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Marlon admite erros no Grêmio e faz aviso duro sobre permanências para 2027

Lateral reconhece decisões equivocadas, relata conversas internas e defende uma avaliação rigorosa do elenco

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Marlon defendeu que o Grêmio faça uma avaliação rigorosa do elenco ao término da temporada de 2026 e admita a saída de jogadores que não aproveitaram suas oportunidades. Durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (23), na Arena, o lateral-esquerdo reconheceu que o clube cometeu erros importantes durante o ano, afirmou que determinadas situações internas prejudicaram o desempenho da equipe e admitiu que os próprios atletas permitiram que os problemas se acumulassem.

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Uma das manifestações mais fortes ocorreu quando o jogador foi questionado sobre a necessidade de mudanças para a próxima temporada. Marlon argumentou que muitos atletas receberam oportunidades e que nem todos corresponderam às expectativas. Para ele, depois de resolvida a luta contra o rebaixamento, será necessário avaliar quem realmente tem condições de continuar representando o Grêmio.

“Tem que ser feito um balanço, sim. Quem tiver apto e quem, na denominação das pessoas, tiver condição de permanecer, permanece. E quem não entregou, quem não aproveitou essa oportunidade, tem que ir embora, porque assim que a gente sabe. O futebol é um triturador de pessoas, amanhã ou depois eu posso ser um desses também, como já fui em outros lugares da minha carreira”, afirmou Marlon.

O lateral incluiu a si próprio entre os profissionais sujeitos a essa avaliação. A declaração não representa o anúncio de dispensas ou uma lista definida de saídas, mas estabelece o critério que ele considera necessário para reorganizar o grupo depois de uma campanha abaixo das expectativas.

Marlon admite que Grêmio tentou resolver problemas e deixou outros crescerem

O defensor também revelou que o elenco realizou conversas internas em diferentes momentos da temporada. Segundo ele, houve tentativas de corrigir problemas, mas também situações nas quais o grupo demorou a reconhecer a gravidade da campanha. Marlon utilizou a expressão “tapar o sol com a peneira” para explicar essa postura.

“A gente lavou nossa roupa suja internamente algumas vezes durante a temporada, mas também tapamos o sol com a peneira muitas vezes, quando as vitórias não aconteciam. Eu tive alguns momentos fora durante a temporada, mas estava presente, envolvido nessas conversas. E a gente foi deixando a coisa acontecer, a coisa acontecer, a coisa acontecer. Quando vê, está na situação que está hoje, e nós nos colocamos nessa situação”, reconheceu. Marlon

Ao aprofundar a explicação, Marlon apontou a maneira como a equipe lidou com a quantidade de jogos restantes no Brasileirão. O lateral disse que o discurso de que ainda haveria tempo para reagir acabou se repetindo enquanto a competição avançava e a situação se agravava.

“Quando o resultado não vem acontecendo, se escuta muito dizer que o campeonato é longo, a gente tem mais jogos, tem mais possibilidades. E quando tu fecha o olho faltam 20 rodadas, quando tu fecha o olho faltam 15, quando tu fecha o olho faltam sete. E a gente está numa situação assim não é à toa”, declarou.

Não foi a primeira manifestação de autocrítica do jogador. Em agosto, Marlon já havia reconhecido que o Grêmio se prejudicou com os próprios erros durante a temporada. A novidade agora está na avaliação de que, além das correções esportivas imediatas, as oportunidades desperdiçadas deverão pesar nas decisões sobre o elenco de 2027.

Marlon defende Luís Castro e transfere responsabilidade para os jogadores

Questionado sobre a possibilidade de a troca de comissão técnica ter demorado demais, Marlon rejeitou atribuir a Luís Castro a responsabilidade principal pela situação do Grêmio. Ele afirmou que o treinador português trabalhou com dedicação, mas não conseguiu transformar esse esforço nos resultados esperados.

“O Luís não veio para cá para errar, para deixar o Grêmio numa situação ruim. Ele veio para dar o melhor dele. Infelizmente, no futebol as coisas não acontecem. O Luís sempre deu o melhor dele do primeiro ao último dia para tentar fazer as coisas acontecerem, sempre foi um cara muito direto, muito verdadeiro”, afirmou o lateral.

A avaliação sobre os treinadores foi acompanhada de uma cobrança aos próprios atletas. Marlon argumentou que mudanças na comissão técnica e no departamento de futebol não retiram a responsabilidade daqueles que entram em campo. Ele destacou que uma parte dos problemas decorreu da execução das jogadas e da incapacidade de aproveitar as oportunidades criadas.

“O treinador que estava aqui antes não chutava a bola, o treinador que está agora não chuta a bola. O diretor não chuta a bola, o presidente não chuta a bola. Então é o jogador que executa. Eu não posso cobrar o diretor porque o cara errou um gol. Eu posso cobrar o Renato porque a gente tomou um gol? Não, são coisas do jogo”, explicou.

Marlon também mencionou que o Grêmio alterou bastante seu elenco ao longo do ano, situação que, na avaliação dele, dificultou a construção da coesão e do rendimento esperados. Embora tenha reconhecido problemas nos bastidores, rejeitou a interpretação de que faltou esforço deliberadamente por parte dos jogadores.

“Eu acho que foi dado 100% sempre. Como eu disse, ninguém entra para perder e ninguém entra sabendo que vai ganhar os jogos. Eu acho que a gente foi superado porque os caras exploraram as nossas fraquezas, os nossos desacertos. Por isso que a gente está numa situação ruim. E foi por incapacidade nossa também, por incompetência nossa que a gente está nesse momento”, declarou.

Apesar das críticas, Marlon ressaltou que a prioridade continua sendo manter o clube na Série A. O Grêmio ocupa a 18ª posição do Brasileirão, com 31 pontos, e terá mais sete partidas para tentar escapar do rebaixamento. A primeira delas na segunda-feira, fora, contra o Coritiba.

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