
O recurso que o Inter prepara para tentar reduzir a punição de Victor Gabriel possui um precedente diretamente ligado à história do próprio clube. Em 2011, o zagueiro Bolívar recebeu uma condenação semelhante depois de uma entrada que provocou uma grave lesão em Dodô, então lateral do Bahia.
Naquela ocasião, Bolívar foi suspenso por quatro partidas e também pelo período em que Dodô permanecesse afastado, respeitado o limite máximo de 180 dias. A defesa colorada recorreu ao Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e conseguiu reduzir a condenação para dois jogos e 15 dias.
A semelhança não está apenas no formato da pena. Rogério Pastl, advogado que participou da defesa de Victor Gabriel no julgamento desta terça-feira, também representava o Inter no caso envolvendo Bolívar.
O precedente poderá se transformar em um dos elementos analisados pelo departamento jurídico durante a construção do novo recurso. O vice-presidente jurídico Jorge Oliveira Filho confirmou que o Inter pretende pedir efeito suspensivo e buscar a reversão ou, pelo menos, a diminuição da pena imposta ao jovem defensor.
Victor Gabriel é o segundo jogador atingido por punição rara no futebol brasileiro
Victor Gabriel recebeu seis partidas de suspensão e continuará impedido de atuar até que Gabriel Pec volte aos treinamentos, dentro do limite de 180 dias estabelecido pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
A condenação foi aplicada pelo lance ocorrido na partida entre Inter e Cruzeiro, no Beira-Rio. Victor Gabriel atingiu Gabriel Pec durante uma disputa de bola, recebeu cartão vermelho e provocou uma fratura na tíbia do atacante cruzeirense.
A decisão utilizou o parágrafo terceiro do artigo 254 do CBJD. O dispositivo permite que, em situações consideradas agravadas, o jogador punido permaneça suspenso enquanto o adversário lesionado estiver impossibilitado de praticar a modalidade.
A aplicação dessa regra é extremamente incomum. Segundo o levantamento publicado por GZH, somente dois jogadores receberam esse tipo de condenação no futebol brasileiro. Os dois defendiam o Inter. O primeiro foi Bolívar, em 2011. O segundo é Victor Gabriel, 15 anos depois.
Entrada de Bolívar provocou grave lesão em Dodô
O caso anterior aconteceu em uma partida entre Inter e Bahia pelo Campeonato Brasileiro de 2011. Bolívar atingiu Dodô com a sola da chuteira dentro da área.
O lateral baiano sofreu uma ruptura no ligamento do joelho e precisou ficar afastado. O árbitro Paulo César de Oliveira marcou pênalti, mas apresentou somente o cartão amarelo ao defensor colorado.
Posteriormente, Bolívar foi denunciado e recebeu quatro partidas de suspensão, além do período correspondente à recuperação de Dodô, limitado a 180 dias.
A defesa considerou a decisão inesperada e recorreu. No julgamento realizado pelo Pleno do STJD, a punição foi modificada para dois jogos e 15 dias.
O resultado não significa que Victor Gabriel receberá automaticamente a mesma redução. Cada processo possui provas, circunstâncias e interpretações próprias. O precedente, porém, mostra que uma condenação desse tipo já foi revista pelo tribunal em um caso envolvendo o Inter.
Mesmo advogado participou dos dois processos
Rogério Pastl era o advogado responsável pela defesa de Bolívar em 2011. Na época, sustentou que o zagueiro não havia entrado com a intenção de lesionar o adversário e classificou a punição como incomum.
O profissional voltou a representar o Inter no julgamento de Victor Gabriel. A sessão desta terça-feira ganhou repercussão nacional depois que a defesa apresentou como prova um áudio falso, produzido originalmente por uma página humorística.
O arquivo simulava uma conversa entre a arbitragem de campo e a cabine do VAR. Depois que a autenticidade foi questionada durante o julgamento, o advogado pediu que o material fosse retirado dos autos.
O Inter e o escritório reconheceram posteriormente que houve uma falha na captação e na verificação do conteúdo. Ambos negaram qualquer intenção de enganar os auditores.
Apesar do desgaste, a direção decidiu manter o escritório responsável pela defesa. Jorge Oliveira Filho afirmou que o vínculo de 19 anos e o histórico de trabalhos realizados pesaram na decisão.
Inter pedirá efeito suspensivo para Victor Gabriel
O vice-presidente jurídico também confirmou que o Inter apresentará um recurso ao Pleno do STJD. A intenção inicial é solicitar efeito suspensivo, medida que poderá liberar Victor Gabriel enquanto a nova análise não for realizada.
Os argumentos e fundamentos serão definidos em conjunto com o escritório depois do compromisso contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro.
“O Inter vai fazer todo o possível, imaginável e inimaginável para que se possa buscar a reversão desse julgamento.”
O dirigente afirmou acreditar em uma reversão ou, ao menos, em uma redução da pena. Ele também sustentou que o áudio falso não foi determinante para o resultado do julgamento.
A defesa deverá discutir principalmente a proporcionalidade da punição e a possibilidade de substituir o afastamento vinculado à recuperação de Gabriel Pec por um período menor e determinado.
O caso de Bolívar oferece um exemplo concreto. Em 2011, o Inter não conseguiu anular completamente a condenação, mas reduziu de maneira expressiva o período de afastamento aplicado na primeira instância.
Recurso não garante retorno imediato
Victor Gabriel permanece suspenso enquanto o efeito suspensivo não for concedido. O zagueiro não poderá ser utilizado por Paulo Pezzolano nos próximos jogos e continuará fora das opções defensivas do Inter.
A comissão técnica conta atualmente com Gabriel Mercado, Guillermo Maripán, Félix Torres, Juninho e jovens promovidos das categorias de base.
A ausência ganha peso porque o calendário colorado terá partidas contra Flamengo, Corinthians e Palmeiras. O Inter já enfrenta problemas defensivos e sofreu nove gols nas últimas quatro rodadas do Brasileirão.
A direção jurídica tentará acelerar o processo, mas a liberação dependerá de uma nova decisão do tribunal. Mesmo com o precedente favorável de Bolívar, o resultado não pode ser antecipado.
O histórico mostra apenas que existe espaço para uma revisão. Quinze anos depois, o Inter volta ao STJD com o mesmo advogado, uma punição praticamente igual e a tentativa de reduzir o período de afastamento de outro zagueiro.











