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Inter oficializa pedido à CBF por reconhecimento do Brasileirão de 2005

Clube leva à entidade um dossiê que reacende uma das maiores feridas coloradas

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O Inter deu um passo formal em uma das discussões mais marcantes da sua história recente. O clube informou que protocolou junto à CBF um pedido de reconhecimento do título brasileiro de 2005, campeonato vencido oficialmente pelo Corinthians. A medida transforma uma reivindicação antiga da torcida em um processo administrativo dentro da entidade. O documento foi entregue ao presidente da CBF, Samir Xaud, e reúne argumentos jurídicos, históricos e esportivos sobre aquela edição do Brasileirão.

A movimentação colorada tem um ponto central. O Inter não pede a retirada do título do Corinthians. O objetivo é obter um reconhecimento institucional pela campanha de 2005, em uma espécie de reparação histórica. A nota oficial do clube informa que o requerimento não busca revogar a conquista homologada ao time paulista. A direção sustenta que as decisões tomadas na época tiveram impacto direto no desfecho da competição.

A entrega do material teve a presença de nomes ligados ao clube e ao futebol gaúcho. Participaram Alessandro Barcellos, Luciano Hocsman, Jorge Oliveira Filho, Fernando Carvalho, Leonardo Aquino e Daniel Cravo. Pela CBF, estiveram Samir Xaud, Julio Avellar, Helder Melillo e André Mattos. O caso, portanto, chega à entidade com peso político e jurídico maior do que em tentativas anteriores.

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Pedido do Inter se apoia na Máfia do Apito

O Brasileirão de 2005 ficou marcado pelo escândalo conhecido como Máfia do Apito. Naquele ano, 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho foram anulados pelo STJD. As partidas foram disputadas novamente e mudaram a tabela de classificação. O Corinthians, que havia perdido dois desses jogos, somou quatro pontos nas partidas refeitas. O Inter, que também teve uma vitória anulada, repetiu o triunfo contra o Coritiba.

O campeonato terminou com o Corinthians em primeiro, com 81 pontos, e o Inter em segundo, com 78. A diferença final foi de três pontos. Por isso, o clube gaúcho sustenta que a anulação geral dos jogos prejudicou diretamente a sua campanha. A tese colorada ganhou força nos últimos meses após novas declarações públicas sobre o caso e depois da produção do documentário “Máfia do Apito”, exibido pelo SporTV.

O próprio Edilson Pereira de Carvalho voltou a tratar do impacto das manipulações naquela competição. A declaração passou a ser usada como elemento simbólico na discussão. Ela não decide o caso sozinha, mas ajuda a explicar por que o tema voltou com tanta força. O Inter também anexou documentos, parecer técnico especializado e precedentes de reconhecimentos históricos feitos pela CBF.

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“Eu mudei o campeão brasileiro. Sem a máfia do apito, a equipe campeã seria o Inter, o campeão seria o Inter”, disse Edilson Pereira de Carvalho, em documentário do SporTV.

O pedido também se sustenta em uma diferença importante entre erro de arbitragem e manipulação reconhecida. O pênalti não marcado em Tinga, no empate em 1×1 entre Corinthians e Inter, segue como um dos lances mais lembrados pelo torcedor colorado. No entanto, a base principal do requerimento mira a anulação dos 11 jogos, já que a própria decisão do STJD alterou a disputa durante o campeonato.

Outro ponto usado pelo Inter envolve precedentes da própria CBF. Em 2010, a entidade reconheceu Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa como títulos brasileiros. Em 2023, a CBF também homologou o Atlético-MG como campeão brasileiro de 1937. O clube colorado vê esses casos como exemplos de que a entidade pode revisar registros históricos quando há documentação suficiente.

O caso ainda não tem prazo para desfecho. Agora, caberá à CBF analisar o material entregue pelo Inter e definir se aceita ou não o reconhecimento pedido pelo clube. Para a torcida colorada, o tema tem valor emocional profundo. O clube é oficialmente tricampeão brasileiro, com conquistas em 1975, 1976 e 1979. Se o pedido avançar, o Brasileirão de 2005 pode deixar de ser apenas uma ferida histórica e virar reconhecimento oficial.

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