O Grêmio já sabe que terá o Bolívar pela frente nos playoffs da Copa Sul-Americana. O jogo de ida será com mando do clube boliviano, enquanto a volta está prevista para a Arena, em Porto Alegre. As datas-base da Conmebol são 22 e 29 de julho, ainda sem detalhamento definitivo de horários para o confronto.
A definição do adversário recoloca uma pergunta importante no caminho gremista: afinal, o primeiro jogo será mesmo na altitude de La Paz? O cenário ainda é incerto por causa da crise social e política vivida pela Bolívia nas últimas semanas. A Conmebol já precisou alterar partidas recentes no país por questões de segurança, o que abre uma dúvida real para o duelo do Tricolor.
La Paz, tradicional casa do Bolívar, fica a cerca de 3.650 metros acima do nível do mar. Santa Cruz de la Sierra, alternativa usada recentemente, está em uma condição muito diferente, a aproximadamente 428 metros. Ou seja, não é exatamente ao nível do mar, mas reduz de forma enorme o impacto físico que costuma marcar os jogos contra bolivianos.
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A situação ficou mais clara nos últimos dias, quando a Conmebol tirou Bolívar x Independiente Rivadavia de La Paz. A partida, válida pela Conmebol Libertadores, foi transferida para o Estádio Ramón Tahuichi Aguilera, em Santa Cruz. A justificativa envolveu dificuldades de mobilidade e segurança causadas pelos protestos no eixo de La Paz e El Alto.
Por que a Bolívia vive protestos antes de Bolívar x Grêmio
Os atos começaram no início de maio e cresceram com participação de sindicatos, mineiros, transportadores e grupos rurais. As manifestações têm relação com medidas econômicas do governo de Rodrigo Paz, alta do custo de vida, problemas de abastecimento, combustíveis e divergências sobre reformas agrárias. Parte dos manifestantes também passou a pedir a renúncia do presidente.
O governo boliviano tem tentado negociar, mas também avalia medidas mais duras para conter bloqueios e distúrbios. As estradas bloqueadas afetaram o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, especialmente em La Paz e El Alto. Esse cenário tornou mais difícil a realização de eventos internacionais com logística complexa.
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“Tenho instrumentos constitucionais. O tempo está acabando. Tenho que responder, tenho que apresentar soluções”, disse Rodrigo Paz, em declaração registrada pela Reuters.
No futebol, a Conmebol vem tratando os casos de forma individual. Always Ready x Mirassol saiu da Bolívia e foi levado para Assunção, no Paraguai, por falta de segurança. Independiente Petrolero x Botafogo também não pôde ser disputado em território boliviano. Por outro lado, Blooming x Carabobo foi mantido em Santa Cruz depois de garantias formais apresentadas por autoridades locais e nacionais.
É justamente esse histórico recente que mantém a dúvida sobre Bolívar x Grêmio. Até agora, a Conmebol não anunciou mudança de local para a partida do Tricolor. Como o jogo está marcado apenas para o fim de julho, existe tempo para mudança no cenário político, redução dos protestos ou apresentação de garantias para que a partida ocorra em La Paz.
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Para o Grêmio, a diferença esportiva seria considerável. Jogar em Santa Cruz tiraria do Bolívar a força da altitude, um fator que historicamente pesa contra brasileiros. Ainda assim, não há decisão tomada. Por enquanto, o confronto segue com mando do Bolívar, e a pergunta continua aberta: até lá, os protestos terão terminado ou a Conmebol voltará a tirar um jogo da altitude?
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