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Inter reage após filha do presidente do Ceará receber bomba em curso de teatro

Ocorrência mobilizou a polícia, abriu inquérito na Draco e provocou reação nacional

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Uma das filhas de João Paulo Silva, presidente do Ceará, recebeu uma encomenda na tarde de quinta-feira (25). O material foi entregue no curso de teatro frequentado pela jovem, no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza. Dentro do pacote havia um buquê de flores, uma caixa de bombons, um artefato explosivo e uma carta. As mensagens “Fora JP” e “Safado” eram dirigidas ao mandatário alvinegro. A jovem sofreu um ataque de pânico após perceber o conteúdo.

Bomba
Foto: Reprodução/Ceará

João Paulo tornou o episódio público nas redes sociais e disse que a ameaça não foi isolada. Segundo o dirigente, ele e familiares já haviam enfrentado outras ações de intimidação. O presidente afirmou que suporta cobranças pelo cargo, mas considerou inadmissível atingir pessoas sem ligação com a gestão. Ele também anunciou a adoção de medidas legais para proteger a família e o próprio Ceará.

“Eu sou presidente do Ceará. Aguento as porradas, o meu cargo exige isso. Mas mexeram com inocentes”, afirmou João Paulo Silva

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As polícias Civil e Militar foram acionadas, enquanto um boletim de ocorrência formalizou a denúncia. À UOL, a Polícia Civil informou que apura um crime de ameaça e realiza diligências. O Ceará também anunciou um inquérito conduzido pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, a Draco. Até a última atualização, nenhum suspeito havia sido identificado.

Na sexta-feira (26), João Paulo foi à Delegacia-Geral e reuniu-se com o delegado-geral Márcio Gutiérrez. Depois, pediu apoio ao governador Elmano de Freitas. O presidente também cobrou a identificação dos executores e de eventuais financiadores. Essa possibilidade foi mencionada pelo dirigente, mas ainda não foi confirmada pela investigação.

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Na nota oficial, o Ceará afirmou que o presidente e seus familiares não eram alvos pela primeira vez. O clube citou ameaças, injúria, perseguição, exposição a perigo e divulgação indevida da vida privada. Também defendeu o direito às críticas, mas estabeleceu um limite diante de atos criminosos. Por fim, declarou confiança na investigação e reafirmou o trabalho pelo retorno à elite nacional.

“Ameaças, intimidações e qualquer forma de violência são inaceitáveis e jamais devem ser normalizadas”, declarou o Ceará em nota oficial.

Pressão política no Ceará antecedeu o ataque, mas autoria segue desconhecida

O ataque aconteceu durante uma crise esportiva, financeira e política no Ceará. O clube informou déficit de R$ 85,8 milhões no exercício de 2025 e passivo de R$ 220 milhões. Conselheiros também protocolaram um pedido de impeachment contra João Paulo no começo de maio. A diretoria negou irregularidades e sustentou que o clube não estava quebrado. Esses fatos aumentaram a pressão sobre a gestão após o rebaixamento nacional de 2025.

No dia 26 de maio, um protesto diante da sede terminou com intervenção policial e quatro torcedores conduzidos. Segundo a Polícia Militar, manifestantes usaram artefatos pirotécnicos e tentaram forçar um portão. Garrafas e pedras também foram lançadas contra os agentes presentes. Um subtenente foi atingido e recebeu atendimento hospitalar. Torcidas organizadas e cinco participantes receberam punições posteriores.

Não existe, porém, qualquer prova pública ligando esses episódios ao pacote enviado à filha do presidente. A polícia não divulgou autoria, motivação ou vínculo com grupos organizados. O contexto explica o aumento da tensão política, mas não permite atribuir responsabilidade pelo crime. A investigação da Draco será responsável por estabelecer eventuais conexões.

O caso provocou reação de entidades e clubes de diferentes regiões do país. CBF, Federação Cearense, Fortaleza, Ferroviário, Sport, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Fluminense divulgaram mensagens. Botafogo, Atlético-MG e Cruzeiro também manifestaram solidariedade. Os participantes da Série B publicaram uma nota conjunta contra intimidação e violência.

O Inter aderiu às manifestações nesta sexta-feira e publicou uma nota de repúdio nas redes sociais. O clube destacou que divergências esportivas jamais podem ultrapassar os limites da civilidade. Também expressou solidariedade a João Paulo Silva, aos familiares e ao Ceará Sporting Club. Na parte central do comunicado, o Colorado resumiu sua posição:

“Não há espaço para ameaças, violência ou qualquer forma de intimidação”, afirmou o Inter.

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