quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, o treinador avalia manter três zagueiros, escalar três volantes ou combinar as duas estruturas na partida desta quarta-feira, às 19h30, no Beira-Rio.
A ideia central é aumentar a proteção diante de um adversário com grande capacidade ofensiva. O Inter sofreu quatro gols nos dois jogos disputados depois da pausa do calendário e voltou a apresentar erros individuais que decidiram as derrotas para Cruzeiro e Athletico-PR. A resposta de Pezzolano poderá ser uma equipe menos exposta e orientada a competir pelo resultado.
Na alternativa com três zagueiros, Félix Torres, Gabriel Mercado e Guillermo Maripán formariam o setor. O equatoriano poderia atuar aberto pelo lado direito, quase como um lateral de característica defensiva. Matheus Bahia ocuparia o corredor esquerdo, enquanto Bernabei continuaria mais adiantado.
Outro modelo prevê Bruno Henrique ao lado de Rodrigo Villagra e Bruno Gomes. O trio já apareceu em momentos das partidas anteriores e aumentaria a presença física na região central. A terceira possibilidade seria utilizar os três defensores e os três volantes ao mesmo tempo, retirando um atacante de referência.
Inter pode abrir mão de Alerrandro para explorar contra-ataques
Na formação mais fechada, Alerrandro poderia deixar a equipe. Vitinho e Carbonero seriam responsáveis por atacar os espaços em velocidade, enquanto o restante do time se concentraria em diminuir os corredores disponíveis para o Flamengo. A proposta dependeria de uma atuação disciplinada e de eficiência nas poucas oportunidades criadas.
O sistema com três zagueiros já foi utilizado pelo Inter na retomada da temporada. A estratégia, porém, não produziu a segurança esperada. Contra o Cruzeiro, o time perdeu por 2×1. Diante do Athletico-PR, Juninho e Félix Torres cometeram falhas diretamente ligadas aos gols sofridos.
Por isso, a escolha por uma estrutura defensiva não elimina a necessidade de melhorar decisões individuais. O problema colorado não esteve apenas na quantidade de jogadores atrás da linha da bola. Passes arriscados, recuos equivocados e desorganização após perdas de posse comprometeram o resultado mesmo com maior presença numérica na defesa.
Pezzolano também poderá optar por uma linha de quatro, com Mercado e Maripán centralizados. Essa alternativa foi testada durante a preparação e permanece em análise. A diferença é que, nesse caso, o treinador reforçaria o meio com três jogadores, tentando proteger a dupla de zaga sem ocupar uma vaga adicional na última linha.
O aumento das críticas ao trabalho de Pezzolano torna a decisão ainda mais importante. A torcida cobra uma resposta depois de 52 dias de preparação e de um retorno sem evolução nos resultados. O treinador precisa interromper a sequência negativa sem transformar o time em uma equipe incapaz de atacar.
O Flamengo chega ao Beira-Rio como vice-líder e possui jogadores capazes de decidir em transições rápidas ou ataques posicionais. Fechar os espaços entre lateral e zagueiro, impedir passes por dentro e controlar a entrada da área aparecem entre as prioridades da comissão técnica colorada.
Ao mesmo tempo, o Inter não poderá apenas defender. O clube ocupa a parte inferior da tabela e precisa pontuar. Uma postura excessivamente recuada poderá aumentar a pressão do adversário e afastar o time da área. O equilíbrio entre proteção e capacidade de contra-atacar será o principal desafio.
Bernabei deverá continuar no setor ofensivo pelo lado esquerdo. Matheus Bahia atuaria atrás do argentino, enquanto Carbonero apareceria no outro corredor. Caso Alerrandro seja mantido, o centroavante servirá como referência para segurar a bola e permitir a aproximação dos companheiros.
O debate sobre uma formação mais competitiva para enfrentar Flamengo e Palmeiras já havia ganhado força fora do clube. Agora, a própria comissão trabalha com mudanças profundas e admite uma estratégia mais voltada à segurança.
Uma projeção tem Anthoni; Félix Torres, Mercado, Maripán e Matheus Bahia; Villagra, Bruno Gomes, Vitinho e Bernabei; Carbonero e Alerrandro ou Bruno Henrique. A lista representa apenas uma possibilidade e poderá sofrer alterações até a divulgação oficial.
O Inter encerrará a preparação no CT Parque Gigante. Pezzolano terá de decidir entre preservar o trio de zaga, fortalecer o meio ou adotar simultaneamente as duas medidas. Em qualquer desenho, a mensagem é clara: diante do Flamengo, o treinador pretende reduzir riscos e interromper a sequência que aproximou o clube da zona de rebaixamento.











