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Morre Guerrinha aos 70 anos: Grêmio e Inter prestam homenagens ao jornalista

Comentarista da Rádio Gaúcha estava internado desde domingo e deixa legado de mais de 50 anos na imprensa

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O jornalista Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morreu na madrugada desta quarta-feira (28), aos 70 anos, em Porto Alegre. O comentarista da Rádio Gaúcha estava internado desde domingo (25) no Instituto de Cardiologia. Segundo o Grupo RBS, ele enfrentava uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado. A notícia provocou manifestações de pesar de colegas, entidades esportivas, Grêmio e Inter.

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Colorado declarado, Guerrinha construiu uma carreira marcada pela irreverência, pelo humor e pelas opiniões contundentes sobre o futebol gaúcho. Sua presença no programa Sala de Redação, nas transmissões esportivas e nas páginas dos jornais fez parte da rotina de gerações de torcedores. Mesmo identificado com o Inter, conquistou o respeito dos gremistas ao longo de mais de cinco décadas de atuação profissional.

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Na terça-feira (27), o narrador Pedro Ernesto Denardin havia comentado a situação de saúde do colega durante o Sala de Redação. O apresentador demonstrou preocupação, mas mantinha a esperança de recuperação. Horas depois, publicou uma coluna dedicada a Guerrinha, pedindo apoio e orações ao jornalista.

Grêmio e Inter lamentam falecimento de Guerrinha

O Grêmio publicou uma nota oficial nas redes sociais, acompanhada de uma fotografia em preto e branco do comunicador. O Tricolor destacou a importância de Guerrinha para a história do rádio gaúcho e sua capacidade de conquistar reconhecimento independentemente da preferência clubística. A manifestação ressaltou o legado deixado pelo jornalista e expressou solidariedade aos familiares.

“O futebol é feito por grandes personagens, dentro e fora de campo. Guerrinha foi um deles”, publicou o Grêmio. O clube também ressaltou que sua trajetória deve ser lembrada com carinho e que seu legado permanecerá na memória dos torcedores, colegas e amigos.

O Inter também prestou uma homenagem oficial ao jornalista, recordando sua relação histórica com o Colorado. Na publicação, o clube destacou a trajetória profissional de Guerrinha e sua participação em momentos importantes da história colorada, especialmente na celebração da conquista do Mundial de Clubes de 2006.

O clube lembrou que Guerrinha deu voz à crônica “Não me acordem”, escrita por Luis Fernando Verissimo para celebrar o título mundial. Também destacou sua participação no espetáculo “Os Protagonistas”, realizado durante a reinauguração do Beira-Rio, em 2014. O Colorado encerrou a manifestação prestando solidariedade aos familiares e à comunidade esportiva gaúcha.

Pedro Ernesto se emociona ao recordar o colega

Após a confirmação da morte, Pedro Ernesto voltou a falar sobre Guerrinha. Em declarações publicadas pela GZH nesta quarta-feira, o narrador destacou a capacidade do amigo de transformar análises futebolísticas em comentários marcantes. Também recordou a maneira como o comunicador era recebido pelos torcedores nas ruas e nos estádios.

“O público ama o Guerrinha”, afirmou Pedro Ernesto, ao recordar o carinho demonstrado por gremistas e colorados. Segundo o narrador, a identificação do colega com o Inter nunca impediu que ele recebesse demonstrações de afeto de torcedores do Grêmio.

A Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG) também divulgou uma nota de pesar. A entidade destacou os mais de 50 anos dedicados ao jornalismo e recordou passagens de Guerrinha pelo Jornal Hoje, Folha da Manhã, Correio do Povo e Grupo RBS.

Guerrinha deixa história marcante no jornalismo esportivo

Nascido em 21 de novembro de 1955, Guerrinha iniciou a carreira na década de 1970, com trabalhos relacionados principalmente ao turfe. Em 1983, retornou ao Grupo RBS para trabalhar em Zero Hora. Na década seguinte, passou a acompanhar o futebol e ganhou espaço na cobertura diária do Inter.

Sua trajetória no rádio começou em 1999, no programa Falcão na Gaúcha. Em 2004, ingressou no Sala de Redação, tornando-se uma das figuras mais conhecidas da atração. Também participou do Lance Final, na RBS TV, comandou o Paredão do Guerrinha e manteve a coluna Guerra Total no Diário Gaúcho.

Entre suas marcas mais conhecidas estava a chamada “Lei Guerrinha”, expressão popularizada por Pedro Ernesto para ironizar treinadores que modificavam equipes mesmo quando as escolhas anteriores funcionavam. As frases de efeito e a capacidade de improvisação ajudaram a consolidar sua popularidade entre ouvintes e leitores.

Em outubro, Guerrinha ainda acompanhava as dificuldades da dupla Gre-Nal no Campeonato Brasileiro. Em uma de suas análises, projetou um clássico de alta tensão entre os rivais, demonstrando preocupação com o momento esportivo das duas equipes.

Guerrinha deixa a esposa Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos. As informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas nas primeiras horas desta quarta-feira.


Homenagem Zona Mista a Guerrinha
Foto: Internet – Homenagem Zona Mista

HÁ VOZES QUE O TEMPO JAMAIS CONSEGUIRÁ SILENCIAR.

Existem pessoas que entram em nossas vidas sem nunca terem batido à nossa porta. Chegam pelo rádio, pela televisão, pelas histórias contadas e pelas risadas compartilhadas. E, quando percebemos, já fazem parte da nossa família, da nossa rotina e das nossas melhores lembranças.

Guerrinha foi uma dessas pessoas.

Colorado de coração, mas admirado também por muitos gremistas, Adroaldo Guerra Filho, o nosso Guerrinha, foi muito além das quatro linhas. Com seu jeito irreverente, suas opiniões firmes e seu humor inconfundível, transformou o futebol em conversa, a rivalidade em resenha e o microfone em companhia para milhares de gaúchos.

Hoje, a notícia de sua partida deixa um silêncio difícil de explicar. Um silêncio que contrasta com a alegria de tantas histórias que ele nos proporcionou.

Mas gostamos de imaginar que, em algum lugar do céu, uma grande mesa de debates já está preparada. Que os antigos companheiros da crônica esportiva o recebem com um sorriso e que, entre uma provocação e outra, a resenha recomeça. Porque é difícil imaginar Guerrinha chegando a qualquer lugar sem ter uma boa história para contar.

Por aqui, ficam a saudade, a gratidão e as lembranças de uma voz que atravessou gerações.

As pessoas partem, mas aquilo que despertaram em nossos corações permanece. E quem fez tanta gente sorrir jamais será completamente esquecido.

O Zona Mista se solidariza com a família, os amigos, os colegas de profissão e todos aqueles que tiveram o privilégio de acompanhar sua trajetória.

Descanse em paz, Guerrinha. Que a tua última viagem seja tranquila e que a resenha nunca tenha fim.

Obrigado por tudo. O futebol gaúcho jamais esquecerá você.

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