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Grêmio adere a manifesto nacional sobre bets e alerta para impacto no futebol

Tricolor publicou texto em defesa do mercado regulado; Inter não aderiu à mobilização nacional

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O Grêmio aderiu ao movimento de clubes brasileiros em defesa da manutenção do mercado regulamentado de apostas e publicou nas redes sociais o manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”. A mobilização ganhou força na quinta-feira (17) diante das discussões no governo federal sobre possíveis novas restrições ao setor, especialmente aos jogos virtuais oferecidos pelas plataformas de apostas.

O movimento não reuniu inicialmente os 20 integrantes da Série A, como chegou a ser divulgado em algumas repercussões. A primeira manifestação envolveu clubes como Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Cruzeiro, além de federações estaduais. Outras equipes aderiram posteriormente, entre elas o Grêmio, que reproduziu o mesmo posicionamento em seus canais.

No manifesto, os clubes reconhecem os problemas sociais relacionados às apostas e defendem maior fiscalização, prevenção e proteção aos usuários, mas argumentam que mudanças abruptas poderiam reduzir investimentos no futebol e causar insegurança em contratos já firmados. O documento sustenta ainda que uma eventual redução do mercado legal poderia favorecer plataformas clandestinas e termina com a expressão de que, se o mercado regulado acabar, “o futebol é quem acaba”.

Discussão não envolve apenas apostas esportivas

A medida em discussão no governo exige uma distinção importante. Segundo informações divulgadas pelo ge e pela GZH, o texto de Medida Provisória analisado poderia revogar o trecho da Lei 14.790/2023 que incluiu jogos virtuais entre as modalidades de apostas de quota fixa. Desta forma, a mudança atingiria principalmente os chamados cassinos on-line e não significaria, por si só, uma proibição automática das apostas esportivas.

O tema, porém, continua em discussão e declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliaram o debate para as bets de maneira geral. Na sexta-feira (18), Lula voltou a defender restrições mais duras ao setor e contestou a afirmação dos clubes de que o futebol brasileiro não sobreviveria sem os investimentos das casas de apostas. Integrantes da equipe econômica, por outro lado, indicaram que o formato das medidas ainda estava sendo analisado.

A preocupação dos clubes está diretamente relacionada ao peso financeiro que as empresas do ramo passaram a ter no futebol. No fim de agosto, o Zona Mista mostrou que as bets haviam retomado espaço no mapa de patrocínios do Brasileirão em 2026. Naquele levantamento, 13 dos 20 participantes da Série A tinham empresas de apostas em posições de destaque, enquanto os contratos do setor movimentavam aproximadamente R$ 1 bilhão.

Grêmio havia recusado propostas de bets para espaço máster

A adesão ao manifesto ocorre meses depois de o Grêmio adotar uma postura mais cautelosa em sua própria negociação comercial. Em julho, o ge informou que o clube havia recusado propostas de empresas de apostas para ocupar o espaço de patrocinador máster. Algumas ofertas giravam entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões anuais, enquanto a direção buscava valores mais próximos do antigo contrato com a Alfa Bet.

Naquele momento, a preferência gremista era por empresas de outros segmentos, principalmente pela busca de maior estabilidade em contratos de longo prazo. Isso não significa oposição do clube à existência das bets no futebol. A manifestação desta semana trata de outro ponto: a defesa da continuidade de um mercado regulamentado que hoje representa uma parcela relevante dos investimentos comerciais realizados no esporte brasileiro.

A dificuldade do Grêmio para preencher sua principal propriedade comercial já havia sido abordada pelo Zona Mista em julho, quando Grêmio e Inter ainda procuravam novos patrocinadores principais. Desde então, o clube manteve diferentes parceiros em outras propriedades da camisa e da Arena.

Inter não aderiu ao mesmo manifesto

No Rio Grande do Sul, Grêmio e Inter adotaram caminhos diferentes. O Colorado não participou do manifesto nacional. Em posicionamento repassado à imprensa, o clube afirmou reconhecer a necessidade de enfrentar os impactos sociais ligados às apostas e, ao mesmo tempo, demonstrou preocupação com possíveis consequências de mudanças regulatórias sobre o financiamento do futebol.

A FGF publicou posteriormente uma manifestação regional exibindo os escudos de Grêmio, Inter e outros clubes gaúchos. Procurado pela GZH sobre essa nota, porém, o Inter não confirmou que tivesse participado da elaboração ou aderido ao documento e reiterou apenas sua posição própria.

Assim, o fato concreto envolvendo a dupla Gre-Nal é que o Grêmio aderiu publicamente à mobilização nacional e reproduziu o manifesto, enquanto o Inter decidiu não fazer parte daquele movimento. O debate segue aberto enquanto o governo federal avalia quais mudanças efetivamente serão propostas para o mercado de apostas no país.

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